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Muitos adotam essa postura por conta de uma leitura pouco atenta das notícias veiculadas pelos jornais. Não filtram a informação e tendem a embarcar no navio do pessimismo.
Se persistente, esse tipo de comportamento coloca em risco o futuro da própria organização, iniciando uma dramática espiral descendente. Mas como isso ocorre?
Por conta do medo, de uma mudança nas expectativas, a empresa se torna mais lenta, interrompe projetos e se desfaz de parte do contingente de colaboradores. Perde inteligência.
Do ponto de vista contábil, essas estratégias costumam funcionar a curto prazo. Reduz-se o prejuízo no pico da crise.
A médio e longo prazo, entretanto, essas medidas podem retirar a força da empresa para vencer a própria crise. Isso ocorre especialmente quando a queda rápida no ritmo dos negócios é seguida de uma recuperação consistente, mesmo que gradual, da atividade econômica.
Nesses casos, quando novos projetos são retomados, os talentos formados pela companhia já servem a outros players do mercado. Em algumas situações, a interrupção preventiva de determinadas operações acaba por comprometer o fluxo de caixa da companhia, impedindo-a de investir em novas oportunidades.
Na crise de 1.929, como em outras menos graves, a prudência frequentemente foi substituída pelo pavor insano, levando organizações saudáveis ao fracasso. Vale dizer que nessas situações os embaraços são criados, sobretudo, por interpretação equivocada de informações e pela síndrome da desconfiança.
Imagine que determinada equipe esportiva tem ótima perfomance em determinado campeonato. É líder incontestável. Aí, por conta de uma liminar na Justiça, o certame é interrompido. Passam as semanas e os craques começam a acreditar nas notícias de que a disputa realmente se acabou. Cedem à preguiça, param de treinar com afinco, deixam escapar a energia acumulada na boa série de vitórias.
De repente, os magistrados determinam que a competição seja reiniciada. Os líderes, porém, estão agora enferrujados. E não sabem que os principais oponentes aproveitaram o recesso para treinar mais e eliminar suas vulnerabilidades. Pronto. Recomeça o campeonato e, ao cabo de umas poucas rodadas, o líder afunda na tabela.
Não se trata de historinha. Em 1.979, o poderoso Palmeiras, dirigido por Telê Santana, parece ter experimentado o fel desse revés. Depois de uma paralisação no Campeonato Paulista, numa situação análoga, acabou perdendo o título para o arquirrival, o Corinthians.
O mesmo raciocínio vale para as empresas neste momento. Existe sempre um concorrente que, quietinho, acumula forças para um sprint após o período de tempestade.
Em momentos de hesitação, os bons líderes corporativos aproveitam para reavaliar o mercado, revisar estratégias, inovar em produtos e serviços e, principalmente, aperfeiçoar suas práticas de gestão. Esses administradores cortam somente o que é absolutamente necessário e encaram, sem desespero, a queda passageira nas receitas.
Os brasileiros, adaptáveis e inovadores, podem beneficiar-se da crise para sair à frente da concorrência. Se a corrida está paralisada, é hora de trocar os pneus, reabastecer e passar instruções ao piloto.
Empresas como a Coca-Cola, a TIM, a Sal Cisne, a Matte Leão e a PWR Mission (bombas e válvulas) parecem seguir a boa cartilha de conduta operacional e psicológica em períodos de crise. Todas elas anunciam investimentos e realizam as adequações necessárias para a batalha concorrencial pós-crise.
Afinal de contas, a teoria na prática funciona e vale repetir o bordão: a crise tem outra face, que é a da oportunidade. Mas essa oportunidade será de quem: sua ou de seu concorrente?
Por Carlos Alberto Júlio (presidente da Tecnisa e membro dos conselhos da HSM e da Camil Alimentos. E-mail: julio@carlosjulio.com.br)
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HSM Online
14/05/2009
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