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Pão de Açúcar e Casas Bahia: mudanças no cenário brasileiro

A recém anunciada fusão operacional entre Pão de Açúcar e Casas Bahia encerra um período de grandes mudanças às empresas brasileiras, iniciado há pouco mais de um ano. Bancos, supermercados, frigoríficos, alimentos processados, papel e celulose foram alguns dos setores afetados, demonstrando a diversidade de nossa economia.

Itaú e Unibanco, Perdigão e Sadia, JBS-Friboi e Bertin, Votorantim e Aracruz dividem agora a mesma sala de reuniões. Seja por vontade própria, compelidos pela crise mundial que abateu o caixa de suas empresas ou simplesmente para evitar a entrada de concorrentes internacionais, as empresas brasileiras ganharam importância no cenário mundial.

A operação demonstra um claro processo de diversificação do grupo Pão de Açúcar, iniciado com a compra do Ponto Frio. Através desta estratégia, as empresas diminuem a concentração de suas operações em um único tipo de negócio, reduzindo assim o risco.  É o velho ditado que recomenda não colocar todos os ovos numa mesma cesta.

O novo grupo terá significativos ganhos de escala - comprando e vendendo em grandes volumes. Ser o líder ajuda na hora de negociar com fornecedores. O poder exercido sobre os fabricantes de linha branca e eletroeletrônicos certamente já preocupa os empresários destes setores. Imagine ficar de fora das lojas desta nova potência.

A concentração aumenta as barreiras de entrada, retardando a chegada de concorrentes. O varejo acena com incertezas - as conversas entre franceses e americanos podem mudar a liderança no setor. Neste cenário, a saída encontrada foi crescer através de negócios correlatos.  Processo semelhante fez a Pepsico, reduzindo a participação em refrigerantes.

As classes A e C estarão unidas sob o mesmo guarda-chuva. O modelo de negócio das Casas Bahia, especializado na emergente classe C e estudado por universidades americanas, convivendo com supermercados diferenciados, refinados e inovadores do grupo Pão de Açúcar, voltados para o público exigente das grandes cidades.

Os impactos aos consumidores são incertos, porém animadores. As fusões ocorridas no último ano tinham como objetivo as economias de escopo - compartilhamento de unidades fabris, canais de distribuição, frotas, agências e sistemas de gestão. Pouco ou nenhum benefício ao consumidor, uma vez que o foco estava na redução de custos operacionais.

Os desafios para unir culturas organizacionais tão distintas serão imensos, mesmo para empresários do porte de Diniz e Klein. Eis uma questão difícil que eles terão de enfrentar.

Criatividade, inovação e agressividade são marcas registradas destes grupos empresariais. Quem sabe num futuro próximo possamos comprar geladeiras com alimentos, máquinas de lavar com sabão em pó ou adegas com vinhos. Talvez juntar os ovos seja a base para a construção da vantagem competitiva deste novo grupo.

Por Marcos Morita (mestre em Administração de Empresas e professor da Universidade Mackenzie e especialista em estratégias empresariais. É colunista do site www.marcosmorita.com, palestrante e consultor de negócios. Seu e-mail é: professor@marcosmorita.com.br)

HSM Online
07/12/2009

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Comentários

Em todos os exemplos citados, ou se fazia uma parceria com o concorrente ou em um a questão de tempo, o parceiro que perdeu o controle iria entrar em concordata. O Brasil é o único país do mundo que se faz capitalismo sem risco. Pois , quando se está mal das perdas, pedesse dinheiro do governo e depois faz "fusão" com o dinheiro do trabalhador.
O Grupo Pão de Açucar já teve o ELETRO e se desfez do mesmo, passando a venda de eletrodomésticos para o Extra. Depois adquiriu o Ponto Frio, que hoje é uma das lojas mais caras do setor. Na minha opinião, o que falta ao Pão de Açucar é FOCO. Não adianta ficar atirando aqui e ali. É preciso ser especialista e dominar um setor (o de supermercados), e não ser mais um aventureiro em mercados distintos, cercados de gigantes já especializados no ramo.
Eu vejo que cada um dos exemplos teve motivações específicas. A "venda" das Casas Bahia resolveu dois problemas específicos:1) A abertura de capital da empresa que seria de difícil equação e que era impositiva para o crescimento da rede no Brasil: a capacidade de crescimento do líder do varejo de bens duráveis no Brasil estava limitada a sua capacidade de captação de recursos no mercado, que como LTDA aumentava seu rating de risco perante o mercado apenas por questões de processos de governanças. Para as Casas Bahia, efetuar um IPO neste momento seria muito custoso e arriscado.2) A sucessão dentro das Casas Bahia: se 1/3 do problema foi resolvido quando da saída do Saul (filho mais novo) por uma luva bilionária paga pelos outros membros da família há alguns meses atrás (que deve estar entre os passivos negociados agora) havia um outro terço, da filha do Sr. Samuel Klein que deveria ser equacionado tb. E a alienação da operação para a Globex/CBD pode ter resolvido isso.A questão de concentração do mercado de varejo do Brasil passa por duas análises de fatores externos: uma, de atuação de grandes internacionais aqui. Já há alguns anos, temos WalMart, Carrefour fortemente posicionados aqui. Também redem internacionais ‘newcommers’ tentaram entrar como as mexicanas Elektra (1400 lojas na AL) e Coppel assim com uma chilena que foge o nome. Agora com o mercado interno brasileiro sendo dos mais “sexys” do ponto de vista mundial, todas estas redes podem e devem focar atuação aqui dependendo de quanto a crise bateu neles lá fora. Nessa hora, o movimento do Pão de Açúcar é estratégicamente justificável (tb do ponto de vista do sócio francês, o Grupo Cassino) para marcar posição e não deixar brechas competitivas. As Casas Bahia como disse antes não teria fôlego financeiro para crescer mais.Por outro lado, o mercado interno consolidando-se e entrando em um estágio de maturidade, estas mesmas redes tendem a ir buscar clientes na América Latina no médio prazo. E nesse sentido uma rede de 500 lojas como as Casas Bahia ou 400 lojas como o Ponto Frio não teriam condições de.Os efeitos para o consumidor ou para os fabricantes deverão ser caso a caso. Dependerá muito de como será a estratégia de público que terá o novo grupo Bahia-Frio-ExtraEletro.No meu blog, http://www.ilimitat.blogspot.com já no dia da fusão indiquei o primeiro que vai sofrer: o setor moveleiro. As redes regionais devem sofrer aquelas que atuam mais no centro-sul: Magazine Luiza, Ricardo Eletro e Colombo.
Estrategicamente que sai ganhando com tudo isso é o Magazine Luiza!Os executivos da ML terão oportunidade única, pois seu maior competidor pelo segundo lugar de repente virou primeiro deixando um espaço impar para desenvolver talvez uma fatia de mercado único. Permanecer em primeiro lugar, mesmo com todas as vantagens listadas, demandará muito mais investimentos e trabalho.Pelo bem dos consumidores espero que os executivos do Magazine Luiza aproveitem o espaço criado por esta união.
Trata-se de uma fusão ou de uma compra? Há uma grande diferença na gestão conforme for o caso. Se as expertises das Casas Bahia e Ponto Frio forem mantidas, dentro do novo conglomerado, há grande chance do processo dar certo. A experiencia de gestão do Pão de Açucar pura e simples poderia comprometer o novo negócio. Haverá, com certeza, maiores movimentos neste segmento com possíveis aquisições de empresas nacionais por conglomerados internacionais ou, até, fusões de redes regionais em busca de maior participação de mercado.

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