Softwares livres: por que o Brasil ainda não está aberto para esta inovação?

A inovação na área de TI para softwares de código aberto ainda tem um longo caminho para evoluir. Veja a razão.
Nos últimos dez anos o governo federal tem intensificado medidas de incentivo à produção e disseminação de softwares livres, softwares que podem ser usados, copiados, estudados, modificados e redistribuídos sem restrição. No entanto, a utilização deste tipo de software ainda é pequena e o governo é o maior consumidor, representando 66% de softwares “open source” (de código aberto) no Brasil.
O Banco do Brasil, por exemplo, optou há oito anos pelo uso do sistema operacional GNU/Linux em sua infraestrutura de Internet/Intranet e hoje possui o maior parque de soluções em software livre na América Latina.
Apesar das medidas, a penetração desse tipo de software no mercado, em 2010, foi de apenas 2,95%, um montante equivalente a US$ 560 milhões, segundo dados da ABES (Associação Brasileira de Software). “Os números mostram que a tentativa de se aplicar esse modelo no Brasil tem sido um grave e teimoso erro do governo”, defende Gérson Schmitt, presidente da ABES. O modelo atual coloca o governo como principal contratante, e em alguns casos o único a contratar este tipo de software.
“O software livre permite que evoluções sejam acompanhadas em tempo real pelo BB, resultando em uso do conhecimento obtido ao longo dos anos, além de minimizar os impactos frentes às mudanças e ciclos tecnológicos, trazendo menos dificuldades aos nossos executivos e administradores de TI na tomada de decisão”, afirma Dinis Agostinho dos Santos, analista de tecnologia do Banco do Brasil.
Para Schmitt, porém, o fato de ter o governo como seu maior contratante é um reflexo de um modelo que não cresce porque não prioriza o apoio do investimento privado. O governo demanda um volume massivo de serviços, mas geralmente não prioriza a inovação.
Isso gera enorme volume de mão-de-obra barata, mas causa enorme déficit em pessoal especializado, para atendimento de demandas mais inovadoras da iniciativa privada. “Estima-se um déficit de 200 mil profissionais até 2013”, calcula o presidente da ABES.
“Além disso, o governo não estimula a inovação no setor porque só contrata serviços. Com isso, trabalhando somente por encomenda, as empresas ficam em uma posição cômoda, que não leva ao crescimento”, diz.
Assim como todo o mercado de softwares do Brasil, a grande maioria das empresas de softwares open source, não focam seus negócios na criação de novas soluções, mas sim em serviços que são disseminados tanto no mercado interno quanto para exportação.
“O que vemos hoje é um modelo econômico que abriu mão de um modelo macro em função de um modelo de escala que não é sustentável. Temos um mercado interno em que a demanda de tecnologia é muito grande e não faz sentido o governo fomentar uma concorrência contra nós mesmos”, defende Schmitt.
Trajetória do software livre no Brasil
A expansão do software livre no Brasil começou a criar forças no Rio Grande do Sul, em 1999, com a fundação, por funcionários públicos do estado, do Projeto Software Livre do Rio Grande do Sul e Brasil e da Associação Software Livre (ASL.org), que desde 2000 promove todos os anos em Porto Alegre o Fórum Internacional de Software Livre (FISL),
Em 2003, a comunidade mundial voltou os olhos para o país, quando o novo governo publicou um decreto em prol da adoção do software livre em todos os seus órgãos. Redução de custos, autonomia em relação a fornecedores e favorecimento à inclusão digital foram as principais vantagens sustentadas pelo governo para assumir a forte posição a favor do movimento.
“Não podemos nos contentar em sermos eternos pagadores de royalties à proprietários de linguagens e padrões fechados. O software livre é o contrário disso. Permitirá a inclusão massiva das pessoas. Permitirá o desenvolvimento de pequenas empresas brasileiras e poderá gerar empregos para milhares e milhares de técnicos”, disse o então Ministro da Cultura, Gilberto Gil, no dia 19 de agosto de 2003.
Portal HSM
04/01/2011
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Comentários
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qui, 01/05/2012 - 16:08
A adoção de Software Livre é uma ilusão. Software Livre para uso básico até é viável, mas quando você entra na esfera administrativa, estratégica, de negócios.. o software livre deixa a desejar, e o que adianta ter acesso ao código fonte se vc não tem o preparo, os recursos e o conhecimento necessário para trabalhar com ele ? E outra, vc terceiriza soluções em T.I. muitas vezes exatamente para não engrossar sua folha de pgtos e se focar no seu negócio principal.
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