Special Management Program - Thomas Malone 2009
Como gerenciar quando você não tem controle?

Malone afirma que precisamos de um novo modelo, passando do comandar e controlar para o coordenar e cultivar. “Não importa o quanto conversemos sobre os novos tipos de gerenciamento, a maioria ainda tem em mente um antigo modelo gerencial: o do comando e controle”.

O professor define que coordenar é organizar o trabalho de modo de aconteçam boas coisas, quer você esteja ou não no controle. “Alguns tipos de coordenação são centralizados, outros descentralizados”. Malone explicou que coordenar enfoca as atividades que precisam ser feitas e as realizações entre elas. Cultivar, em contraste, enfoca as pessoas que fazem as atividades: o que elas querem, no que se destacam, e como podem se ajudar mutuamente.

Para Malone, cultivar é trazer à tona o melhor em nossos funcionários usando a combinação certa de controlar e ceder. “Às vezes você precisa dar comandos de cima para baixo para as pessoas, mas às vezes só precisa ajudá-las a encontrar e desenvolver suas próprias forças naturais”. O bom cultivo envolve encontrar o equilíbrio certo entre controle centralizado e descentralizado.

“Coordenar e cultivar não são opostos de comandar e controlar”, ressaltou. São conjuntos que abrangem comandar e controlar, bem como muitas abordagens gerenciais, da completamente centralizada à completamente descentralizada. Ao pensar na administração em termos de coordenar e cultivar, você abre uma nova gama de modelos, livrando-se da antiga mentalidade centralizada. E é isto o que é preciso para um gerente ser eficaz hoje em dia: a capacidade de se mover com flexibilidade no continuum da descentralização de acordo com a situação.

Malone explicou que quando o gerente acha que seu papel é controlar uma organização, limita suas opções: pode estabelecer metas claras ou ambíguas, pode delegar muito ou pouco, pode motivar por recompensa ou por punição, pode monitorar o comportamento ou os resultados. “Entender essas opções e como escolher entre elas tem sido essencial para o sucesso nas organizações hierárquicas que dominaram a maior parte da história da humanidade”. Mas se o gerente acha que o seu papel é coordenar em vez de apenas controlar, de repente tem um conjunto bem mais rico de opções. “Muitas delas são muito mais adequadas às organizações cada vez mais descentralizadas de hoje”, afirma Malone.

Para o professor, em termos gerais, coordenar significa apenas organizar o trabalho, ou seja, montar as atividades de modo que resultados desejáveis possam ocorrer. Mais especificamente, coordenar envolve estabelecer três condições fundamentais – capacidade, incentivos e conexões – que permitem que um grupo de pessoas produza bons resultados.

Paradoxo de padrões

“Os padrões rígidos nas partes certas de um sistema podem permitir muito mais flexibilidade e descentralização em outras partes do mesmo sistema”. Na maioria dos mercados reais, compradores e vendedores interagem uns com os outros de maneira livre e flexível porque obedecem a um conjunto de padrões. Eles especificam preços em moedas padronizadas.

“Quando as pessoas tomam as suas próprias decisões, torna-se fundamental estabelecer padrões coerentes”. Na internet, por exemplo, padrões técnicos rígidos, permitem uma tremenda flexibilidade em todo o sistema. Os “gerentes” da internet agem como facilitadores ao definir os protocolos. Depois, qualquer um que esteja usando a internet pode interagir facilmente com qualquer um para atingir seus próprios objetivos.

“A mesma coisa se aplica nas empresas”, explica Malone. Quando você tem padrões claros para avaliar os resultados das pessoas, não precisa gastar muito tempo revisando e analisando as decisões delas. A maior parte desses padrões não é documentada em manuais de procedimento; faz parte da cultura não escrita da organização.

O professor defende que os gerentes ainda desempenham um papel importante para manter a cultura organizacional que incorpora os padrões. “No futuro, uma das principais responsabilidades de todos os gerentes seniores pode vir a ser definir as regras do jogo, ou seja, os padrões com as quais o resto da organização trabalha”, conclui.

 

HSM Online
27/08/2009

Espaço do leitor: 11 Comentários
Comentários:
Marcos Jansen disse:
Agosto 30 de 2009 às 09:57 hs.
Padronizar para flexibilizar. Perfeito! E, conforme dito pelo professor, a internet tem nos ensinado isto. A tecnologia tem nos aberto tantas opções que, para obtermos resultados é necessário que criemos padrões, comportamentos padrões, para nos deixar mais livres na criação. Inclusive, de novos padrões. Para ir ao trabalho defini seis rotas alternativas: a mais econômica, a mais curta, a mais rápida, mais divertida etc. Ao entrar no carro decidia qual seria a rota do dia e punha o cérebro para pensar em outras coisas. As boas...
Nelson disse:
Agosto 28 de 2009 às 21:11 hs.
Senhores;Gostaria de ler o trecho em que o prefessor defende que a VENDA é mais importante que o MARKETING. Obrigado.
Breno disse:
Agosto 28 de 2009 às 20:49 hs.
Concordo e complemento o que o Luciano disse. Acredito que algumas vezes os próprios funcionários podem e devem ser consultados e contribuir para definição de estratégias, inclusive porque (teoricamente) são eles que executam o que está no "padrão". Já vi casos em que a Estratégia da organização estava nas agendas dos próprios empregados, ou mesmo (acreditem ou não) em canetas esferográficas. Realmente a estratégia deve ser desdobrada aos níveis hierárquicos, justamente para que as pessoas trabalhem focadas em alcançar sua meta.
Luciano Santana disse:
Agosto 28 de 2009 às 07:52 hs.
Mais importante de que velocidade é a direção. O Coordenador/Gerente tem que contribuir na definição da estratégia organizacional, interagindo com os empregados, explicando-lhes qual é o sentido de suas atividades para o atingimento das metas, objetivos e missão.
Luiz Carlos Santos - Bauru/SP disse:
Agosto 28 de 2009 às 07:13 hs.
O tema é bastante polemico, pois ainda estamos no inicio de uma profunda alteração no modelo de gestão de pessoas.Trabalho com profissionais especializados no emprego da mão de obra, uma derivação do artesanal. Descobri com os anos que a padronização deste tipo de trabalho como estudado por Taylor na Administração Cientifica não é a melhor forma de conseguir melhores resultados justamente por causa da direção do comando e da definição clara dos limites das responsabilidades na contratação do profissional.O grande desafio para os Gestores atuais é a criação de uma ambiente de trabalho onde as pessoas possam colaborar com sua mais importante ferramenta, a mente!Estamos saindo na era da Mão de Obra e entrando na era da Mente de Obra, onde os gestores serão os facilitadores, os Maestros das mentes dispostas a produzir para um emprego melhor!Parabéns HSM pela matéria!lcsantos_2@globo.com
Nilton disse:
Agosto 28 de 2009 às 06:38 hs.
Com o surgimento da Internet no mundo corporativo, esses padrões precisam ser revistos e consequentemente adaptados a nova realidade. As informações, hoje, são processadas na velocidade da luz. O que é padrão, hoje, poderá não ser daqui há um mês. Os mercados estão muito ligados por esta tecnologia. Uma decisão tomada em determinado seguimento dessa cadeia, por exemplo, lá no oriente, em questão de segundos, já muda toda uma decisão que possa ser tomada seguindo padrões já ultrapassados, que teria efeito no passando não muito distante, mas que agora, para que tenham efeitos esperados, precisam acompanhar o admirável mundo novo: compras pela da internet, pagamento de fatura bancária pelo celular, etc; portanto, fica muito difícil manter padrões já ultrapassados. Me desculpem se fui prolixo, mas foi o que veio a mente, quando leio sobre padrões (Comando e controle) nos tempos de hoje.
Nilton disse:
Agosto 28 de 2009 às 06:30 hs.
Com o surgimento da Internet no mundo corporativo, esses padrões precisam ser revistos e consequentemente adaptados a nova realidade. As informações, hoje, são processadas na velocidade da luz. O quer é padrão hoje, poderá não ser daqui há um mês. Os mercados estão muito ligados por esta tecnologia. Uma decisão tomada em determinado seguimento dessa cadeia, por exemplo, lá oriente, em questão de segundos, já muda toda uma decisão que possa ser tomada seguindo padrões já ultrapassados, que teria efeito no passando não mundo distante, mas que agora, para que tenham efeitoos esperados, precisam acompanhar o admirável mundo: compras pela da internet, pagamento de faturas bancária pelo celular, etc; portanto, fica muito difícl manter padrões já ultrapassados. Me desculpem se fui prolixo, mas foi o que veio a mente, quando leio sobre padrões nos tempos de hoje.
Editor - HSM Online disse:
Agosto 27 de 2009 às 17:22 hs.
Olá, Henrique e Marcelo. Os trechos foram, sim, ditos pelo professor Thomas Malone durante o Special Management Program, realizado nos dias 26 e 27 de agosto, em São Paulo, organizado pela HSM. Caso tenham dúvidas das citações, sugiro ler a cobertura completa do evento. Agradeço a participação. Continuem enviando os seus comentários. Att. Daniel D'Amelio (Editor - HSM Online).
Marcelo disse:
Agosto 27 de 2009 às 16:48 hs.
Concordo com o Henrique !!
luciano_gomes@cargill.com disse:
Agosto 27 de 2009 às 16:44 hs.
não deixe de ler
Henrique disse:
Agosto 27 de 2009 às 16:22 hs.
Hum...não sei... trechos dessa matéria, supostamente ditos pelo Prof. Malone, e parecem plágios do livro O Mundo é PLano de Thomas Friedman.Nada de mais se fosse citada a fonte. É o que me parece.
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