Liderança e Alta Performance 2009 | Bill George
Liderança do século 21


Bill George, declarou, durante sua apresentação, que o mundo necessita de novas lideranças. Leia essa e outras afirmações na cobertura da continuação da palestra.

Leia mais: Liderança autêntica

Bill George afirma que o mundo necessita de novas lideranças. Para o especialista, a geração que vai comandar as empresas nas próximas décadas deve fugir do modelo de controle e comando forjada ao longo do século 20.

“Agora temos um século global, diferente. No passado, tivemos duas guerras mundiais, a Grande Depressão e outros acontecimentos. O que funcionava naquela época era um modelo militar de liderança”, afirmou. Na opinião do especialista, um gestor precisa se cercar de pessoas que saibam mais do que ele. Deve sabe delegar, alinhar, servir e criar colaboração, além de ter paixão pelo próprio trabalho.

Alinhar as pessoas em torno da missão e dos valores é uma das funções mais importantes do líder. Numa empresa global, isso é desafio, pois os valores têm de estar em todas as partes e as pessoas devem se comprometer com eles. Os verdadeiros líderes devem saber que liderança tem a ver com servir, ou seja, manter o cliente satisfeito e criar espírito de colaboração.

Delegar e dar poder (empower) são papéis do líder do século 21. George explicou que exercer poder sobre as pessoas não funciona, se a meta é conseguir alto desempenho. “As empresas precisam de milhares de líderes espalhados pela organização”, resumiu. Às vezes, porém, há líderes que não têm ninguém que se reporte a eles.

Ele citou o caso de uma funcionária da Medtronics, que fabricava mil válvulas para coração por ano –o dobro da média–  com qualidade superior à média. Ao perguntar para a trabalhadora o que a motivava, ouviu: “Penso nas vidas que posso salvar, mas também penso que esta válvula teria de servir para meu pai, meu marido ou meu filho, e não posso aceitar falhas, pois sei que podem significar a morte e não conseguiria conviver com isso”. George foi taxativo: “Ela é uma verdadeira líder. E não tem nenhum subordinado”.

O palestrante terminou sua apresentação falando sobre as sete lições que aprendeu sobre crises nos últimos anos:

1) Enfrente a realidade. Há muitos lideres que se recusam a isso e culpam os outros. A primeira coisa é olhar o espelho: é você quem está fracassando.

2) Não tente carregar o mundo nas costas. Procure auxílio na sua equipe e mostre sua vulnerabilidade. As pessoas não vão recusar ajudá-lo.

3) Busque a raiz dos problemas. Se cortarmos a erva daninha superficial, ela cresce de novo. Devemos tratar a causa e não apenas o sintoma.

4) Prepare-se para o longo prazo. É como uma tempestade no mar: você pode achar que vai passar logo, mas algumas podem durar muito tempo.

5) Nunca desperdiçe uma boa crise. Não pense na crise como a GM fez. Use-a para transformar sua organização, para torná-la competitiva no futuro.

6) Não jogue na defensiva, parta para o ataque. Foi o que fez a Apple. Quando Steve Jobs voltou à companhia, o grupo estava em crise. Mas Jobs partiu para o ataque: lançou o iMac, mudou o ramo da música com o iPod e o iTunes, e, agora, está transformando o mundo da telefonia com o iPhone. Por isso, enquanto seus concorrentes se escondem, crie condições e invista para ter melhor desempenho mais adiante.

7) Faça agora o que puder para mudar a vida das pessoas ao redor. Imagine se, no final de sua vida, sua neta perguntar o que você fez para mudar o mundo. A hora de pensar sobre esse legado é agora e não no leito de morte. Não existe nada mais satisfatório do que poder dizer: “eu fiz diferença no mundo”.

 

 

HSM Online
03/06/2009

 

Leia mais:
Bill George | Liderança autêntica

Confira a cobertura completa do Fórum Mundial de Liderança e Alta Performance.

Espaço do leitor: 4 Comentários
Comentários:
Sirley Pereira de Almeida disse:
Junho 9 de 2009 às 13:38 hs.
No final, a prinicipal "mensagem" nos leva ao resgate do essencial - ou da essência - do/de SER.
Danilo Queiroz Nunes disse:
Junho 8 de 2009 às 10:27 hs.
Realmente estamos atravessando um momento de imensas oportiundades. Será um momento de correção, de rever processos e mudanças, precisaremos acompanhar a dinâmina que se mostra, a cada dia nos inclinando mais e mais às PESSOAS. Não poderemos progredir muito, mesmo com os melhores sistemas, se não pudermos contar com as melhores pessoas e principalmente com PESSOAS MELHORES. Parabens e obrigado pela linda aula.
Souza disse:
Junho 5 de 2009 às 08:28 hs.
Concordo com a Laura em relação ao seu comentário sobre a questão das identidades, mas acho que, se as pessoas procurassem estar mais atentas ao que se passa dentro delas (seus conflitos, desejos, medos, verdades e valores), elas conseguiriam lidar melhor com toda essa pressão que complica a aplicação de conceitos da liderança do século XXI, pois encontrariam um jeito mais autêntico de estar na empresa e no mundo, mais coerente com a própria identidade, mais criativos e mais felizes com as próprias escolhas, portanto. Ao olhar para dentro, olhamos melhor para o outro também e isso faz a diferença para o mundo. George e outros palestrantes falam cada vez mais sobre o autoconhecimento. Isso é bom, mas parece que ainda não entrou na moda.
Luara SB disse:
Junho 5 de 2009 às 06:18 hs.
Impressionante como George descreve as necessidades da liderança neste século. Mas, questiono sobre as culturas organizacionais e o famoso "jeitinho" que os brasileiros têm de resolver problemas. Muitos gestores ainda acreditam no comando e controle. Se é o medo de se perder o emprego para o colega de trabalho ou a alta competitividade dentro das próprias equipes, ainda temos que verificar. Então, paro e reflito sobre as N's organizações que simplesmente tentam "sobreviver" no mercado e esquecem-se de investir em qualidade. Seja ela nas pessoas, nos processos administrativos, na gestão etc. O foco no resultado financeiro e a agressividade de alguns setores são marcantes. Aplicar conceitos universais sobre liderança, principalmente aquelas que compreendemos pela justiça, apego a causas, autodesenvolvimento etc. é complicado! O que vejo é que poucas pessoas apelam para as mudanças, pois são vítimas do medo do desemprego e da pressão dos próprios grupos organizacionais. Então, assumem identidades diferentes daquelas que acreditam, tornando-se pouco criativas e infelizes.
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