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Com experiência internacional e nacional em auditoria, consultoria e recursos humanos, Alexander Damasceno concede entrevista ao portal HSM Online e fala sobre o mercado. Leia!
Com 23 anos de experiências em áreas como Auditoria, Consultoria e Recursos Humanos, passando por empresas nacionais e multinacionais, Alexander Damasceno, Diretor Geral do B.I. International, escola de educação executiva em São Paulo, concede entrevista especial ao portal HSM Online.
Damasceno já participou de diversos programas de educação continuada no Brasil, além de programas de formação em Berkeley, Babson, Ohio University e Shanghai Jiao Tong University, além da criação e viabilização de vários programas de MBA"s e Pós-Graduação que atualmente lideram o mercado de educação executiva no Brasil.
A seguir, confira as opiniões e as experiências vividas por Alexander Damasceno.
Quais são os pontos fundamentais para a preparação de um profissional?
A preparação de um profissional deve valorizar e potencializar o conhecimento já existente a partir de uma análise do perfil, o que passa, necessariamente, pelo autoconhecimento. Também deve-se identificar os pontos de possível defasagem em relação aos seus pares. Não se pode, no entando, apartar o emocional da técnica, ou seja, a preparação deve buscar compreender o ser humano, e não o profissional. Um aspecto importante é acompanhar os processos de modernização e de crescimento do mercado, o que requer um constante investimento por parte de empresas, organizações e, principalmente, dos próprios profissionais.
Quais são as fontes de informações confiáveis e desconfiáveis?
Acredito ser importante buscar fontes diversas sobre o mesmo tema e observar criteriosamente o conteúdo. O meio e a mensagem indicam aspectos importantes de confiabilidade. Toda informação que não esteja em consonância com o processo de transformação social que estamos vivendo em busca da sustentabilidade, deve ser cautelosamente observada. Isto quer dizer que aquelas fontes que vão contra a promoção da dignidade humana, do respeito à diversidade, da responsabilidade sócio ambiental e de uma cultura de paz, devem receber a nossa desconfiança. A “era da informação”, em larga medida, provoca um caos midiático e uma excessiva quantidade de dados e informações, onde muito lixo e más intenções navegam junto com informações e dados relevantes para as pessoas. Temos que saber lidar também com o sentimento quase angustioso da necessidade de ler e aprender sobre tudo, coisa que não daremos conta. Isso nos leva a uma grande frustração, pois é impossível.
O que o mercado espera dos novos profissionais?
Seres humanos profundos, com sólidos conhecimentos técnicos e sentimento de humanidade aguçado, com habilidades desenvolvidas tais como espírito de liderança e serviço, motivação, comprometimento. Profissionais com um perfil inovador e empreendedor, capazes de atuar em ambientes cada vez maios desafiadores e exigentes e que terá que ser, necessariamente, mais inclusivo e mais responsável.
Quais são as suas recomendações para que as empresas possam aplicar a educação corporativa e, consequentemente, contribuir no desenvolvimento dos profissionais?
Creio que a participação dos funcionários no processo de elaboração dos programas de Educação Corporativa é um aspecto fundamental para o sucesso. Isto porque a Escola e a empresa poderão aprofundar as necessidades da organização e das pessoas que dela participam, potencializando a relação de troca e aprendizagem. Um cuidado importante está, exatamente, em não contratar ou montar “pacotes” de treinamento onde os profissionais não estarão motivados a participar, pois não enxergam ali o lócus para seu desenvolvimento e da sua organização.
E no setor de pequenas e médias empresas, onde os recursos são limitados,como investir nos talentos?
Bons profissionais não ficam esperando que as empresas promovam o seu desenvolvimento. Eles são gestores de sua carreira e o farão independentemente das empresas. Assim, uma política de reembolso ou patrocínio a estes funcionários, mesmo parciais, os fará sentirem-se valorizados em seus esforços. Isso antes que o concorrente de sua empresa o faça... Uma boa orientação aos profissionais sobre quais cursos e escolas escolher, também é muito importante. Outra boa prática é o coaching, onde profissionais e líderes mais experientes atuam para o ajudar os seus colegas ou subordinados a trilharem o seu próprio caminho de autodesenvolvimento, auxiliando-o a aprender, a descobrir as áreas de maior potencial de desenvolvimento, a desenvolver a sua inteligência emocional, a fazer opções, a definir os seus próprios objetivos, a analisar os seus próprios erros, bem como as suas causas e as formas de os corrigir. O coach coloca-se ao serviço do seu subordinado - não o controla.
Um dos pontos polêmicos nas empresas é a seleção de funcionários para bolsas de estudos, principalmente em cursos de pós-graduação e MBA. Como fazer essa seleção para incentivar e não desmotivar?
A existência de uma política clara de bolsas, privilegiando aqueles que realmente merecem (atingimento de metas, plano de carreira, comprometimento, etc.) em cursos que são de interesse da empresa e que o profissional sinta que é importante para seu crescimento, tende a reduzir a baixos índices a desmotivação. Por outro lado, a obrigatoriedade pura e simples, em participar de um programa de treinamento ou fazer cursos, sem que o profissional entenda os reais benefícios e resultados que poderão ser colhidos, é um bom motivo para que a desmotivação aumente, com a consequente ausência de resultados concretos para a empresa. Devem estar claros quais são os objetivos a serem atingidos, o prazo e o que se espera do profissional ao final do curso.
Atualmente, existe uma grande parcela de novos gestores no mercado de trabalho. Por que os profissionais ganham maiores responsabilidades cada vez mais cedo?
O mercado tem apresentado profissionais que estão sendo preparados e se preparando cada dia mais cedo, com seus MBAs, cursos e até faculdades com foco na formação de profissionais gestores, independente de sua área de formação. A Geração Y, atualmente entre 21 e 29 anos, possui características bem distintas da Geração X e dos Baby Boomers, anteriores à deles. Entre elas, temos a forte dedicação e o grande otimismo face ao estranho. Isso os leva a estarem sempre dispostos a assumir desafios. Porem, é uma geração que necessita de boa supervisão e minimização de conflitos. Não obstante, experiência só vem com a vivência...
A confiança é um ponto fundamental nas relações. E os gestores para delegar atividades precisam confiar em sua equipe. O que o profissional deve demonstrar ao gestor para que ganhe sua confiança?
A confiança é base de qualquer relacionamento, seja ele profissional ou pessoal. E problemas de relacionamento com o superior podem representar uma barreira ao desenvolvimento profissional. Para que o profissional seja visto como “confiável”, não basta cumprir bem as tarefas. Tem que cumprir, dentro do prazo e orçamento e, se possível, superando as expectativas. Nós, brasileiros, somos muito afetivos, e pesquisas revelam que nossa cultura tem traços personalistas, ou seja, o bom relacionamento tende a se estender fora do trabalho e a confiança nasce também desta informalidade. Outro ponto importante é demonstrar pró-atividade, não apenas aguardando suas tarefas. Assim, o profissional aumenta suas chances de ser percebido como confiável, em quem a empresa,seus superiores e colegas podem confiar no cumprimento de projetos e metas.
Às vezes, o profissional acumula uma série de tarefas. Isso faz com que no dia-a-dia concentre todas as suas forças em atividades operacionais. Como dosar o acúmulo de responsabilidades e, ao mesmo tempo, focar no seu processo de desenvolvimento de carreira?
O gerenciamento do tempo é um dos grandes desafios dos profissionais. Ficar esperando “ter um tempo”, que nunca chegará, não é a melhor alternativa. Quem você conhece que este ano está com mais tempo do que o ano passado? Quase ninguém. Desta forma, qual a possibilidade de termos mais tempo no ano que vem para cuidar de meu treinamento? Nenhuma. Faça um planejamento de seu tempo, defina o que é realmente importante de modo a ter espaço para seu auto-desenvolvimento.
As novas responsabilidades assumidas pelos profissionais os obrigam a se preparar. Um dos pontos fundamentais é o conhecimento estratégico. Saber o que está fazendo e para quem, pode ser o diferencial desse profissional?
Todo profissional deve desenvolver um “pensamento estratégico”: onde, como e quando devo chegar são as principais perguntas. Ao ter conhecimento estratégico, o profissional consegue melhores performances, e as empresas promovem o desenvolvimento do capital intelectual, das competências e talentos. Este conhecimento estratégico é uma via de mão dupla, com os profissionais desenvolvendo este perfil, e a empresa alimentando-os de informações. Estudar o conhecimento produzido pelas escolas e pesquisadores sobre estratégia também, ao meu ver, ajuda muito.
É muito comum, hoje em dia, os profissionais mudarem de áreas e setores de economia. Como se preparar para estes novos desafios?
É impossível se ter experiência ou conhecimento em todas as áreas. E as empresas sabem disso. Desta forma, os profissionais que possuem as características que dissemos acima (liderança, motivação, comprometimento, perfil inovador e empreendedor e, sobretudo, ética) sempre serão bem-vindos nas empresas, independentemente da área de atuação. Obviamente não estamos falando de atuação nas áreas ou funções onde conhecimento técnicos específicos são exigidos, mas sim em áreas gerenciais. Porém, a capacidade de ter uma visão geral e ampla do mercado e de tais setores é também fundamental.
Para finalizar, quais são as suas dicas para que os profissionais continuem se preparando para se diferenciar no atual mercado competitivo?
Em uma época de rápidas e profundas transformações, o aprendizado continuado torna-se imperativo para empresas e colaboradores. Ou seja, não é mais possível parar de aprender. Acabou a época de “estudar-trabalhar-aposentar”. Os novos cenário, em todas as áreas, desafiam os profissionais e empresas a adotar ações estratégicas que lhes garantam capacidade de criar e sustentar vantagens competitivas. E o conhecimento é o principal pilar desta vantagem competitiva. Além disso, o desenvolvimento das atitudes comportamentais também é vital: capacidade de gestão, liderança, posicionamento político, visão internacional, comportamento ético, dentre outras, fazem a diferença em um mercado com profissionais tão “iguais”. Sobretudo, os profissionais devem buscar o olhar da sustentabilidade, do consumo consciente, do respeito à diversidade em toda sua atuação como profissional e ser humano.
A entrevista foi realizado por Daniel D"Amelio, editor do portal HSM Online.
HSM Online
11/08/2009
Leia as entrevistas anteriores:
- Zé Luiz Tavares: A importância do nexo
- Nicolas Trad: “Reputação está nas mentes das pessoas”
- Christian Barbosa: "O executivo usa extremamente mal o seu tempo"
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