Liderança e Alta Performance 2009 | Peter Senge
Alegria é o motor da performance


O professor do MIT, Peter Senge, apresentou na primeira parte de sua palestra um estudo realizado durante 10 anos por uma equipe da Hewlett-Packard sobre performance no trabalho.

Leia mais: Alta performance sustentável

E o resultado pode até parecer surpreendente para muitos, mas o pesquisador explicou que as conclusões apenas corroboram os ensinamentos do estatístico e consultor W. Edward Deming, que defendia o bem-estar social como principal fator para uma empresa de sucesso. 

Segundo Senge, o professor Deming dizia que o principal requerimento para se alcançar qualquer meta, incluindo a qualidade, é alegria no trabalho. “Existe um mito que nos EUA se vive uma boa vida. Todo mundo quer ir para os EUA, ter três ou quatro automóveis e comprar cada vez mais. Isso é mito. Mas ninguém fala sobre o nível de satisfação. Mas a verdade é que trocamos o bem-estar social pelo bem-estar material”, resumiu.

E o relatório da HP apontou como o ingrediente principal na questão da performance: a alegria. “Para entender a performance, siga a Alegria”, o título do estudo, remete aos conceitos aprendidos ao longo de uma década.  E o pesquisadores descobriram que grandes performances sustentáveis têm um padrão, um feeling e são sociais em sua natureza.

Todos os exemplos de um alto desempenho sustentável só acontecem quando você cria um nível mais alto de bem-estar social. “As pessoas sempre dizem que trabalham por dinheiro, mas é correto? O Dr. Deming dizia que essa é a primeira razão pela qual uma organização não tem alto desempenho, pois acreditam que as pessoas não têm alegria no trabalho. Todas as pessoas querem alegria no trabalho, querem ser reconhecidas e ter orgulho do que fazem”, resumiu Senge.

O alto desempenho gerado por medo é de curtíssimo prazo. E todo alto desempenho sustentável é gerado por bem-estar social. O pesquisador do MIT citou também um estudo realizado nos anos 1980 sobre empresas que sobrevivem muito tempo. As estatísticas mostram que, em toda a história, as indústrias sobrevivem em média de 30 a 40 anos mesmo tendo cenário favorável: dinheiro, talentos e produtos vencedores. No entanto, um pequeno grupo de companhias existe há muito tempo, algumas com mais de dois séculos de história.

Para Peter Senge, são empresas sabem continuamente aprender e se moldar a um mundo em rápida mutação. O professor chamou essa característica de aprendizado organizacional. Segundo o especialista, a razão de a maioria das organizações não sobreviverem se deve ao sistema de administração falho, que não soube usar o espírito coletivo e inteligência das pessoas.
“Todas as pessoas nascem com a alegria de aprender, com curiosidade, uma natureza afetuosa. A destruição, segundo Deming, começa na escola quando temos prêmios e troféus para melhor desempenho. É um sistema de recompensas para que está em cima e pressão para os que estão em baixo”, explicou Senge.

As companhias de vida longa, por outro lado, vêem a si mesmas como uma comunidade humana viva, ao invés de uma maquina de produzir lucro. O pesquisador do MIT completou ainda que um sistema de administração que não consegue gerar bem-estar social consequentemente falha em sustentar altos níveis de performance.

 

 

HSM Online
02/06/2009

 

Leia mais:
Peter Senge | Alta performance sustentável

Confira a cobertura completa do Fórum Mundial de Liderança e Alta Performance.

Espaço do leitor: 2 Comentários
Comentários:
Eliana disse:
Junho 5 de 2009 às 17:30 hs.
Peter Senge nos brinda com alerta muito importante: "O que nos traz realmente a alegria? E, sem ela, jamais teremos uma alta performance sustentável!" E num momento no qual muitos economistas, em conjunto com a ONU, estão propondo a troca do PIB pelo FIB (Felicidade Interna Bruta) para medir o desempenho real de um país (tema que reuniu mais de mil pessoas no SESC no final do ano passado, quando esse conceito veio ser apresentado ao Brasil). E isso nos remete àquela questão básica que nos acompanha durante toda a vida: "o que viemos fazer nesse mundo e qual será nossa contribuição/legado"?
Augusto Duenas, Consultor da Qualidade disse:
Junho 3 de 2009 às 12:42 hs.
Brilhante comentário do Dr Senge, citando ao grande Deming, naquele relatório da HP.Em grande parte vem a confirmar vários aspectos percebidos na teoria e na prática da Gestão, sobre tudo na gestão de pessoas, da Qualidade e da Sustentabilidade.Ao parecer essa crise financeira mundial, que repercute no social e no questionamento de uma série de premissas, está fazendo "acordar" a grandes "gurús" para ideias já defendidas há décadas, mas propositalmente ignoradas por tendências econômicas e administrativas supostamente "modernas".
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