Marketing
Twitter: consuma com moderação

Confira texto publicado originalmente no Blog da HSM, que trata sobre o uso de redes sociais.

Nas últimas duas semanas, eu tive uma certa dificuldade para manter o meu ritmo de postagem nos blogs que participo. Isso estava me incomodando bastante porque blogar e compartilhar conhecimento é um prazer para mim. Mas eu encontrei a causa dessa minha angústia e gostaria de compartilha-la com vocês para uma reflexão.

No meu mestrado, eu tenho que fazer semanalmente resumos de artigos e identificar questões que não foram abordadas no texto. Essa semana, o artigo foi sobre a necessidade de evitar armadilhas da competência através da busca do equilibrio entre dois conceitos denominados “Exploitation” e “Exploration”.

O artigo apresenta o conceito de “Exploitation” de conhecimento como o processo de desenvolvimento de competências já existentes dentro da organização, enquanto que o conceito de “Exploration” é apresentado como o processo de busca de novas competências. O processo de “Exploitation” gera conhecimentos incrementais, com retornos moderados, mas certos e imediatos. “Exploration”, em contrapartida, é um processo altamente incerto e imprevisível, refletindo a capacidade de uma empresa para adquirir novos conhecimentos e não apenas aprender como utilizar o conhecimento atual de forma mais eficiente.               

Esses dois conceitos são relativos a disciplina de aprendizagem organizacional que serve para utilizar conhecimentos existentes e incorporar novos conhecimentos a base de conhecimentos das organizações, através da qual as competências das organizações sejam melhoradas e novas sejam desenvolvidos. No entanto, a aprendizagem pode ser uma faca de dois gumes quando há um desequilibrio entre os dois conceitos acima apresentados, ou seja, “Exploitation” ou “Exploration” em excesso geram as chamadas armadilhas de competênicas.

No caso de “Exploitation” em excesso, desenvolvimento de competências já existentes significa que as organizações tornam-se melhor em fazer coisas que elas fazem repetidamente e com sucesso, mas pode torná-las menos competentes nas atividades  que fazem raramente e sem sucesso. Por outro lado, essa característica de auto-reforço de uma organização de aprendizagem torna-a propenso a sustentar seu foco atual e a criação de armadilhas onde determinados comportamentos são reproduzidos, tornando engessada a empresa e criando obstáculos para o desenvolvimento da inovação.

Quando o assunto é “Exploration” em excesso, presente em empresas reconhecidas pela capacidade de gerar, adquirir e integrar tanto fontes externas como fontes internas de conhecimento, a exposição a novos conhecimentos é benéfica até certo ponto, mas em excesso pode se tornar uma nova fonte de confusão e sobrecarga de informação e, consequentemente, um desempenho organizacional sofrível.

O artigo aborda esses conceitos em nível de organização, mas podemos aplicar no nível individual. Foi o que aconteceu comigo. Eu cai na armadilha de “Exploration” em excesso. A minha angústia era porque, ao utilizar o Twitter diariamente, eu estava adquirindo novos conhecimentos em excesso e não estava dedicando um tempo para assimila-los devidamente. O resultado é que  eu comecei a deixar de pensar de forma criativa os meus posts.

Há alguns dias, eu estava para escrever um post sobre esses conceitos de “Exploitation” e “Exploration”, mas não achava uma linha de raciocinio que fosse possível tornar o texto menos acadêmico e mais voltado ao nosso cotidiano. Hoje, ao conversar com o professor Eugenio Mussak, antes de uma palestra que ele realizaria na diretoria de tecnologia do BB, comentamos sobre o excesso de informação e foi aí que eu tive o insight de identificar a causa da minha angústia e, ao mesmo tempo, encontrar uma forma de apresentar esses conceitos de armadilha de competências e de “Exploitation” e “Exploration” de forma clara.

Esse post não é uma crítica ao Twitter, muito pelo contrário, muito pelo contrário, até porque eu continuo acessando e recomendo sua utilização, mas, assim como qualquer ferramenta de colaboração, é a utilização dela que faz a diferença. O que precisamos é que, assim como nas empresas, nós busquemos esse equilíbrio entre desenvolver as nossas competências atuais e adquirir novas competências.

Concluindo, Twitter e outras redes sociais são excelentes para adquirir novos conhecimentos, mas consuma com moderação e, principalmente, com equilíbrio.

 

 

Por Marcelo Bastos

Este texto foi publicado, originalmente, no Blog da HSM. Para ler este e outros post, clique aqui: http://hsm.updateordie.com/.

HSM Online
30/04/2009

Espaço do leitor: 6 Comentários
Comentários:
edilson disse:
Novembro 26 de 2009 às 08:53 hs.
muito legal a matera
Marcelo disse:
Maio 12 de 2009 às 20:35 hs.
Sheila,desculpe! Você está certa. Trata-se do Banco do Brasil
Sheila Maurer disse:
Maio 12 de 2009 às 16:05 hs.
Marcelo,O leitor pode não saber o que é BB. Seria Banco do Brasil?
Cláudio disse:
Maio 11 de 2009 às 18:15 hs.
Muito boas as observações! Há um tempo li um pequeno artigo com a Sra. Doris Drucker, esposa do nosso falecido guru Peter Drucker, onde esta falava exatamente sobre o excesso de informação, de nossa perda de foco e os riscos consequentes envolvidos. Parabéns. Aproveito para convidar-lhe ao meu twitter www.twitter.com/claudiokfreitas e também meu blog mercadologia100.blogspot.comAbraço Cláudio.
Antônio Neto disse:
Maio 8 de 2009 às 14:25 hs.
Perfeito. O texto nos ensina (ou ratifica o que já devemos saber). E vou além, não é uma questão organizacional ou individual apenas, é um ensinamento para a vida. E termino meu texto da mesma forma que Marcelo o fez, usando a palavra mágica. Equilíbrio.
Bruno Lage disse:
Maio 8 de 2009 às 13:48 hs.
Concordo em gênero, número e grau. Você conseguiu de fato trazer esses dois conceitos para o nosso cotidiano virtual. Uma enxurrada de informações, sobre vários temas, igualmente interessantes e, ao mesmo tempo, uma falta de disponibilidade nossa para procurar assimilá-los. É isso que acontece hoje.Pulamos algumas etapas na captura de informações porque vivemos numa lógica social onde o que ainda vai ser dito já virou antigo e, assim, como uma bola de neve, nunca saciaremos nossa fome por informação. O problema é que não há apreensão neste processo, pois as etapas são puladas.Ao achar que o twitter, por ser um microblogging, não gera muito conteúdo como os blogs, e é mais fácil para ler e acompanhar, estamos tendo uma visão distorcida sobre a potencialidade da ferramenta. O micro-blogging na verdade deveria ser chamado de super-blogging, porque suas manchetes "curtas" potencializam as notícias e as informações divulgadas em apenas 140 caracteres que nos levam aos "longas". São msgs rápidas e curtas que tentam nos seduzir para entrarmos num link de um blog com mais um trilhão de caracteres.Não entender essa lógica é o mesmo que você negar o benefício real da ferramenta. Para mim, as etapas envolvidas neste processo são: as fontes de informação disponíveis (usuários), a segmentação dessas fontes (following), a seleção das informações (favorites) e, por fim, a apreensão. Alguns aplicativos ajudam a organizar essa avalanche de informações que o twitter despeja. Um deles é o TweetDeck, que permite você agrupar as tags.Obrigado pelo post! Vou tentar fazer o "Exploration", buscando trazer pra dentro de mim essas competências que estão aí disponíveis.
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