Liderança e Alta Performance 2009 | Jeffrey Pfeffer
A lacuna entre o saber e o fazer


Aos líderes, Jeffrey Pfeffer deixa um alerta: “O que importa é o que você faz e as perguntas que faz”. Para ele, as empresas devem reduzir a lacuna entre o que sabem e o que fazem.

Leia mais: Pessoas comuns, resultados superiores

Na segunda parte de sua apresentação, Jeffrey Pfeffer salientou que “saber sem fazer não nos traz benefício algum” e que é preciso, ao longo do tempo, medir a lacuna que existe entre o que a empresa sabe e o que ela, de fato, faz.

A receita é simples: elabore uma lista de ações e peça que as pessoas da organização digam em que grau tais práticas estão ligadas ao desempenho. Depois, peça que digam em que grau acham que elas estão sendo realizadas. A variação entre essas duas medidas indicará a lacuna entre o saber e o agir em conformidade ao sucesso. O passo seguinte é investigar os porquês do descompasso.

Uma de suas causas comuns é o falar muito e agir pouco. Ele dá o tom: “Pare de fazer apresentações sobre o atendimento ao cliente. Vá lá e atenda o cliente. Vá até onde o trabalho é executado”.

Ele aconselha que sejam promovidas aos altos cargos somente pessoas que realmente conheçam o trabalho da empresa. Outra dica do especialista é buscar agir com a simplicidade, pois ninguém quer copiar o simples.

O descompasso também surge, quando a memória substitui o pensar, isto é, quando padrões, valores e crenças são aceitos perenemente. “Faça um brainstorming para saber o que os impede de ser líderes e derrube as vacas sagradas do passado”, orienta Pfeffer. “É preciso construir organizações em que as pessoas questionem e façam coisas novas. Clientes e processos antigos podem não fazer mais sentido.”

O medo é outro grande vetor da distância entre o saber e o fazer. As pessoas têm medo de perder o emprego, por exemplo, o que leva aos comportamentos nocivos à competitividade. Uma das maneiras de eliminar o medo é incentivar a comunicação transparente e deixar claro que as pessoas terão novas chances, se errarem. “Celebre os erros e aprenda com eles”.

Há empresas em que o líder fomenta a competição entre os funcionários. No entanto, a competição interna também amplia a lacuna entre o saber e o fazer, pois destrói a cooperação entre as pessoas, constituindo, assim, uma barreira à inovação. “Contrate pessoas que saibam trabalhar em equipe”, recomenda Pfeffer.

Meça o que importa

As métricas, quando mal utilizadas, podem prejudicar o desempenho. Deve-se evitar que elas sejam excessivas ou incompletas, como acontece quando se medem os custos, mas não os benefícios associados a eles. “A Singapore Airlines foca os benefícios aos clientes. Ela oferece mais a eles, pois sabe que vão pagar por isso. Assim, vem sendo lucrativa nos últimos 30 anos”, exemplifica o palestrante, que critica o foco exagerado no desempenho financeiro de curto prazo.

Para Pfeffer, muitos tendem a colocar ênfase exagerada nos resultados finais, mas é preciso medir os resultados intermediários. Ele faz mais um alerta: “Evite usar métricas e sistemas de remuneração que enfatizem o sucesso individual à custa do coletivo”.

Ao finalizar sua apresentação, o professor ressalta: “O que importa é o que você faz e as perguntas que faz. Se você sempre faz perguntas sobre custos, as pessoas se concentrarão em custos. Se faz perguntas sobre os clientes, as pessoas focarão os clientes. Não espere resultados diferentes fazendo sempre o mesmo”.

 

 

HSM Online
02/06/2009

 

Leia mais:
Jeffrey Pfeffer | Pessoas comuns, resultados superiores

Confira a cobertura completa do Fórum Mundial de Liderança e Alta Performance.

Espaço do leitor: 5 Comentários
Comentários:
Nei Grando disse:
Junho 10 de 2009 às 15:39 hs.
Concordo completamente com este artigo de Jeffrey Pfeffer,pois quando falamos sobre Competência, estamos falando sobre combinações sinergéticas de Conhecimentos (saber), Habilidades (saber fazer), Atitudes (querer fazer) e Comportamento/Ação (fazer), agregando valor e gerando resultados.
Marcelo Spada disse:
Junho 9 de 2009 às 09:21 hs.
Sinto nesse texto algumas idéias defendidas há muito tempo por Drucker.
Joao Bohner disse:
Junho 4 de 2009 às 17:53 hs.
O provérbio se aplica:"Entre el dicho y el hecho, hay un trecho..."
marley disse:
Junho 3 de 2009 às 12:48 hs.
Como é importante sermos exemplos e não meramentes ploriferadores do certo...
NILTON disse:
Junho 3 de 2009 às 09:08 hs.
O assunto é muito complexo e requer muito cuidado tendo em vista o aparecimento das tecnologias da informação, e-commerce (internet), globalização, etc., o mundo corporativo sofreu muitas mudanças nos últimos anos, e hoje, essas mudanças são muito mais aceleradas que antes do aparecimento das benesses do adminirável mundo novo. A informação viaja na velocidade da luz. Os erros cometidos pelas empresas aparecem, também, com mais rapidez devido a rede global que se formou. Acho que as empresas precisam INOVAR sempre. A única premissa constante no mundo corporativo continua sendo a mudança. A empresa ou inova ou estará fadada ao fracasso. Ter muitas informações acerca do que está acontecendo no ambiente interno e externo é imprescindível. Informação, esse ativo precioso para sobrevivência na acirrada guerra corporativa.
<< 1 de 1 >>
Envie seu comentário
  Nome Código  
  Comentários  
HSM não tem responsabilidade alguma sobre comentários de terceiros, os mesmos são de responsabilidade exclusiva de quem os escreveu. HSM reserva o direito de eliminar os comentários ofensivos, discriminantes ou contrários às leis vigentes.
Untitled Document
Patrocinado por:
 
HSM - Inspiring Ideas
Bookmark and Share

ExpoManagement 2009
Clique no icone e veja a galeria completa
 
  Newsletter RSS
Digital
Economia
Gestão
Marketing
Recursos Humanos
Sustentabilidade
News Inspiring Ideas  
HSM Podcasting
 
Untitled Document
Relógio Analógico Masculino Cronógrafo TI27591 Timex Caneta Tinteiro Lamy Safari Preta M17 iPod Touch 8GB - Preto – Apple