A tentação de reinventar a roda é sempre muito grande. Quem não quer deixar sua marca na organização com novos produtos, processos ou estratégias? É evidente que as boas inovações geram lucros expressivos. Afinal, tendemos a pagar mais pelo novo, pelo inusitado e pelo exclusivo. Aliás, vale definir o que é inovação. Trata-se de um produto ou serviço cujo valor no mercado excede seu valor intrínseco. Isso quer dizer que o cliente aceita pagar um prêmio pela novidade. Portanto, a inovação valerá, se puder seduzir seu público-alvo. Nem só de inovações, entretanto, vive o mundo dos negócios. A continuidade, o volume e a escala ainda são fatores determinantes da competitividade. Eis aí a questão: inovar muito, inovar pouco ou não inovar? Neste meu primeiro artigo da coluna Magia da Gestão, do Portal HSM Online, inicio uma reflexão sobre o mundo dos negócios. Há quem valorize preferencialmente a prática, isto é, a ação transformadora, a operação e a obtenção de resultados. Normalmente, esta é a visão predominante das pessoas corajosas, capazes e empreendedoras. Excelente! Se todos os empresários brasileiros seguissem esse paradigma de conduta, aceleraríamos ainda mais rumo ao desenvolvimento. No entanto, essa energia realizadora frequentemente é desperdiçada pela falta de conhecimento da teoria, seja no start-up empreendedor, no estabelecimento de uma política de recursos humanos, na administração financeira, no sistema de vendas e distribuição, no marketing ou na comunicação com fornecedores e clientes. O conhecimento da teoria e de suas aplicações auxilia tremendamente as decisões do dia-a-dia. Reduz a taxa de erros, enquanto eleva a de acertos. Dessa maneira, encontramos uma chave para o problema. Inovar é necessário, sim, sempre. Mas a inovação inteligente depende de uma consulta aos casos de sucesso e aos saberes cientificamente organizados, isto é, à teoria. A inovação pode constituir-se, por vezes, no simples aprimoramento de algo já existente. Os produtos da revolução digital são exemplo inequívoco dessa tendência. Mágica ou magia? A ciência da administração não tem mais do que cem anos. Ainda que jovem, é abrangente o bastante para apontar os caminhos e práticas que garantem lucratividade e longevidade às empresas. Estudar suas ferramentas teóricas permite ao gestor prever problemas, detectar oportunidades, inovar, andar mais rápido e crescer. No mundo da gestão, não há mágica, mas há magia. Não é um ambiente de truques. Mas é encantador liderar pessoas, criar valor e aperfeiçoar a sociedade por meio da oferta de melhores produtos e serviços. Nas próximas semanas, nesta coluna, mostraremos que a administração dos negócios nunca será uma ciência exata. Ao contrário, hoje sabemos que gerir é uma tarefa contingencial: não há regras fixas, nem soluções únicas para cada problema. Assim, conhecer os erros e acertos do passado, de grandes e pequenas companhias, de empresários fracassados ou vitoriosos, é fundamental para quem precisa decidir com segurança. Como ensina Peter Senge, criador do conceito de Learning Organization, o processo permanente de aprendizado nas companhias exige atenção aos ventos da transformação, diálogo e pensar compartilhado, ou seja, a reflexão sobre a teoria demanda a iniciativa e o entusiasmo de gestores e também de seus grupos de trabalho. De modo cooperativo, as mentes podem converter a teoria em ferramenta sempre atualizada, moldável à solução de problemas ou ao aproveitamento de oportunidades. O compromisso de Magia da Gestão será mostrar que a teoria, na prática, funciona, desde que você a conheça e saiba utilizá-la como guia para a ação transformadora. Vamos experimentar? *Carlos Alberto Júlio é presidente da Tecnisa e membro dos conselhos da HSM e da Camil Alimentos; julio@carlosjulio.com.br.
Espaço do leitor: 29 Comentários
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Comentários:
Carlos Quintus disse:
Setembro 15 de 2009 às 16:17 hs.
Julio, não lembro quem disse que: " antes duma teoria existiu a prática", pelo menos na maioria dos casos foi assim. Portanto, não existe nada mais prático que uma teoria. Muitos "administradores" enchem o peito e dizem: "o que vale é a prática", isso deve ser uma desculpa pra se isentar de ter que estudar, penso. Aliar o conhecimento a prática é, no minimo, uma atitude inteligente.
Marcos Pacheco disse:
Julho 23 de 2009 às 08:24 hs.
Pela que o Presidente Lula não lê HSM e suas matérias .....
Paulo Beltrão disse:
Junho 25 de 2009 às 10:20 hs.
Caro Júlio, como vai?Agora que o Justus está indo pro SBT, proponho que você conduza "O Aprendiz" !!Seria perfeito!Abraços,
Ilma Melo disse:
Junho 13 de 2009 às 12:53 hs.
Sr. Júlio, estou pesquisando sobre A Coruja de Minverva: Reflexões sobre a teoria na prática, se trata de um capítulo do famoso Handbook de Estudos Organizacionais- escrito por Richard Marsden, que obviamente o Sr. deve conhecer, pois bem: seu artigo esclareceu alguns pontos que estavam meio confusos na minha interpretação, seu artigo me mostrou que não são os fatos que acontecerem que devemos usar como exemplo, mas sím o legado, a essência, a magia e isso a gente consegue através da teoria que transcende o tempo.
Amarildo disse:
Junho 3 de 2009 às 12:39 hs.
Abril 9 de 2009 às 11:42 hs.Júlio, parabéns pelo artigo, aborda um tema muito importante para o momento que vivemos. As pessoas são para as organizações muito importante, é preciso dar oportunidades para criar, para inovar e assim, competir e vencer, porém, sendo uma mágia, creio que precisamos de mágicos, que exerçam seus papeis de forma concreta.
Rogério Curtolo disse:
Junho 3 de 2009 às 11:29 hs.
Julio, ótimo artigo. Os pilares do conhecimento é saber saber , saber fazer e saber ser, para saber fazer precisamos de todos os saberes.Quanto a inovação , infelizmente milhões de empresas de todos os tamanhos , enxergam ela como gastos e prazo sem fim , mas quando olham para o mercado , é talvez a única salvação que empresa ou segmento pode ter antes de quebrar. Inovação precisa de tempo e dinheiro , as vezes pode ser um sucesso , como também um fracasso.Inovar é mudar hábitos , conceitos , visões e opiniões , mas nem sempre isso é num primeiro momento "vendável e lucrativo" , mas pelo menos a busca se iniciou e nunca mais vai parar.Inovação com planejamento , ação e execução e o melhor dos mundos para qualquer negócio.
Eduardo Freire disse:
Abril 28 de 2009 às 20:10 hs.
Excelente artigo! Sintetiza muito bem o meu ponto-de-vista perante os que pensam que ter atitude é sair fazendo de qualquer jeito, sem planejar, sem utilizar da teoria, o que gera retrabalhos, gastos adicionais e prejuízos. Se fosse assim, se a teoria fosse secundária, não precisaríamos estudar pelo menos 20 anos antes de entrar no mercado de trabalho. Uma teoria forte é e sempre será a base dos melhores profissionais.
Eraldo L. Egert - Consultor Independente disse:
Abril 15 de 2009 às 04:46 hs.
O que seria do navio, se o capitão nao tivesse conhecimento de navegação astronomica e eletronica, aliadas a pratica? A embarcação navegaria sem rumo, direto aos recifes. Anos de teoria, pratica incansável e valorização das novas ferramentas ao alcance de quem pode e sabe usa-las, podem sim, trazer beneficios à nova gestão com sucesso. Parabéns! Que o aprimoramento de nossas mentes, sejam no futuro, o bem estar desse País. Saudações fraternas.
FRANCISCO AZEVEDO disse:
Abril 9 de 2009 às 19:51 hs.
Júlio, a matéria é muito boa! A teoria bem aplicada traz resultados surpreendentes na prática. Nos previne de situações que sem a teoria só aprenderíamos na prática, ou seja, em muitos casos, prejuízos desnecessários.
José Carlos Victorino de Souza disse:
Abril 9 de 2009 às 11:42 hs.
Júlio, parabéns pelo artigo, aborda um tema muito importante para o momento que vivemos. As pessoas são para as organizações muito importante, é preciso dar oportunidades para criar, para inovar e assim, competir e vencer, porém, sendo uma mágia, creio que precisamos de mágicos, que exerçam seus papeis de forma concreta.
Luiz Otávio Machado disse:
Abril 8 de 2009 às 16:01 hs.
É um prazer fazer contato com você Carlo Alberto. Parabéns pelo artigo! Fui franqueado da Futurekids na Região dos Lagos (RJ) e vejo que você uma vez mais vem se destacando em sua trajetória de liderança, agora na Tecnisa. Um grande abraço!
Luciana Baptista disse:
Abril 7 de 2009 às 12:46 hs.
Prezado Júlio, a abordagem do artigo veio em boa hora, já que vivemos no mundo de criações constantes. Foi válido lembrar que, a leitura da teoria deve ser pautada numa visão atual. Embora muitas teorias tenham sido escritas há tempos, não devemos ignorá-las. Afinal, foram frutos de anos de estudos. É uma pena que algumas organizações não consigam compreender este casamento teoria prática, pois muitas obtêm o sucesso com esta receita, mas outras preferem simplesmente considerá-la como utopia. O convite ao final do artigo só reforça "nunca é tarde para recomeçar". Abraço, Luciana Baptista (luciana_bap@yahoo.com.br)
Charles Jacinto disse:
Abril 6 de 2009 às 18:11 hs.
Excelente artigo. Parabéns Júlio!
Charles Jacinto disse:
Abril 6 de 2009 às 18:10 hs.
Muito bem aplicado! Gestão de pessoas é uma magia, que ocorre no exercício de liderar. Parabéns pelo artigo!!!
Charles Jacinto disse:
Abril 6 de 2009 às 18:10 hs.
Muito bem aplicado! Gestão de pessoas é uma magia, que ocorre no exercício de liderar. Parabéns pelo artigo!!!
José Luiz Messias disse:
Abril 6 de 2009 às 16:53 hs.
Caro Júlio.Vou acompnhar seus artigos no site e encaminhá-los aos meus pares e superiores na empresa.Trabalho com aplicação de teoria em grupos de trabalho e constantemente criticam o método e a sua lentidão em gerar resultados.Grato pela aula,Messias
Carlos Júlio disse:
Abril 6 de 2009 às 10:50 hs.
Pessoal,Adorei os comentários. Todos, sem exceção.Na medida do possível irei comentar cada um deles.Obrigado,Carlos Júlio
André Costa Consultor Autônomo disse:
Abril 6 de 2009 às 10:14 hs.
O fato de empreender sem teoria, e algo muito relevante nas estatísticas de mortalidade das empresas, onde vários "empresários" empreendem por necessidade sem conhecer o mercado em que está atuando e sem conhecer as devidas ferramentas de gestão empresarial. Quero parabenizá-lo por esta coluna, pois tenho certeza que teorias desenvolvidas, escritas e já testadas por diversas empresas servem como parâmetro e aplicabilidade para o sucesso de outras organizações. Já presenciei e ouvi respectivamente muitas frases do gênero "na pratica é outra coisa", frase essa que despreza vários anos de pesquisa e desenvolvimento por métodos mais eficazes, testados, utilizados e comprovado através de resultados obtidos em diversas empresas. Atenciosamente,André Costa
Luiz Eduardo Mutzberg disse:
Abril 3 de 2009 às 21:06 hs.
Prezado Júlio, meus parabéns pelo artigo, minha empresa atua como prestadora de serviços em capacitação de recursos humanos e implementação de sistemas de gestão, e o método que adotei a 15 anos atrás quando fundei a empresa foi a de associar a aplicação prática aos conceitos apresentados durante nossas atividades, pois quando somos contratados para implementar um sistema de gestão, comprovamos na prática o conteúdo do teu artigo, pois através da teoria, aprimoramos a compreenção dos gestores, e através da prática, comprovamos os conceitos a eficiência e eficácia dos mesmos.
Ivonete Rodrigues Naval disse:
Abril 3 de 2009 às 06:06 hs.
Com certeza Julio, a teoria funciona na prática, mas me permita comentar que a teoria funciona quando se é bem interpretada. Tenho percebido que muitos querem que a teoria funcione, mas na prática dão um jeitinho pra que ela não funcione. Por que será? Eu já vivenciei esta situação e é triste quando percebe-se que é verdade.
Maurice Cazes disse:
Abril 2 de 2009 às 15:55 hs.
Conhecer as teorias e conceitos da boa gestão é realmente importantíssimo. Porém é condição necessária mas não suficiente. Muitas vezes as empresas até sabem o que deveriam fazer do ponto de vista técnico-conceitual mas não dão a devida atenção a Gestão da Mudança que inclui variáveis fundamentais como Cultura Organizacional, Patrocínio, Política e Poder , etc. etc. Um processo de mudança, inovação ou melhoria contínua para ser bem sucedido deve considerar esses dois aspectos: o técnico-conceitual e o comportamental. Aí sim, a magia acontece...
Raul de Oliveira Cunha disse:
Abril 2 de 2009 às 13:21 hs.
Caros, boa tarde!Inovação não é necessariamente a melhoria de algo existente. Por que deveríamos dar mais funcionalidade para um produto, por exemplo, que já não atende as necessidades de nossos clientes? Podemos criar novos produtos, novos conceitos. No final de semana fui conhecer uma lanchonete com minha namorada que antigamente vivia às moscas. O antigo dono vendeu para um grupo de jovens que hoje tem fila na porta do estabelecimento. Uma abordagem inovadora que como o novo proprietário disse para nós: "com certificado riso 9001". Sucesso para todos e um grande abraço,
Alexandre P. Silva disse:
Abril 1 de 2009 às 17:33 hs.
Gostei da frase "O conhecimento da teoria e de suas aplicações auxilia tremendamente as decisões do dia-a-dia. Reduz a taxa de erros, enquanto eleva a de acertos.". No momento crítico em que as organizações estão passando, o erro de hoje será ou poderá ser o acerto do amanhã. Espero no futuro próximo, lideres que compartilham com esta visão, com os seus sucessores. Sou um leitor dos artigos do HSM e acredito fielmente que sem conhecimento, não há futuro em nossa sociedade. Belo artigo Sr. Carlos Alberto
Ana Claudia Ferreira disse:
Abril 1 de 2009 às 16:02 hs.
Muito boa abordagem com relação à importância do aprendizado das teorias. Sem dúvida, o equívoco de que a prática e a atitude são o que interessa e tudo o mais é "conversa", tornou-se a tônica do nosso tempo. Espero que as novas gerações compreendam o quanto é importante agregar o conhecimento à ação. O Sr. Júlio deixa aqui sua colaboração para este futuro... como gestores, educadores, formadores de opinião, pais e mães, vamos também arregaçar as mangas e fazer a nossa parte. Vamos trabalhar para um futuro melhor, onde o conhecimento seja a chave da ação em todos os âmbitos da humanidade.
Mateus Garcia disse:
Abril 1 de 2009 às 15:22 hs.
Temos que pensar também que nem sempre a inovação é igual a melhoria, mas, às vezes, inovação pode significar "piorar" algum produto para que ele se adeque com mais perfeição ao consumidor.Gosto de teoria, leio muito e sei que isto tem ajudado muito o meu trabalho.Ótimo texto! Um abraço!
Márcio Neukamp - Universitário de ADM disse:
Abril 1 de 2009 às 09:21 hs.
Em algum momento no passado o dia de hoje foi pensado como futuro. Pensamento reverso: se hoje é o futuro, então o que fizemos no passado para que chegassemos até aqui. Vimos isto em Teorias da Administração. É básico. Portanto, onde estavam os gestores, que não utilizaram os conhecimentos aprendidos para prever, explicar, controlar e modificar a "roda"? Qual a "mágica" apresentada, que ninguém achou graça? Se esqueceram da "magia" de encantar o mundo. Temos que reciclar nossos conceitos! Sr. Júlio, parabéns pela matéria.
Gilberto Vieira disse:
Abril 1 de 2009 às 07:41 hs.
Sem dúvida um texto bastante reflexivo. E pensar que algumas empresas ignoram totalmente a teoria por achar que a prática - que chamam de atitude - é o que interessa.
Emílio Neto disse:
Abril 1 de 2009 às 02:39 hs.
Mandou bem Garoto é isso ai...O Peter se remecheu no caixão e lhe aplaudiu."a roda já esta ai, o executivo eficas faz ela se mover em direção do sucesso"
Marcia Kitz - BPW SP disse:
Março 31 de 2009 às 22:37 hs.
Julio,Parabéns! Seu artigo é ótimo.um abraçoMarcia Kitz BPW SP