Ensino superior mais próximo das empresas

Universidade abre portas para empreendedores e promovem a inovação no País
Um dos maiores desafios do Brasil tem sido investir em inovação. Como existe um consenso no mercado de que grandes ideias nascem em pequenos negócios, aproximar empreendedores criativos dos centros de pesquisa e do desenvolvimento nas universidades tornou-se fundamental para ampliar o arsenal inovador.
Um dos caminhos para fazer isso é entrar em contato com os escritórios de inovação mantidos pelas instituições de ensino. Henrique Barros, professor de estratégia e inovação do Insper, explica que as universidades criaram departamentos justamente para ampliar o conhecimento desenvolvido pelos pesquisadores acadêmicos e ajudar a transferir a tecnologia para o dia a dia.
Entretanto, o grande desafio, na visão do docente, está em encontrar pesquisadores capazes de entender a relação entre sua pesquisa e o mercado, ou seja, sobre o modo como suas ideias podem impactar nos meios produtivos tornando-os mais competitivos.
“As universidades estão abrindo suas portas, estão mais receptivas, então cabe ao empreendedor aproveitar esse movimento”, avalia Barros.
Crédito para pesquisa
As fontes de financiamento também impactam diretamente no grau de inovação das empresas. Como inovar implica em alto risco e muitos negócios não possuem garantias reais e tem dificuldade em entender todas as exigências burocráticas na hora de buscar recursos nos bancos e no governo, muitos empresários acabam deixando de lado a inovação para se concentrarem em atividades com retorno financeiro rápido.
Segundo Barros, uma tendência nesse sentido são os financiamentos privados para centros de pesquisa universitários. São parcerias que levam em conta o desenvolvimento de novas tecnologias, desde que o pesquisador tenha muita cautela nesse processo, não deixando os recursos implicarem diretamente em um “conflito de interesses” entre a empresa e a universidade.
“O pesquisador nunca pode se esquecer de sua independência científica”, alerta Barros. Esse compromisso dos pesquisadores em gerar resultado está ampliando o percentual de doutores no Brasil, principalmente nas áreas de Tecnologia da Informação (TI), setor que apresenta a maior dificuldade em encontrar profissionais qualificados.
“A falta de mão-de-obra qualificada em negócios altamente tecnológicos trava o desenvolvimento dessas empresas”, diz Barros. Para o professor, um dos caminhos para minimizar os efeitos negativos é o das empresas se abrirem receber a colaboração de outras pessoas em seus processos inovadores, conhecido como o processo de Inovação Aberta, termo oriundo do inglês “Open Innovation” que significa a troca de patentes na busca por uma inovação que favorecerá setores econômicos inteiros e não apenas uma companhia.
Outro fator colaborativo para o crescimento dos processos inovadores no Brasil, de acordo com Barros, são os recentes marcos regulatórios do poder público. “Mas os empreendedores ainda estão aprendendo como pedir e utilizar esses recursos. A burocracia ainda é um traço cultural muito forte por aqui e isso dificulta o acesso ao dinheiro”, pondera Barros.
Portal HSM
31/01/2011
Unindo forças para inovar mais


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