Gestão
Empresa de um só homem

Leia relato da história de um empreendedor que construiu uma carreira através de seu individualismo.

Na semana passada, almocei com a filha de um empresário de grande expressão na década de 90. Durante o encontro, tive a oportunidade de relembrar a trajetória daquele que foi um empreendedor visionário, que alcançou seu desejo de enfrentar desafios, transpor obstáculos e viver, exclusivamente, para o trabalho, de maneira austera, solitária e centralizadora.

Conhecido por seu temperamento explosivo, ele alcançava expressivos resultados nos negócios, utilizando como estilo de gestão a interferência pessoal junto às lideranças das áreas que não seguiam o ritmo por ele traçado. Com excepcional capacidade de liderar imperativamente, era ágil, inteligente e quase onipresente dentro da empresa. Ou seja, “um rolo compressor”, um misto de genialidade e autoritarismo.

Era extremamente competitivo. Competia com os talentos internos, as diferentes áreas da companhia e os consultores que contratava para ajustar o que, segundo ele, era resultado de deficiências causadas por quem não conseguia compreendê-lo.

Com frequência, suas intervenções criavam um clima pouco propício ao desenvolvimento das pessoas, constrangendo e reduzindo as lideranças perante seus liderados. Bastava um olhar mais severo para que as pessoas se calassem diante da negação do líder em deixar que outros “acendessem suas velas no vasto conhecimento que possuíam”, como aconselhava Winston Churchill.

Fazia questão de demonstrar austeridade. Vivia em um pequeno apartamento e dirigia um carro simples, com muitos anos de uso. Amigos não tinha e também não fazia questão de cultivar relacionamentos. Era um homem só, apesar de três casamentos e quatro filhos. Uma solidão que, conforme me relatou a filha, o acompanhou até o fim da vida. Poucos foram aqueles que se dispuseram a dele se despedir.

Quem mais sentiu foi a empresa, viúva solitária. Feneceu junto com ele, como resultado de um exemplo de empreendedorismo, muitas vezes glorificado em décadas passadas, onde o “dono” era o norte, a verdade, o fim.

Este não é, infelizmente, um caso isolado de um empreendimento edificado para uma única geração. Ainda nos deparamos, em nossa experiência de muitos anos de consultoria, com este modelo de gestão de “tiro curto”. Talvez, em menor intensidade, mas que apresenta muitas semelhanças com essa história de sucesso efêmero.

Vale a pena pensar nisto!


 
Por Denis Mello (diretor-presidente do FBDE | NEXION Consulting (www.fbde.com.br) Consultores e Auditores em Marketing, Vendas e Gestão Empresarial. E-mail: diretoria@fbde.com.br)
HSM Online
12/08/2009

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Espaço do leitor: 6 Comentários
Comentários:
Djiana disse:
Agosto 17 de 2009 às 11:45 hs.
Esse é o típico comportamento de algumas empresas familiares, onde o dono é sempre a verdade da empresa, seus subordinados não tem o poder de opinar em nada, onde todos tem que trabalhar conforme o que pede o empreendedor. Porém, seus filhos, netos e até mesmo a esposa/marido, não tem autoridade de colocar em pratica o que se aprende no ambiente acadêmico, só porque o empresário acredita que somente ele tem a tão grandiosa razão de ser.
Tenório Cavalcanti disse:
Agosto 14 de 2009 às 14:28 hs.
Comum, muito comum. Triste confirmar isso. Em 2009 ainda há empresas geridas por babacas desse tipo - babacas siim! - não há outro termo ou firula poética/intelectual que defina esse tipo de comportamento. Se fosse um bipolar, um caso clínico ambulante eu o daria o respeito merecido, desde que se tratasse com os cuidados devidos e não prejudicasse as pessoas ao seu redor. Mas não. São apenas babacas com traços escrizofênicos, que se olham no espelho e se enxergam fracos, e sua defesa é usar o poder como ferramenta para se auto-alavancar e promover crescimento na empresa. O dinheiro vem, sim, ele vem. A empresa cresce, mas por trás disso há uma comunidade de vítimas que são diretamente atingidas por essa cabeça babaca. Um gestor babaca, um ser que não dá pra chamar de líder; o termo não lhe cabe. Cabe a nós profissionais ficarmos em alerta e, quem sabe, escrevendo um pouco contra isso consigamos atingir essas vítimas para fazer com que fujam desses campos de concentração que são essas empresas grandes, médias ou pequenas - geridas por babacas de marca maior.
Helena Peres disse:
Agosto 14 de 2009 às 12:19 hs.
Achei legal
Luciana Silva Pinto disse:
Agosto 13 de 2009 às 08:19 hs.
Que medo! Mas serve de exemplo a não ser seguido.
Edson disse:
Agosto 12 de 2009 às 20:48 hs.
é uma realidade, e podemos observar isto em empresas familiares.uma visão miope, de curto prazo, e sem sucessão.é triste, mas é uma realidade.
eldaum@komeco.com.br disse:
Agosto 12 de 2009 às 20:45 hs.
pensar
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