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Não existem mais consumidores e sim pessoas

O mundo corporativo foi invadido, por mais uma onda de bárbaros! Independente se sua empresa tem 1000 ou 2000 funcionários, ou qual seu tipo de negócio. Os tiranos digitais, a voz das ruas, da imprensa, dos colaboradores é que sua empresa deve estar nas redes sociais. Algum articulista – eu – dirá que rede social é a ciência da reputação, um local onde existem pequenos grupos! Grandes mudanças! Porém você é um gestor baseado em fatos e não argumentos, e portanto questionará. Vivemos um novo modismo? Um novo jeito de inovar? Vivemos o choque de empresas do século XX, com as empresas do século XXI?

Acredite! Sim, o carro determinou a face do século XX com a poluição, estradas e megalópoles e no século XXI, a Inovação, com as Redes Sociais e a Tecnologia como inventores de novos paradigmas, estilos de vida e novas formas de fazer negócios. Um mundo, no qual você contratará um especialista em redes sociais – seja lá, o que isso signifique - e ele te montará um plano para sua empresa inovar em rede, preencher os elos ausentes entre as comunidades da sua empresa, criar interconexões e interações, facilitar laços interpessoais, sincronizar comportamentos, comunicar informações, interconectar pessoas, influenciar o espectro completo da discussão sobre gestão de conhecimento e gestão da inovação. Resumindo, sua empresa trabalhará em rede, nas redes, sem barreiras.

Confesse, você não imaginava que era tão fácil, né? Neste mesmo dia, um jovem de sua empresa dirá a você que as Redes Sociais têm um enorme poder formador de opinião e o consumidor deixou de aguardar a informação. Ele mesmo produz conteúdo. Entregará a você uma pesquisa que constatou que mais de 52% dos consumidores nas Redes Sociais já interagiram com marcas nestes ambientes e 80% das pessoas confiam em recomendações dos amigos.

Dirá que nas redes sociais mais de 70 milhões de brasileiros tiveram acesso à web em março deste ano, estando conectados em média 23 horas por mês e 79% participam de Redes Sociais e a utilizam por mais de 6 horas e 20 minutos por mês. Então você resolve se inscrever em uma conferência sobre redes sociais e um nobre palestrante dirá que vivemos a web 3.0, a web das coisas, a web das pessoas e seus um trilhão de aparelhinhos conectados à rede mundial.

Acabou a privacidade da sua empresa? A única coisa que deve ficar escondida é o último capitulo de Lost! Tudo novo, porém sem espaço para erros. Um mundo no qual um diretor de uma grande empresa faz uma brincadeira – de mau gosto – sobre futebol, para seus 100 seguidores no Twitter e no dia seguinte é demitido.

Você comprará um livro sobre Redes Sociais e de forma leve e simples, o autor irá dizer que redes sociais são cosmopolita, universalista, desapaixonada, apartidária, não sectária, não monopolizadora. Rede Social é o valor da diversidade. Rede Social é a arte da descentralização. Rede Social é coordenação na humanidade digital. Redes Sociais são confiança, reciprocidade e intensidade da conexão! E concluirá com sutileza, nas Redes Sociais as pessoas são seminômades um local onde “O espírito pioneiro se renova”. Confesse, simples não? Confesse, neste momento você já deve estar pensando – como não pensei nisto antes!

E para colocar mais uma pimentinha, o promissor trainee dirá que a abundância nas redes é a gratuidade, liberdade e seu poder criativo. Pronto, você acaba de decidir que simplesmente todas as pessoas na sua empresa poderão navegar como, quando e por onde desejar e isso não afetará a produtividade delas, muito pelo contrário.

Mesmo quando você ler na The Economist que a Nestlé, Starbucks, BMW e Oracle estão todos tentando descobrir se a despesa de pessoal de duas a três horas no Facebook, Orkut, LinkedIn, Twitter, e demais redes diariamente, aumenta o envolvimento com o cliente ou apenas é perda de tempo.

E a salada digital irá aumentar, quando seu colega de MBA, enviar um estudo do The Future Laboratory que aponta as novas escolhas dos consumidores “Potencialismo como novo modo de vida. Pessoas não constroem mais sua existência em torno de uma só carreira. O caminho é detectar múltiplas aptidões – e explorá-las. Pense em um publicitário-gourmet-esportista, um banqueiro-piloto, em uma editora-marchande-iogue.”

Pessoas que colocam a satisfação pessoal em primeiro lugar, são green tech, cansaram de viver enlatados e das redes de segurança, são os filhos dos boomers, e desejam desenvolver plenamente potencialidades, criatividades, interesses e novas visões de mundo.

Então, você perceberá que aquele mundo da comunicação de Bombardear o consumidor, cobertura total, acertar o target, Blitz, saturação, impacto é uma linguagem da segunda Guerra Mundial! Que não existem mais consumidores, e sim pessoas desejando resgatar as raridades do mundo que as redes sociais disponibilizam, como tempo, espaço e autonomia.

Aquele conceito antigo dos P’s que você tanto estudou mudou para P de Planeta, Pessoas e de Profit (lucro). E acrescentará os 4 C’s de conteúdo, colaboração, comunidade e comércio. Evidente que tem as ilhas das controvérsias, com sua sociedade vigiada, individualista, na qual o consumo exponencial de Viagra, Botox, Red Bull e Ipads nos trouxe a sociedade imediatista.

Que no império da idiocracia 1.5 milhão de pessoas seguem no Twitter um técnico de futebol, e apenas 13.000 o #forasarney. Mas tudo bem, um dia as pessoas perceberão que podem ser web-cidadãos também. Um mundo onde nós humanos somos as mídias.

São tantas quebras de modelos, que como disse sabiamente o sociólogo José de Souza Martim, vivemos um mundo onde a grande maioria está “Sobrevivendo mais do que vivendo. Sonhando mais do que fazendo. Imitando mais do que criando”

E para melhorar sua salada digital, seu departamento de marketing dirá que a empresa deve monitorar e analisar o que foi dito sobre a empresa nas principais redes sociais, além de blogs, fóruns, chats e traçar um panorama sobre as discussões e elaborar estratégias para promover um relacionamento mais próximo com o público, para encontrar novas oportunidades de negócios. Confesse novamente, fácil, muito fácil, né!

Além disso, a partir de hoje a empresa calculará o ROA (Return over Attetion) Retorno sobre a atenção de seus clientes e fará análises elaboradas de seis graus de separação e três graus de influência dos clientes. Por que não? E agora o site da sua empresa, terá Conteúdo Fixo, Conteúdo Interativo, Conteúdo Colaborativo e Jornalismo Colaborativo. Porque afinal de contas precisamos engajar os clientes. E serão quatro tipos de conteúdo. Se for melhor em vídeo, será em vídeo. Se for melhor em áudio, será em áudio. Se for melhor em foto, será em foto. Se for melhor em texto, será em texto.

E para completar a sua equipe de Tecnologia da Informação, liderará uma corrida para a inovação com computação natural e anglicismo para todos os gostos como - Global Marketplacet Talent, User Generation Content, Web Based Collaboration, Easy to Use Tools, Common Plataforms, Internet Distribuition, Hacker Spaces, Peer Prodution e Cloud Computing são essenciais para sua empresa atuar e prosperar no século XXI. Pode confessar, nunca aquela temporada divertida em Nova Iorque te ajudou tanto a entender as palavrinhas acima, não é? 

E o seu departamento de Recursos Humanos abrirá vagas para Nettweavers, Estrategista de Mídias Sociais e Evangelistas de redes sociais. Mas no final, você perceberá que isso não é nada novo! Que o ser humano nasceu em rede, Os reinos perdidos de Incas, Maias, Astecas, Persas, Egípcios acreditavam em redes sociais nas cidades e que um dia a humanidade teria suas cidades esplêndidas e sua cidades das nações.

Dirá ainda que sua empresa pode seguir o exemplo de nobres homens como Darwin, Pestalozzi, Verdi, Pasteur, Bach, Joana D’Arc, Sócrates, Colombo, Verne, JK, Beethoven, Victor Hugo, Isaac Newton, Gandhi, Madre Tereza, Chico Xavier, Gorbachev, Franscisco de Assis - fazedores e criadores de redes sociais que mudaram a forma como enxergamos o mundo. Ou seja, parafraseando Karl Max “Humanos de todo o mundo. Uni-vos. Não temos mais nada a perder a não ser o já é nosso.”  A inovação não é toda história, mas é uma grande história. Onde não podemos usar velhos mapas, para descobrir novas terras.

Boa viagem.

Gil Giardelli (Especialista em mídias digitais, com 11 anos de experiência na era digital. Co-fundador da Gaia Creative, Justmail do Board da Amanaie e Startupi. Coordena os Cursos na ESPM de Ações Inovadoras em Comunicação Digital e Startups, economia criativa e empreendedorismo na era digital)

HSM Online
30/04/2010

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Comentários

Gil, excelente artigo, pois nos faz refletir, repensar, perceber que precisamos prestar a atenção no que está acontecendo em nossa volta para podermos atuar como protagonistas nessa revolução tecnologica, econômica e social.

Espetacular!!!Sem palavras....Parabéns pelo texto....
Gil, vc sempre me deixa boquiaberta..... Parabéns pela lucidez!
Toca no ponto, abre olhos, ouvidos .... coração! Parabéns!
Gil, parabens pelo artigo!
Explêndido!.... onde posso ler mais sobre todas essas divagações...Parabens..
Sensacional. O tipo de leitura que ao invés de 'perder' tempo lendo, você ganha <3
Para quem gostou deste texto, sugiro que assistam uma palestra do Gil. Vale a pena!
Gil, avassalador!!! Texto ironicamente correto e exatamente impreciso. Ou seja, as redes sociais vieram para ficar, mas o que fazer com elas é que é o "X" da questão.Agora é destrinchar como fazer parte, contibuir com, e receber valor de um "bem" que tem uma infinidade de "lixo eletrônico" circulando.Parabéns pelo texto. Ainda estou em transe!!!!
Gil, Parabéns pelo texto! Espetacular!
Gil querido. belíssimo artigo! A paixão por existir, fazer, permanecer e prosperar como MegaHumanos não pode , neste voracíssimo século, deixar-se engolir; ou se diluir entre desbotádos ideais e sonhos apáticos. Há que se acreditar novamente no Ser : o Indivíduo que, no placar denotativo das partidas da vida, esteja "quites" - olhos nos olhos, com os seus "iguais". Faceando calma e corporificadamente o outro indíviduo que está à sua frente. E lhe dando as mãos. E por fim sorrindo suavemente ao descobrir que estar em rede, nesta ramificada contemporaneidade, é flagrar-se mesmo dia após dia, tentando mais e mais entrelaçar os nós da SOLIDARIEDADE.
Gil, só tenho a elogiar seu texto e dizer que a ironia do "fácil, muito fácil, né!" é perfeita, pois sem dúvida são percepções sob coisas relativamente simples, mas o poder de sinergia para realizar tudo deve ser imenso.Foi uma leitura inspiradora, obrigado.Para que a inspiração propague, publicarei seu texto com os devidos créditos em meu blog, mercadologia100.blogspot.com
O fato é: ninguém falou que ia ser fáci, falou? Acho que o maior desafio das grandes corporações é de entender o espírito colaborativo da atualidade. Alguns se entusiasmam tanto, que querem a empresa e seus funcionários 100% 2.0. Outros, têm tanto medo, que vetam toda e qualquer manifestação. A pergunta que não quer calar é: qual a dose certa de mundo digital para a sua empresa? Fórmulas não existem e as possibilidades são imensas. Pare, olhe escute. Analise e vivencie o bravo novo mundo digital. As possibilidades são infinitas. Ótimo texto, ótimas referências. Um Beijo!
A-d-o-r-e-i o artigo !! Parabens pelo artigo. Estou indicando o texto no meu twitter rsrsrs@fcarloto ! Forte abraço
Parabéns pelo artigo Gil Giardelli! Excelente. A leitura dele me trouxe muitas reflexões sobre o momento em que vivemos e esse crescente interesse nas redes sociais viruais. Você conseguiu sintetizar um conteúdo gigantesco em um texto muito envolvente e inspirador. Novamente: Parabéns.Divulgarei seu excelente texto para todos que puder. Um grande abraço, @hellersp.
Gil,Parabéns pelo artigo. Simples, lúcido, direto.
Este artigo traz insights sobre o comportamento e os valores da Geração Y - seja ela de clientes ou funcionários.Mostra, também, o tamanho do desafio que as empresas têm para lidarem com essas PESSOAS - mais do que clientes.Em outras palavras, finalmente se reconhece o que o excesso de "cientificismo" aplicado às Ciências Sociais (no caso, Administração e Marketing) acabou por ocultar: mais do que "segmentos" e "nichos" com comportamentos previsíveis e que possam ser "atingidos" por fórmulas e algoritmos traduzidos pelo modelo clássico de "Composto de Marketing", as empresas lidam com pessoas, que desempenham diferentes papeis, em diferentes áreas, impliando diferentes comportamentos, necessidades e expectativas.As redes sociais, na verdade, sempre existiram. A internet, assim como fez com as informações (ainda nas versões 1.0 e 2.0), apenas fez sobressair esse fenômeno eminentemente humano, nem sempre racional, nem sempre previsível.
Já ouviram do Manifesto Cluetrain? É exatamente esta proposição: "Seres humanos, não setores demográficos."http://pack.to/bXOClE
Gil, é excelente ver que há pessoas que pensam como nós, te conhecer foi uma dádiva! Dizem que amigos são um presente que damos a nós mesmos! Você foi um presentão!Texto expetacular, as empresas têm de enxergar que vivemos uma mudança de Eras! E ninguém melhor que você para fazê-los enxergar isso! Mete bronca, quebra tudo e abra cabeças da mesma forma que fez comigo a muitas pessoas ainda!
Gil,Fantástico! Parabéns pelo texto. Somos carentes de reflexões como essas. Abraços.
Gil,As empresas necessitam disso, entender que as passagens de SECULOS, que antes levavam 100 anos, passam a ser feito, quase, dioturnamente o que requer mais comprometimento maior com as pessoas... Parabéms meu Amável Irmão, seu texto deve ser lido por todas as empresas, PROPRIETÁRIOS e COLABORADORES.
Este artigo mostra que ha uns anos atras as empresas tratavam seus consumidores como apenas consumidores, hoje ha uma visão diferente em relação ao seus consumidores.Toda empresa deveria ter esta visão.Isto mostra o desafio para as empresas ao lidarem com seus clientes, isto é o Marketing estratégico.Este artigo mostra o momento em que vivemos e esse crescente acesso a rede socias.
Eu já fui contemplado com uma palestra de Gil e realmente o cara é muito bom.Parabéns pelo texto!
Gil, uma grande escritora resumiu teu texto: "leva-se muito tempo para atingir a simplicidade" (Clarice Lispector, conheces? ;) ). Só o conhecimento profundo da comunicação e sensibilidade para com as pessoas traz resultados verdadeiros. E estas com certeza são características tuas. O resto é blablabá dos fetichistas de plantão das mídias sociais...

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