Fórum Mundial de Marketing e Vendas 2009
As marcas mais amadas fazem a diferença


Quando uma marca atinge níveis elevados de amor e confiança na percepção dos consumidores, ela se torna irresistível, poderosa. E a fronteira para a disseminação de crenças, atitudes, produtos e serviços torna-se ilimitada.

Leia mais: Como se faz uma lovemark?

Você já ouviu falar de “lovemarks”? Na tradução literal, seria “marca de amor”. Na verdade, é bem mais do que isso. É uma marca que cria lealdade além da razão. Ao nos depararmos com ela, a reconhecemos imediatamente, pois faz os nossos sentidos se aguçarem e se diferencia de outras marcas.

Esse conceito foi criado por Kevin Roberts, atual CEO mundial da Saatchi & Saatchi, uma das maiores agências de publicidade do mundo, que se define como uma empresa de ideias transformadoras que favoreçam o desenvolvimento sustentável dos clientes. É autor de três livros, dois abordando as “lovemarks”. Antes de atuar na Saatchi & Saatchi, Kevin Roberts ocupou posições de destaque em grandes companhias, como Procter & Gamble, Pepsi e Gillette.

Em sua palestra no Fórum Mundial de Marketing e Vendas, Kevin Roberts falou, principalmente, sobre a força e o poder das “lovemarks”, que se sobressaem na fase atual do marketing e da publicidade, mais defensiva e racional, enquanto as “lovemarks” são fundamentadas na emoção e na intuição.

Antes de mais nada, para entender a dinâmica de marcas vencedoras e diferenciadas, é preciso que tenhamos, também, uma atitude vencedora em nosso dia-a-dia e em nossos projetos e negócios, materializada nos seguintes pontos:

- Encare sempre a verdade. Não mascare as coisas.

- Aja de forma rápida e efetiva.

- Reveja suas crenças sobre valores.

- Inspire a todos que puder. Com alegria.

- Controle apenas o que for controlável.  Os negócios são complexos, cheios de normas, procedimentos, processos, regras. Por isso, dê foco no que você quer controlar.

- Elimine tudo o que não impacte na satisfação dos clientes.

- Meça apenas o que é importante. Fundamental. Não precisa fazer inúmeras pesquisas e variadas medições.

Segundo Kevin Roberts, as marcas, na concepção tradicional da palavra, não existem mais. Tornaram-se commodities. Para que uma marca se diferencie, tem que se tornar uma “lovemark”. “As marcas não são das empresas. As pessoas é que são donas das marcas. E os consumidores querem ser atraídos, engajados, envolvidos. É preciso existir empatia. Os consumidores têm que estar comprometidos com as ideias e as crenças que estão por trás de qualquer marca. No fundo, as marcas existem para entregar algo para nós”, acentua Roberts.

Para ele, as “lovemarks” se constroem, principalmente, com amor e respeito. Uma marca não tem que ser insubstituível, mas sim irresistível e confiável. Ex.: Ipod (tem funcionalidades iguais ou até menores do que outros dispositivos semelhantes, mas detém 75% do mercado). O eixo de amor e respeito pode e deve ser usado, inclusive, em todas as nossas avaliações de relacionamentos pois, conforme Kevin Roberts, 80% de nossas decisões são definidas pelas emoções.
Se dividirmos todas as coisas em quatro quadrantes, temos:

- Baixo respeito e baixo amor = commodities.

- Baixo respeito e alto amor = modismos.

- Alto respeito e baixo amor = boas marcas.

- Alto respeito e alto amor = “lovemarks”.

E tudo isso sem esquecer a sustentabilidade. Que tem que ser levada a sério, para que o mundo possa se tornar um lugar melhor para todos, do ponto de vista ambiental, social, econômico e cultural. “Não podemos ser apenas ‘verdes’. Ter o foco somente no meio ambiente. Temos que ser ‘azuis’. Cada um de nós tem que fazer alguma coisa para contribuir para um mundo melhor, porém, muitas vezes, não sabemos bem o que fazer. Comecemos pelas coisas simples, que podemos fazer em nosso dia a dia. Como, por exemplo, ‘fazer xixi no banho’, o que contribui para evitar gasto de água com descargas. As coisas simples podem fazer a diferença”, explica Kevin Roberts.


 

HSM Online
18/08/2009

Leia mais:
- Cobertura completa do Fórum Mundial de Marketing e Vendas 2009

 

Espaço do leitor: 12 Comentários
Comentários:
Dagoberto disse:
Agosto 20 de 2009 às 07:41 hs.
Excelente artigo. Respeito e Amor. O que é simples é arquetípico. Nossa razão não compreende, mas o coração sabe.http://www.acontecendoaqui.com.br/index.asp?dep=16
Silvia Diniz disse:
Agosto 19 de 2009 às 20:16 hs.
Gostei muito do artigo,também acredito que as marcas, produtos, ou serviços precisam sim , ser comerciais mas se não tiver carisma... bem mais complicado de alcançar seus objetivos.Quanto as responsabilidades ambientais, sociais e econômicas é fundamental para um mundo melhor, marca ponto quem faz bem.
marcia disse:
Agosto 19 de 2009 às 14:10 hs.
Gostei da abordagem e da discussão das lovemarks. Mas "xixi no banho" pode não ser assim tão sustentável... Conheço locais em que a prática é proibida, pois toda a água, à exceção daquela do vaso, é reutilizada.
J. Lima disse:
Agosto 19 de 2009 às 10:16 hs.
É claro que é de fundamental importância a preocupação com o fato de nos tornarmos cada vez mais "azuis", para que as futuras gerações possam viver em um mundo melhor, porém, se todas as empresas (ou maioria delas),independentemente do tamanho, se preocupassem em seguir os 7 pontos citados e "materializados" por Kevin Roberts, no 5º parágrafo do artigo, com certeza novas "lovemarks" surgiriam e seríamos certamente um país muito melhor!
Henrique Dias disse:
Agosto 19 de 2009 às 09:58 hs.
Excelente artigo, ótima abordagem para pensarmos. Refletindo um pouco na linha do autor, acho que as "lovemarks" pertencem mais ao público que à empresa. Mas qual empresa que quer "abrir mão" do controle completo de suas marcas para o público? Isso é um equilíbrio delicado de como fazer isso e envolver e cativar o público, mas algumas empresas tem feito isso muito bem. É só ver como por exemplo a macã da apple já está estampada em vários veículos andando por aí. Agora fica a pergunta: a Apple detem os direitos, mas e sobre o controle dessa marca? Acho que é interessante para pensar...
Cláudio Güttler disse:
Agosto 19 de 2009 às 08:28 hs.
A idéia exposta é muito interessante. Podemos aplicar às marcas pessoais, profissionais de reconhecido destaque que, efetivamente contribuem para o progresso da sociedade, são lembrados pelo seu nome; marcas pessoais em grupos sociais, por exemplo, um patriarca de uma família, que será sempre lembrado por seu desvelo, carisma força e caráter moral, ético, servindo sempre de bom exemplo, muitas vezes anônimo.Mas, sinceramente, não conheço o pensamento do autor deste artigo. A finalização deve ser melhor observada. Por exemplo, em locais públicos, clubes, etc.., esta prática é condenável, por motivos obvios de saúde.Para refletir e pensar!
Márcio Luis disse:
Agosto 18 de 2009 às 22:27 hs.
o grande desafio é criar marcas amadas. Entender todos os processos que facilitem que isso seja possível. Envolver as equipes de trabalho, extrair delas o comprometimento e fazê-las contribuir para construir este novo paradigma da marca.
Fabiane Smozinski Schlickimann disse:
Agosto 18 de 2009 às 19:58 hs.
Não concordo com a opnião dos dois últimos colegas. Acredito que a simplicidade torna as coisas mais agradáveis. O que tem demais fazer xixi no banho...temos que lutar sim por um mundo melhor e para isso tornar realidade tem que partir de cada um de nós. Isso sim traduz alto respeito e alto amor.
Augusto Bellini disse:
Agosto 18 de 2009 às 18:23 hs.
O tema é polêmico. Compreendo que não deve haver uma dicotomia entre marcas emocionais e marcas racionais. A emoção está para às pessoas que envolvem o negócio. A razão para o negócio que envolve às pessoas. Eu gostei do penúltimo parágrafo. Acho que as coisas começam pelo mais simples e podem ensinar a fazer grandes realizações a partir dos mesmos princípios!
Rogério disse:
Agosto 18 de 2009 às 17:49 hs.
Ótima abordagem e ótima finalização.O exemplo, por mais desagradável que pareça, ilustra bem a questão da sustentabilidade.Pelo amor de Deus, vamos parar com essa comoção politicamente correta...
Jaime Gama disse:
Agosto 18 de 2009 às 17:30 hs.
Boa abordagem com infeliz finalização!
W A disse:
Agosto 18 de 2009 às 15:21 hs.
o artigo estava muito bom até a penúltima linha do último parágrafo.
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