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Era da generosidade e da criatividade coletiva

Gil Giardelli fala de temas morais em tempos digitais e frisa “A internet sob ataque”. Confira!

Como escreveu Manuel Bandeira “Assim eu quereria meu último poema terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais”. Simples assim, surgiu o renascimento da inovação digital. A revolução foi silenciosa, as forças seculares acreditavam que a web era apenas uma brincadeira de jovens petulantes!

Os céticos duvidam que entramos na ”Era da criatividade e generosidade e global”. A consciência coletiva aparece. O pensador Daniel Pink afirma em seu livro “Drive: The Surprising Truth About What Motivates Us” que até o século XX os trabalhadores só se sentiam estimulados pelos ganhos financeiros. E no século XXI as pessoas fazem coisas para se sentirem inseridos no mundo, para ganhar sua satisfação, alimentados por recompensas externas, pela intrínseca motivação, a alegria de fazer algo em benefício do outro.

Lembra do mantra digital “Você é o que você compartilha?” Estudos recentes da Universidade Kings College London, provou que a internet não revolucionou apenas nossa forma de viver e se relacionar. Revolucionou nosso cérebro – quando você está na web e tem o sentimento de fazer a coisa certa, fazer coisas interessantes, engajar-se a uma causa ou contribuir para o mundo. Afeta seu cérebro e uma parte do seu nercotex e você fica feliz como praticar esporte ou fazer amor. Percebeu porque estes danados ficam tanto tempo conectados e compartilhando?

Clay Shirky, em seu livro  Cognitivo Excedente - afirma que as pessoas estão trocando seu tempo livre, onde assistiam TV estatelado no sofá por conectar-se às redes sociais! Clay questiona porque as pessoas gastam seu tempo editando a Wikipedia - todos os artigos, edições e discussões sobre os artigos e edições representam cerca de 100 milhões de horas de trabalho humano.  O que as motiva?
Havia muito tempo livre no mundo industrializado versus falta de tempo em um mundo conectado. Alguém que nasceu em 1960 já assistiu algo como 50 mil horas de televisão, e já passou mais de cinco anos e meio de vida na frente da telinha.

Existe na humanidade um excedente cognitivo = A sociedade conectada desligando a TV e produzindo conteúdo significa um trilhão de horas por ano de desenvolvimento do software da sabedoria das multidões. Um novo recurso! Hoje no mundo 0 Tempo =  bem social coletivo. Trocar a TV por postar em blogs, wikis e Twitter. Ensinando o outro, aprendendo com o outro. Sai a televisão, uma atividade solitária e entra as conexões sociais – contribuir, compartilhar etc. Shirky disse: “Quando alguém compra uma televisão, o número de consumidores sobe para um, mas o número de produtores permanece o mesmo.”
Quando alguém compra um computador ou telefone celular, o número de consumidores e produtores aumenta um. Isso permite ao cidadão, ao invés de deixar seu tempo livre escoar em frente da televisão, produzir vídeos divertidos, engajar-se em webcidadania, enfim vale tudo!

Pink disse que ao contrário do que pensávamos que nossas motivações estava em dois pilares, o das necessidades biológicas (beber, comer, se aquecer e satisfazer desejos biológicos) e o segundo pilar de responder a recompensas e punições, temos um terceiro pilar. A ciência provou que a motivação intríseca pode ser ainda mais poderosa: “Isso é o que está por trás das pessoas que organizam sites de carona,  usam telefones celulares para informar sobre as catástrofes naturais ou agitação política. Eles são motivados por algo que não seja dinheiro.”

Até o século passado, o mundo foi orientado ao hiperconsumo e a passividade. No século XXI reinventamos  a co-criação e o compartilhar. Algo que ficou latente nos últimos séculos industrializados.
Somente com este novo comportamento da humanidade, poderia nascer comunidades de software livre, de vizinhos online, de protetores de animais, de produtores de documentários. Pense na criação do Twitter, um amigo vira para o outro e diz:

- “Vamos fazer um microblogging gratuito de até 140 caracteres?”

O amigo responde:

- “Otimo, vamos começar agora”.

E nem pensaram em um plano de negócios ou modelo de pagamento Percebeu um mundo novo? Percebeu o choque dos séculos? Porém, empresas e governos, perceberam os diácomos da tempestade digital e estão dispostos a fazer a nossa amada  internet funcionar de uma maneira diferente. Para no final promover interesses políticos e comerciais falidos! Muitos poderes que não cabem em uma era do conhecimento coletivo!

A Revista The Economist estampou em sua capa “Os novos muros da web – Suas normas abertas, que derreteu as fronteiras existentes entre academia, empresas e redes de consumo está em perigo de perder sua universalidade.” Essa tal de “neutralidade da rede”, que nasceu com a internet e deu-lhe o caráter aberto e democrático que teve até agora.


Por ironias da deusa das casualidades, o primeiro grande ataque foi de Paris – o berço da Revolução Francesa, que ensinou a civilização ocidental os conceitos de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. O enfadonho Presidente Sarkozy levantou as barricadas em seu Quartier Latin, prendendo jovens que abaixavam música na internet, por meio da lei “Création et internet”, ou Lei Sarkozy, em resumo (censura sem a participação do Judiciário, o que representa uma clara violação ao direito à privacidade e à presunção de inocência) Veja aqui.

A The Economist desvendou “A Grande muralha digital Chinesa, o firewall estatal que já impõe um controlo rigoroso dos links de internet com o resto do mundo, monitorando o tráfego e fazendo muitos sites ou serviços indisponíveis. Há também, países que não toleram a democracia das ideias como Irã, Cuba, Arábia Saudita e Vietnã, embarcaram em seus muros de Berlim da era digital.”
O ativista digital e músico Damian Kulash escreveu para o The Washington post: “Passei uma década trabalhando com a indústria fonográfica, um setor em que as grandes excluem todo o resto. Criatividade e inovação ficam muito atrás do dinheiro em importância e todos perdem, até as grandes. Elas se isolaram da mudança por tanto tempo que cavaram seu túmulo. O sucesso é mais frequentemente comprado que conquistado.


A internet é o mercado mais puro para ideias que o mundo jamais viu, e o poder espantoso desse campo de jogo nivelado revolucionou tudo. Na internet, quando envio meus uns e zeros para algum lugar, eles não deveriam ter de esperar na fila atrás dos uns e zeros de pessoas ou corporações abonadas. Esse é o modo como a internet foi planejada, e é fundamental para um conceito chamado “neutralidade da rede”, que garante que os provedores de serviços de internet não podem escolher favoritos.”

Há alguns anos Lawrence Lessig e Robert McChesney, especialistas das universidades de Stanford e Illinois,  disseram que se o fim da neutralidade acontecer, “a internet começará a ficar parecida com a televisão a cabo, onde meia dúzia de grandes empresas controlarão o acesso ao conteúdo e sua distribuição, decidindo o que você vai ver e quanto vai pagar por isso.”
Da série a série, poder absoluto corrompe de Maquiavel – Vinton Cerf, pioneiro em tecnologias da informação, considerado por muitos “o pai da internet” que foi o grande orador da manutenção da neutralidade da rede, declarou a todos os ventos em alto e bom som: “As gigantes de telecom querem nos impor um modelo do século 19 no mundo do século 21″, comparando a internet pedagiada às práticas monopolistas que marcaram há 150 anos a construção das redes de telégrafos – a primeira malha global de comunicação rápida que o mundo conheceu.

Com sadismo a deusa das casualidades,fez o Google esquecer seu mantra “Não seja malvado” e Vinton Cerf seu vice-presidente, provavelmente pediu para esquecerem o que ele escreveu – A gigante de busca embasbacou o mundo com sua sórdida manobra para criar pistas exclusivas na internet com a Verizon e colocar em xeque o modelo atual de neutralidade na rede. Justamente “O Google que começou numa garagem e se tornou um líder industrial por ter grandes ideias e não montanhas de dinheiro”. Mas, agora que a internet já existe a tempo suficiente para ter desenvolvido seus próprios gigantes, precisamos garantir que eles não arruínem o que é grande na tecnologia que os produziu.” Profetizou Kulash.

Aprovar o acordo Google-Verizon, ou atitudes de países que não admiram a democracia “Seria como ter uma legislação sobre direitos civis que tratasse da ocupação de assentos em ônibus, mas excetuasse escolas, locais de trabalho e cabines de votação.” Como disse a voz inteligente de Damian Kulash. Emocionante o parágrafo final da The Economist “Este jornal sempre defendeu o livre comércio, mercados abertos e a concorrência vigorosa no mundo físico. Os mesmos princípios devem ser aplicados na internet também.”

Você  pode se engajar e ajudar a eleger a Internet como Nobel da Paz em 2010, se engajar no projeto savetheinternet.com. Somos ou não somos, tech-anarquistas graças a Deus? Nestes anos, em vez de atirarmos pedras como na revolução estudantil de 1968, vamos usar nossos mouses e deletar velhas formas de um mundo que naufragou. Precisamos  de homens magnanimous em tempos de revoluções. Precisamos de homens que enxergaram o futuro. Precisamos de sonhadores, utópicos, semeadores do bem. Precisamos de pessoas que acreditam que a evolução da terra se dará pela consciência coletiva. Precisamos de pessoas que criem redes sociais de justiça, leis morais, arquitetura, tecnologia e educação.

Precisamos de contadores de histórias como os avós de José Saramago. - “Gente que tinha pena de ir-se da vida só porque o mundo era bonito, gente, e este foi o meu avô Jerônimo, pastor e contador de histórias, que, ao pressentir que a morte o vinha buscar, foi despedir-se das árvores do seu quintal, uma por uma, abraçando-se a elas e chorando porque sabia que não as tornaria a ver”.
Contamos com você, camarada! Boa viagem.E não esqueça da bussola digital. Não use velhos mapas, para descobrir novas terras! A e-revolução não é toda história, mas é uma grande história onde não podemos usar velhos mapas para descobrir novas terras!

Gil Giardelli (Ceo da Gaia Creative, onde implementa ações de redes sociais e web colaborativa para empresas como BMW, Hospital Einstein, Mini Cooper, Grupo Cruzeiro do Sul entre outras. Professor de MBA e Pós graduação da ESPM – São Paulo e Brasília)

Inspirado em – “EUA começam a discutir o futuro da internet. Integra aqui  e “Em uma conversa genial, para a revista Wired  entre Pink e Clay sobre a  humanidade 5.0 e no “Discurso de José Saramago na Academia Sueca (ao receber o Prêmio Nobel de Literatura)

HSM Online
17/09/2010

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Comentários

Do you know that it's the best time to get the business loans, which would make you dreams real.

Parabéns, a era robos manipulados chegou ao fim, tomemos o bastão de nossas vidas das mãos dos manipuladores, e a internet nos deu este poder de não ter que $er para ter vez, a exemplo todas as revoluções que a net esta nos pondo a par no mundo.

Prof Gil, estou maravilhada e lendo seus artigos, proposta de aula, blog.. hà duas horas.. enrrolando um trabalho mega-chato em um Universidade Ultra Chata aqui na Italia super por fora...
Consultando sites para melhoria do site dos cara: giga mala ...
Na volta, para o Brasuca, vou conferir suas proezas.. Show!!!

Excelentes palavras Professor Gil. Como publicitária e um profundo amor ao conhecimento, acredito e aposto muito no mundo virtual. E vamos a semear esse mundo virtual, com qualidade e com sabedoria.

Excelente Gil, realmente temos que repensar sobre o poder das mídias sociais dentro dos negócios...Excelente....

um texto para ser trabalhado nas escolas com nossos jovens.parabens

Gil, o facilitador e o semeador do bem. :o)
Parabéns pelo seu texto. Também compartilho com a idéia que precisamos de mais homens que enxergaram o futuro (inovadores)... com objetivo de justiça, maior igualdade entre os povos e evolução humana.
[Ler seus textos, assistir aos seus vídeos no youtube, participar das suas exposições e acompanhar seu twitter @gilgiardelli são experiências prazerosas]!
"afetam nosso cérebro e uma parte do nercotex e ficamos felizes" rs!!!!
Beijos.

Gil, meus parabéns pelo artigo! Atuo neste mundo web desde o início da Internet comercial Brasileira em 1995, admirando, usando, desenvolvendo sistemas, fui um dos pioneiros como provedor de acesso e hospedagem e fico entusiasmado em ver tudo isso que está acontecendo, uma verdadeira revolução tecnológica, econômica e social.

Gil Giardelli, o seu entusiasmo faz pedra virar pão, sal-aúcar, azedo-doce. Você cumpre seu papel revolucionário visualizando e descortinando a fumaça que nos atrapalha a ver o simples, o verdadeiro, o possível. Parabéns à você, a quem considero um valioso nó nesta imensa rede.

Gil,
É por disseminar ideias e ideais como os contidos neste texto que você tem a admiração de tantas pessoas (o que me inclui).
Parabéns, e conte com mais uma peça neste "abre-cabeça" que é nossa querida Rede!

Sinceramente, iniciei o texto discordando, pois havia um mundo perfeito, mas a realidae é oposta. Depois entendi que esse muito perfeito existe, cabe a nossas atitudes criá-lo, mantê-lo e evitar a mudança do rumo. Só com esta paixão do texto. Muito Obrigado.

Sinto a paixão pelo assunto em suas palavras! E me reconheço também, pois a satisfação que tenho em atualizar meu blog e, por exemplo, postar artigos no administradores.com são inigualáves.
Abraços
http://www.webcontexto.com.br

Ótimo post.
Disseminarei esta idéia.

Magnificamente inspirador, consciente e motivador. Uma reflexão social simples e um alerta EMERGENTE!!!!
Parabéns

o mundo realmente está dando o melhor que pode mas se senyir tendo prazer np que faz, é mais importante do que correr atrás de dinheiro, o que a humanidade deve evoluir sempre claro, a cada instante cada um de nós temos pensamentos diferentes, estes viabilizam químicas sociais e universais constituindo variedades e onde vamos ver o que acontece? na internet. Onde todos podem compartilhar e se ajudar levando em conta eu diria cada raio de sol de cada região. Compartilhar e associar-se, e conviver. Porque? porque somos emoção.

Costumeiro receber pérolas de grandeza do Gil Giardelli. Obrigado Gil.
Quanto tempo, hein?! Abs.

Sensacional Gil, com certeza precisamos de semeadores do bem em nosso planeta. Parabéns por fazer a sua parte e semear as esperanças em nossos corações.

Palavras de Giardelli são um entusiasmo só! Excelente artigo.
Essa ideia toda me motiva cada vez mais a estudar sobre Coworking, Crowdsourcing e todas as formas de trabalhos colaborativos que proporcionam melhorias e mais melhorias para todos.
Realmente é compartilhando que se aprende.

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