Recursos Humanos
Home sweet office

Empresas identificam novas oportunidades de estruturas. O trabalho em casa começa a crescer como alternativa.

Você quer ser um teletrabalhador? Talvez não, o nome não soa muito bem. Mas pode autodenominar-se um telecommuter. Se esse termo em inglês ainda não lhe agrada, talvez a terceira opção seja a ideal: home officer. Ou até chief home officer.

Quando raiava o sol da nova economia, em meados da década de 1990, o norte-americano Daniel Pink, autor de livros como Free Agent Nation, O Cérebro do Futuro e o recente The Adventures of Johnny Bunko, em forma de mangá, proclamava que todo mundo (pelo menos, todo norte-americano) trabalharia em casa e seria feliz. Não apenas seria um home officer, mas também um free agent, ou free-lancer, sem vínculo empregatício algum. Contudo, no estouro da bolha das ponto.com, o telecommuter por conta própria passou a ser visto como um desempregado que fazia bicos ou, na melhor das hipóteses, um terceirizado explorado. E o telecommuter contratado pela empresa simplesmente desapareceu; voltou para dentro da empresa com temor de perder o emprego.

Agora, em plena crise econômica global e nas vésperas do que, supõe-se, será o estouro da bolha industrial, o home officer parece voltar ao centro das atenções de quem traça tendências. Pelo menos, foi o que detectou o radar de tendências da prestigiosa revista Wired, em texto assinado por Brendan Koerner.

Referindo-se principalmente ao home officer que trabalha em casa como empregado de uma empresa, não ao autônomo, Koerner afirmou que as preocupações com a mudança climática e o consequente desafio mundial 80/20 – de reduzir 80% das emissões de gás carbônico em 20 anos – podem ser um importante alavancador do telecommuting. Afinal, trabalhar em casa é uma maneira simples e barata de poluir menos, porque, além de tirar da rua o carro de cada home officer, resolve a potencialização da poluição pelo trânsito paralisante.

O articulista da Wired propôs, assim, que as empresas acabem de uma vez por todas com seus escritórios, da forma como existem hoje. Em nome do planeta. E arrolou os seguintes itens como argumentos para convencer empresários e executivos da tese:

Custo de transporte. É a deixa dos números para as empresas expandirem seus programas de telecommuting. Koerner criticou o fato de “apenas” 40% das empresas norte-americanas terem um programa do gênero e lembrou que isso se deve à mentalidade arcaica do comando e controle, que não
condiz com o trabalhador do conhecimento existente hoje. Segundo ele, os gestores se perguntariam algo como “e se os funcionários ficarem jogando Campo Minado no computador e comendo salgadinhos?”.

Motivação. Pesquisadores da Pennsylvania State University analisaram 46 estudos sobre telecommuting conduzidos por duas décadas com 13 mil funcionários e concluíram que o trabalho em casa tem efeitos favoráveis sobre o trabalhador em autonomia percebida, conflito trabalho-família, satisfação com o trabalho, desempenho, intenção de manter-se no emprego e estresse. O único impacto desfavorável demonstrável foi a piora no relacionamento com os colegas de escritório, geralmente por inveja destes.

Globalização do fenômeno. Koerner apontou uma base geográfica para a tendência, para não parecer que se restringe a norte-americanos, observando que até a região Ásia-Pacífico começa a embarcar nessa onda. Em 2008, 81% dos gestores (numa pesquisa encomendada lá pela Avaya) apostaram que trabalho em casa aumenta produtividade, ante 61% em 2005. Esse salto é atribuído a novas tecnologias como o sistema de videoconferência LifeSize Express e serviços baseados na web como o Glance, que permite que pessoas distantes entre si compartilhem o desktop.

Possível esgotamento do modelo de escritório tradicional. Esse formato de escritório seria um buraco negro de interrupções, adiamentos e politicagem que faz mal para a alma de cada profissional. Segundo uma pesquisa da UC Irvine, as interrupções e trocas de tarefas no ambiente convencional acontecem cada 3 minutos.

Se a nova tendência se firmar, ela representará um desafio particular para as empresas do Brasil. Aqui o home office nunca decolou. Ou porque as pessoas se sentem mais vulneráveis com ele –por exemplo, a IBM permite que os funcionários trabalhem em casa, mas pesquisas da empresa revelaram que os funcionários têm medo de ausentar-se do escritório e perder visibilidade.

Ou pelo espírito gregário típico dos brasileiros. Naturalmente, o conceito de home office é dirigido a trabalhadores do conhecimento, não a operários de chão de fábrica ou balconistas de loja. Mas no cenário cada vez mais comum das indústrias 100% automatizadas, entregues aos robôs, e do varejo primordialmente online, quase todo trabalhador será um trabalhador do conhecimento.

A chave é a disciplina

Em todo home office existe um caos potencial para o home officer. Filhos, cachorro, empregada e campainha podem interromper o trabalho facilmente e desconcentrar quem o executa. Pode-se dizer até que filhos, cachorro, empregada e campainha são “custos fixos” –e indisciplináveis.

Porém, há o outro lado da moeda. O filho poder chamar o pai, ou a mãe, para cantar a música que aprendeu na escola pode ser visto como um fringe benefit, não como custo. E, assim, passa a ser um fator motivador em vez de atrapalhar o progresso do trabalho. Além disso, concentração é, sobretudo, treino –e você tende a aumentar sua capacidade de se concentrar trabalhando em casa. Os dois passos fundamentais de um home officer são separar fisicamente o ambiente de trabalho e estabelecer uma rotina. E ele também precisa aceitar os eventuais desvios que se façam em relação a ela, porque desvios aconteceriam dentro de uma empresa igualmente. É importante ainda que cada teletrabalhador encontre uma maneira própria de se comunicar com o mundo exterior –pode ser pelo programa MSN, por um blog, em telefonemas, ou com reuniões marcadas em frequência no mínimo semanal–, a fim de combater uma possível sensação de isolamento.

Vale fazer duas observações importantes:

1. Profissionais em início de carreira não são os melhores candidatos a um home office, por estarem na fase do aprendizado inicial, mais intensivo.

2. Profissionais experientes não podem abandonar suas práticas de reciclagem contínua ao passarem
a trabalhar em casa –isso acontece com frequência, infelizmente. Devem aproveitar a internet e os cursos e seminários avulsos para promover seu aprendizado informal.

 

Por Adriana Salles Gomes (editora-executiva de HSM Management)
Fonte: HSM Management Update nº 63 - Janeiro 2009

Espaço do leitor: 16 Comentários
Comentários:
Adriana disse:
Maio 27 de 2009 às 12:30 hs.
Uma pena que as organizações relutem tanto em implementar essa modalidade de trabalho, que , além de melhorar a qualidade de vida, aperfeiçoa e muito o trabalho. Tenho uma colega que trabalha nesse sistema (não sei se o termo é esse) e adora. Ela presta serviços para empresas, pena que na época não me interessei muito pelo tema em questão, achei formidável na teoria, mas tinha minhas idéias pré-concebidas de dar certo na prática. Agora tenho o maior interesse pelo assunto, pena que é tão pouco difundido. Peço que quem tiver alguma informação de empresas que contratem esse tipo de funcionário entrem em contato comigo, pois tenho um grande interesse. Sou formada em Pedagogia e estou fazendo especialização em Gestão e Desenvolvimento de Pessoas, portanto, um campo bastante amplo para se trabalhar. Deixo meu contato: tel.: (71) 9124-7373. e_mail: didica_cairu@hotmail.com. Desde já, agradeço.
Ana Manssour - SOBRATT disse:
Abril 7 de 2009 às 12:57 hs.
A SOBRATT – Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades vem buscando acompanhar e promover o teletrabalho no Brasil há quase 10 anos. Ao longo de todo esse tempo, o que temos observado é uma resistência cultural muito grande, tanto por parte de empresas e gestores, quanto, muitas vezes, também de trabalhadores. As empresas, em sua maioria, ainda são muito apegadas ao controle e supervisão presencial do funcionário – o que sabemos que não é garantia alguma de que ele esteja trabalhando ou produzindo tanto quanto a empresa gostaria. O trabalhador teme ser preterido em avaliações e promoções caso não seja visto diariamente – o que também se sabe que não dá garantias, especialmente se não se destacar pela qualidade do trabalho realizado, bem como receia perder o contato social e networking com colegas e clientes.Por estranho que possa parecer, embora estejamos em pleno século 21, numa época conhecida como a Era do Conhecimento e da Informação, as práticas sociais e laborais vigentes ainda são essencialmente as mesmas relativas ao final do século 19 e século 20, da Era Industrial. Há um esforço, que cada vez mais se mostra ineficaz, de fazer com que os trabalhadores criativos, intelectuais e administrativos trabalhem da mesma forma que os operários de linha de produção industrial, com horários e locais de trabalho prédeterminados e coincidentes. Isso, somado ao crescimento demográfico e número de pessoas em busca de oportunidades de trabalho, principalmente nas grandes metrópoles, causa os congestionamentos, trânsito caótico e alta emissão de gases de efeito estufa de origem veicular na atmosfera que já não podem mais ser solucionados com medidas paliativas (como rodízios de veículos, pedágios urbanos, aumento dos coletivos, faixas exclusivas para ônibus, por exemplo) promovidas pelos gestores dos serviços públicos de planejamento e transporte urbanos.O trabalho a distância é uma alternativa inteligente, que traz benefícios para todos (empresas, empregados, sociedade, governos e meio-ambiente) e que, além da jurisprudência trabalhista existente, já está sendo reconhecida pelos legisladores brasileiros, na media em que existem dois projetos de lei em tramitação, um na Câmara dos Deputados e outro no Senado Federal, com a finalidade de regulamentá-lo.Resta, ainda, a necessidade de conscientização de todos dos benefícios dessa prática laboral e de adaptação e inovação no que se refere às formas de avaliação de pessoas e de resultados operacionais das empresas. Existem estudos internacionais que comprovam um aumento de produtividade entre 30 e 60% dos trabalhadores que passam a ser teletrabalhadores, bem como de uma grande economia e redução de custos fixos para as empresas, melhoria da qualidade de vida dos funcionários entre outros fatores positivos. É claro que é preciso um investimento inicial, não só financeiro quanto de mobilização de esforços, como em praticamente todas as mudanças que promovemos em nossas vidas. Mas, considerando os benefícios, por que não enfrentar o desafio?Toda crise traz oportunidades de inovação e aprendizado. Em tempos de crise global, vencerão aqueles que se arriscarem a enfrentar e vencer seus temores, que inovarem em práticas de gestão e relacionamento, e souberem promover economia sem perder talentos humanos, os quais são os recursos mais valiosos de toda organização e que garantem a capacidade de sucesso e superação organizacional.Ana Manssourpresidente@sobratt.org.br
Marcelo Campos Rodrigues disse:
Abril 6 de 2009 às 09:39 hs.
Esta prática de trabalho em casa tem mais chance de êxito nas companhias que já têm modelos maduros de gestão por resultados com métricas claras e pré-acordadas. Infelizmente são poucas as empresas brasileiras que podemos enquadrar neste segmento. A maioria ainda têm critérios pouco objetivos de avaliação por resultado, aumentando a importância do relacionar-se no "corpo a corpo" para criarem a reputação de bons profissionais, muito mais pela capacidade de gerar empatia com o chefe do que a entrega de resultado concreto. Vejo uma longa jornada para esta forma de trabalho ser representativa no Brasil, mesmo nos grandes centros urbanos.
Dôra Araújo disse:
Abril 4 de 2009 às 22:55 hs.
Desde que ouvi falar a respeito do assunto em pauta, há anos atrás, fiquei eufórica. Espero de fato que o caminho seja este. Penso que não podemos nos furtar ao novo que desponta apenas por conta das supostas intempéries, e por outro lado, se dentro dos escritórios, com uma pressão constante (o que gera stress), as soluções pairam sobre os problemas que se nos surgem transformando os nossos medos em esperanças, por que seria diferente num ambiente (criado por nós mesmos) em que supostamente a paz impera? Eu, por exemplo, trabalho com criação e as pessoas têm um fascínio pelo que está sendo criado o que os faz ficar atrás da cadeira espiando, perguntando, opinando (antes da hora), e isto gera um incômodo muito grande, o que acaba por intimidar o processo criativo. Isto sem falar do burburinho dos ambientes, o ar condicionado exagerado, a luz branca, etc, etc, etc.
Vitor Flisch Cavalanti disse:
Abril 4 de 2009 às 21:12 hs.
Eu acredito realmente que o Home Officer é o futuro do formato de trabalho, já que havendo disciplina os benefícios são notáveis. A empresa não precisa manter uma estrutura física, que acarreta nos custos fixos elevados ganha-se muito na qualidade de vida e motivação dos funcionários. No meu caso por exemplo, que perco em média de 3 a 4 horas por dia no trânsito, pare para pensar, é muito tempo, meu dia só tem 20 horas. Eu trabalho como funcionário em uma instituição financeira, e faço alguns freelances em casa e acredito que funciona. Abraços.
Leandro Takeda disse:
Abril 4 de 2009 às 08:05 hs.
Eu acredito que o famoso "voce é quem voce conhece" ainda existe nas empresas assim como fasem os nossos politicios em Brasilia. Fazendo home office eu acredito que este contato se perde um pouco, entao vai mesmo do profissional utilizar outras maneiras para nao deixar isso desaparecer.
Ana Peres disse:
Abril 3 de 2009 às 13:45 hs.
Paulo Laccia -: Trabalho em casa. Serviços de internet, desde 2005. O networking não é perdido. Basta você elaborar estratégias para estar presente. Já estou na minha segunda pós e lhe digo é um excelente meio para ampliar relacionamentos. As duas horas e meia que perdia no trânsito, agora consigo fazer cursos. Creio que quem não faz networking "home office", dificilmente o fará no "office". Espero ter contribuído.
Simone Telles disse:
Abril 3 de 2009 às 11:54 hs.
Gostaria de saber um pouco mais a respeito das principais profissões que permitem ou possibilitam o Home Office.
Mirian Zacareli disse:
Abril 3 de 2009 às 10:11 hs.
Se eu estivesse comentando este tema há 2 anos, o resultado seria oposto ao que vou relatar agora, ja que eu trabalhava 14 horas por dia no escritorio . Hoje trabalho em novo estilo de home office e concordo plenamente com as observações da autora em termos de que é imprescindível a disciplina, reciclagem ,os equipamentos e tecnologias disponiveis no mercado que sejam os facilitadores da comunicação. No meu caso, como consultora e executive coach, faço todo o trabalho burocrático, e-mails, telefonemas, conferencias internacionais e nacionais por telefone, MSN,Skype e agendo as visitas a clientes evitando horarios e dias de grande tráfego, melhorando minha produtividade. Confesso que apesar do dia continuar com 24 horas, esta mudança de estilo de trabalho me proporcionou oportunidade de melhor programação de prioridades e revisao de valores de vida , já que agora tenho maior tempo de convivencia familiar e praticas de exercicios fisicos, que me tornaram uma pessoa com melhor qualidade de vida.
Izaias Faleiro disse:
Abril 3 de 2009 às 09:37 hs.
Ao iniciar minha atividade profissional na modalidade "homeoffice" à um ano e meio atrás, segui algumas regras básicas, mas muito importantes como por exemplo: criar um ambiente separado (concentração e privacidade) e com infraestrutura própria telefone fixo e móvel, rádio, fax, internet banda larga, etc..), além de ter uma rotina bem definida com horários de início, almoço e término, casando com os horários da matriz da empresa que fica em Curitiba. As reuniões periódicas com aos colegas na matriz são muito importantes também. Realmente além da contribuição para o planeta a qualidade de vida deixando de gastar de 2 a 3 horas por dia no trânsito é um fator de satisfação pessoal, que reflete num melhor rendimento no trabalho.
Dami Izolan disse:
Abril 3 de 2009 às 09:36 hs.
A opinião do Paulo a respeito do isolamento social é válida. Os gestores devem, sim, levar em conta este aspecto antes de decidir se fará e, principalmente, como fará a migração dos seus funcionários do escritório para casa. A empresa que opta pela migração deve dar mais liberdade a seus funcionários, desde permitir um aumento no horário de almoço até deixá-los à vontade para ficarem em shoppings onde existe conexão à internet via rede wireless.
Angela Fagundes disse:
Abril 3 de 2009 às 07:05 hs.
Eu acho que esta é uma tendência da qual não conseguiremos fugir. Há outros visionários como o Silvio Meira que apontam como será a estrutura das sociedades futuramente. Não há como fugir da tencologia e do quanto ela impacta(rá) a nossa rotina. Silvio Meira também aponta que não demorará muito para as pessoas trabalharem em casa. Enfim, acredito que se faz necessário estar preparado.
Ivonete Rodrigues Naval disse:
Abril 3 de 2009 às 05:56 hs.
Interessante para as empresas que optarem por esta forma de trabalho, além de reduzir seus custos em transportes(vale transportes e veículo empresa), ainda terá melhores resultados. O funcionário deve manter sua presença nas reuniões de decisões e cursos internos, ou outras situações adversas. É o que eu acredito.
Paulo Iaccia disse:
Abril 2 de 2009 às 22:22 hs.
O isolamento, a solidão, vamos pensar a respeito? Isolamento - deixamos de saber o que acontece la fora (noticiários via TV ou Internet não são suficentes), deixamos a emoção, deixamos o convívio com outras pessoas. A solidão - gera stress, peerda de valores pessoais e humano. Será que tudo isso vale a pena?
Alaor Oliveira disse:
Abril 2 de 2009 às 19:56 hs.
Minha pergunta é para a editora, essa prática no Brasil como é percebida na esfera jurídica trabalhista?Estou desenvolvendo um projeto para que essa prática sja adota na organização em que trabalho, mas acabamos por esbarrar no aspecto legal trabalhista.O tema para mim é muito importante, e caso seja possível trocar mais informações, deixo meu e-mail para contato: alaormarcelo@uol.com.br
Alexandre Moreno disse:
Abril 2 de 2009 às 16:48 hs.
Há muito tempo trabalho em casa e concordo plenamente com o artigo acima. Numa cidade como SPaulo onde o caos esta instituido o home office é provavelmente a melhor solução para o trânsito, para a melhoria do bem-estar entre as pessoas, para o meio ambiente e até para os governantes que poderiam dedicar seus esforços para a educação e saúde. Pena que ainda é pouco incentivado pelas organizações, quem sabe se houvesse incentivo do governo as empresas nao adotariam esse modelo como prática? Cabe a reflexão.
<< 1 de 4 >>
Envie seu comentário
  Nome Código  
  Comentários  
HSM não tem responsabilidade alguma sobre comentários de terceiros, os mesmos são de responsabilidade exclusiva de quem os escreveu. HSM reserva o direito de eliminar os comentários ofensivos, discriminantes ou contrários às leis vigentes.
Untitled Document
Patrocinado por:
 
HSM - Inspiring Ideas
Bookmark and Share

Inspira-te Marketing