Gestão
O tripé da mudança

Mudamos por três razões básicas: idade, necessidade e vontade. Esta e outras afirmações estão em artigo que faz uma reflexão sobre os momentos de mudanças ao qual passamos. Confira!

Por que encontramos tantas dificuldades em realizar mudanças, sejam elas pessoais ou profissionais?

Poderíamos discorrer um livro inteiro sobre esse tema (ainda o farei), mas neste artigo vamos ao cerne da questão.

Mudamos por três razões básicas: idade, necessidade e vontade.

Aceitamos com naturalidade o fato de mudarmos a medida que o tempo passa, que a idade avança. Etapas novas vão surgindo. Escalas de valores vão se alterando. Algumas características permanecem e outras se alteram em função do andar da carruagem. São mudanças naturais que a própria vida se encarrega de realizar em nós.

Os outros dois motivos são mais complexos. Diferenças significativas distanciam necessidade (causas externas) de vontade (causas internas).

Por necessidade, chamamos todos os movimentos realizados em função de causas externas: um novo emprego, uma demissão, uma doença, um novo chefe, uma nova tecnologia, o crescimento de um concorrente, um novo produto para um novo mercado. Uma força  externa faz com que ações venham a se realizar dentro de nós. Na maior parte das vezes, não gostamos do que está acontecendo, mas somos compelidos a aderir ao movimento. Rompemos nossa homeostase a contragosto. Normalmente, esses movimentos são radicais. Esses motivos externos modelam o tempo, via de regra, com um intervalo menor do que o desejado. Um novo emprego nos obriga a aceitar uma cultura diferente. Uma doença súbita leva-nos a novos hábitos. Uma nova tecnologia surge e nos obriga a adotá-la para não ficarmos fora de mercado. Novas atitudes são tomadas em função do crescimento do concorrente. Ou mudamos, ou a empresa perde mercado. A situação exige velocidade.

Passada a tempestade e os momentos iniciais dessa nova fase, que pode ser de vários meses, vimos que poderíamos ter realizado as mudanças vinculadas aos motivos em questão, sem as dores e contratempos com que a velocidade nos obrigou a fazê-las. Não queríamos ver o problema em si? Não tínhamos coragem de tomar as decisões por sabermos das dificuldades e riscos que iríamos passar? Por que prorrogamos por tanto tempo essas mudanças? Por que precisamos dessa força externa para “obrigar-nos” a mudar? Desculpas?

Faltou algo importante. Um toque mágico, um passo de coragem, um ato de determinação. Uma provocação? Um exemplo bem sucedido a ser seguido? Uma motivação? Quantas perguntas sem respostas....

Por vontade, chamamos todos os movimentos que realizamos através do nosso “eu”. De dentro para fora. A necessidade pode até estar no âmago da questão, servindo como mola propulsora da mudança ou apenas como indicador forte de que devemos mudar.  A diferença básica entre a vontade (própria) e a necessidade, é que esta, provindo de razões externas, tende a desaparecer, quando essas forças deixam de atuar. A mudança, ou as mudanças, foram temporariamente dirigidas e pressionadas por uma causa externa. No caso da vontade, precisamos de uma força muito maior do que a anterior. Um movimento  interno que nos induz a mudar.

Fazendo outra comparação, podemos dizer que a necessidade atua sobre a cabeça (razão), ao passo que a vontade mexe com o coração (sentimentos). Por esta forma de falar, podemos dizer que a vontade atua sobre uma parte do cérebro, gerando substâncias químicas relacionadas com o prazer, bem estar. Ao passo que a necessidade atua sobre outra parte do cérebro, relacionado à obrigação, dever, cobrança, sem o prazer e o bem estar da anterior.

Quando partimos para o campo da necessidade, os resultados podem também gerar prazer quando atingimos os objetivos que estávamos buscando. A origem porém, é diferente. A mudança causada pela vontade (força interna) nasce e encerra com prazer, ao passo que a causada pela necessidade inicia por obrigação e pode encerrar com prazer.

A base da vontade está intimamente ligada à motivação. Vamos agora examinar a palavra motivação e sua prima-irmã, provocação. Em ambas sobressai o sufixo “ação”. Parte importante em tudo que realizamos em nossas vidas. Já mencionei em outros artigos, mas vale a pena repetir. Existem três tipos de pessoas. As que fazem, as que deixam que os outros façam, resignando-se seja qual for o resultado e as  que choram pelos cantos e reclamam pelas coisas que os outros fizeram e cujos (bons) respingos elas “não tiveram sorte” de receber.

Motivação significa “o ato de motivar”, do latim motivu, que move. Provocação significa “o ato de provocar” do latim provocare, desafiar. Que mais palavras precisamos para realizarmos transformações internas do que as acima mencionadas? Um desafio que nos faz mover. Sem obrigação. Por prazer de superar as dificuldades que possuímos. Por prazer de ver nossa(o) companheira(o) mais feliz. Por prazer de melhorar o ambiente familiar ou profissional. Por prazer de fazer o bem a um(a) amigo(a). Por prazer de entender que devemos mudar para preparar-nos para um futuro melhor. Por prazer de querer viver mais e com mais qualidade de vida. Para sermos mais felizes.

Se entendermos a última frase, estaremos dando um passo importante para realizar nossas mudanças tão esperadas por nós mesmos (e pelos que convivem conosco).

Mudem com prazer para serem mais felizes. Não é a única via, mas certamente todos nós temos que passar por esse difícil caminho da mudança. Decidam, ousem, corram riscos, mas mudem. Para melhor, para serem mais felizes.

 

Por Rui Carlos Pizzato (autor do livro chamado Fábrica de Sonhos - Editora Nova Prova - Livraria Sulina. E-mail: ruipizzato@brazservice.com.br)
HSM Online
12/08/2009

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Espaço do leitor: 11 Comentários
Comentários:
Prof. José Luiz Mazolini disse:
Janeiro 21 de 2010 às 12:07 hs.
Olá, Rui Carlos, parabéns pela abordagem do tema.Mudança, na maioria dos casos e no pensamento de muitos, significa sair da rota habitual, ou mesmo, começar tudo de novo. Não é bem isso, mas, na verdade faz certo sentido. Mudanças, na verdade é sair da retórica das teorias e partir para a prática das ações efetivas como: mudança de atitude, postura, comportamento, ambiente, idéias, etc. Ouvi em algum lugar, alguém dizendo que: "o ser humano muda seu destino simplesmente mudando de atitude". Mesmo assim, as pessoas resistem às mudanças porque, na maioria das vezes, o preço a ser pago é elevando, ou seja, o sacrifício é muito grande e, principalmente para as pessoas que estacionam na chamada "zona de conforto", pagar esse preço nem pensar. Cordialmente. Prof. José Luiz Mazolini, diretor executivo da MAZOLINI CONSULTORIA
Ricardo Masstalerz disse:
Janeiro 14 de 2010 às 14:31 hs.
Parabéns pelo artigo, pessoalmente só acredito em mudanças que tenham um FORTE SIGNIFICADO pessoal ou empresarial. Muitas vezes existe o consenso ou até o interesse pela MUDANÇA mas para obter a persistência necessária em vencer os desafios da mudança, somente se os benefícios produzidos forem claros, explicitos e COMPENSATÓRIOS. Gosto de dar o seguinte exemplo: você precisa de R$ 10.000,00 para trocar de carro... o quanto estaria disposto à abrir mão para obter este somatório? E se esta mesma quantia fosse necessária para pagar por uma cirurgia de uma pessoa querida, o que estaria disposto a fazer para obter este somatório? Isto é o que defino como um FORTE SIGNIFICADO.
Rodrigo disse:
Janeiro 13 de 2010 às 13:14 hs.
Espetacular, pois estava angustiado pq preciso de mudanças...Muito bom esse artigo.
Rui Carlos Pizzato disse:
Agosto 14 de 2009 às 10:03 hs.
Pessoal, obrigado pelas palavras. São comentários, críticas e elogios que fazem crescer uma pessoa. Nas minhas palestras (por que temos dificuldade de mudar?) tenho condições de penetrar mais fundo nesse necessário mundo da mudança. Concordo com o Rogério quando ele aborda o tema "zonas de conforto".Nas minhas palestras essa expressão já está inserida. A observação do Fábio é muito interessante. A saída é mudar sempre. Viver num estado permanente de mutação. As empresas estão acostumadas a realizar seus Planejamentos Estratégicos, mas desconheço empresas que promovam a realização de planejamento estratégico dos seus próprios colaboradores. Pensem nisso. É um bom começo. As técnicas são as mesmas, só que voltadas para si próprio. Abraços e obrigado.
Carlos Lima Lôbo disse:
Agosto 13 de 2009 às 11:28 hs.
A unica coisa permanente nesse mundo é Mudanças,Mudanças são necessárias sempre,Resistencia a Mudanças atrapalha.Cuiabá MT 13.08.2009Carlos Lima LôboEconomista
Edna Mayer disse:
Agosto 13 de 2009 às 10:21 hs.
Adorei o artigo, pois até pode ser uma coisa que todos sabem mas que não praticamos em nossas vidas, e com o passar do tempo esquecemos e nos acomodamos no pequeno mundo que criamos ao nosso redor. Mudar, motivar e ajudar as pessoas ao nosso redor deveria ser uma regra em nossa vida, e não uma coisa que só nos damos conta quando estamos em uma cituação difícil ou em uma fase mais avançada da vida. No final do seu artigo resume tudo o que devemos fazer sempre em nosso vida e ajudar a outras pessoas a fazerem, pois e na adversidade que descobrimos grandes talentos. Estou nesta fase em minha vida e na vida de outras pessoas, estou mudando e ajudando outros a mudarem também, e nunca me senti também, feliz e realizada como agora... Desafie-se a mudar, e mude sempre para melhor, porque na mudança e o que nos faz crescer. Abraços.
Rogério Tokunaga disse:
Agosto 13 de 2009 às 08:28 hs.
Um tema muito interessante, um tanto quanto comum, mas que nós mesmos não nos atentamos. Acredito que um elo no meio dessa mudança está a chamada "zona de conforto", provavelmente ela nos impeça de perceber a necessidade, bom, necessidade não, mas a 'vontade' de mudar. Como somos praticamentes obrigados a nos adaptar quando há necessidade de mudança, somos impulsionados pela força externa conforme o Rui comenta, porém, pela vontade, muitas vezes deixamos as coisas como estão por estarmos dentro da nossa zona de conforto, dentro de nossos limites da auto-segurança. Aí é que mora o perigo! Concordo com a Fernanda Souza, essa reflexão serve de alerta para nos adiantarmos às mudanças, aumentando quem sabe o prazer resultante dos objetivos alcançados.
Fernanda Souza disse:
Agosto 13 de 2009 às 07:27 hs.
Não poderia deixar de te felicitar Rui pela abordagem, conceituar o momento em que a mudança chega e acontece na vida das pessoas é muito interessante e importante, dentre as três razões básicas citadas por você no texto, acredito que a mudança por necessidade é a que exige mais do ser humano e também é a mais comum, aceitar a mudança do cotidiano, de valores e costumes é complicado perante o turbilhão de exigências que o mundo moderno nos obriga, além da rapidez exigida, apesar dos desafios, quando as pessoas vivem conscientes da necessidade diária da mudar, o processo se torna menos doloroso e mais eficaz, assim todos em volta se beneficiam desta mudança, que reflete novas idéias, novos conceitos e soluções. Agradeço a oportunidade de comentar sobre o tema que apesar de ser considerado comum, traz um alerta para iniciarmos mudanças que sempre adiamos...
Angélica Cunha disse:
Agosto 13 de 2009 às 07:03 hs.
Amei este artigo! Especialmente pq estou partindo para uma nova etapa da vida e com todas as mudanças que estou vivendo e ainda terei, sinto uma grande motivação para superar qualquer tipo de adversidade ou as inseguranças. Sou uma pessoa de fé e creio que Deus, se deixar-nos guiar por Ele, sempre tira coisas lindas do nosso sofrimento e nos dá força para superar o medo e a insegurança. É o ciclo da vida...
Fábio Cegali disse:
Agosto 12 de 2009 às 19:02 hs.
Parabéns pelo artigo, Rui. Um texto conciso, claro e que traduz todo esse movimento de mudanças ao qual todos estamos, de uma forma ou de outra, submetidos (ou ao qual nos submetemos).Minha única dúvida sobre a ausência de ação em direção às mudanças é "por que não percebemos a necessidade da mudança antes, e de forma espontânea?" E, se percebemos, "por que nos privamos de um possível bem estar que podemos vir a obter"? Talvez porque não saibamos ao certo se aquilo realmente será, ao final, efetivamente bom ou porque temos medo de correr o risco de sermos felizes. Que ciclo doido!
Ricardo Rodrigues disse:
Agosto 12 de 2009 às 18:14 hs.
....Acabei de receber por e-mail, o índice sobre este assunto e realmente foi muito interessante e importante para minha atual situação, pois, por destino talvez, acabei me desligando de uma grande empresa de comunicação, uma empresa que me dava uma remuneração boa, eu tinha liberdade de trabalho, eu estava com boas possibilidades de crescimento, .....mas....algo por dentro e a situação em si, me obrigou a estar onde estou hoje, quer dizer, muito mais feliz, claro que não está sendo fácil, mas hoje tenho um cargo e responsabilidades maiores em uma empresa menor. Sempre tive vontade de ter o meu próprio negócio. Hoje, graças a confiança de um grande amigo tenho a chance de contribuir para uma conceituada empresa de eventos que presta serviços para grandes empresas do mercado. Me sinto praticamente realizado profissionalmente, e o dinheiro acaba sendo consequência....mas como disse na matéria, os desafios principalmente no começo, aumentam e requer muito equilibrio profissional e pessoal.Tenho certeza que daqui 1 ano estaremos com o triplo de negócios que temos hoje, inclusive estaremos buscando novos negócios no Brasil a fora.Agradeço a oportunidade de comentar, Att:Ricardo RodriguesDiretor Novos NegóciosFOX marketing eventos.
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