|
|
|
O que dizer de alguém que, aos 66 anos, é autor de 170 livros e que, somente neste ano, já lançou três títulos? Qualquer explicação racional para tamanha produtividade e criatividade não dissipa nossa surpresa. E o espanto só aumenta, se verificamos o espectro de assuntos abrangidos por essas obras: globalização, economia, política, estratégia, inteligência coletiva, educação, valores familiares e maturidade estão entre os muitos tópicos. O dono dessa mente fértil e contumaz é o guru japonês Kenichi Ohmae, conhecido como “Sr. Estratégia”.
Ohmae é senhor, mas também é mestre e doutor. É Ph.D. em engenharia nuclear pelo MIT. Chegou a trabalhar como engenheiro sênior no projeto do reator nuclear de fissão japonês, quando era colaborador da Hitachi, antes de migrar para a McKinsey, onde permaneceu por mais de vinte anos desenvolvendo sua habilidade estratégica e ganhando o mundo com seus ensinamentos. Ele é também fundador e diretor executivo da empresa de consultoria Ohmae & Associates. Seu currículo renderia vários parágrafos mais, mas fiquemos com um modesto retrato três-por-quatro desse pensador que estará no Brasil em breve.
Esse cidadão de Tóquio não é, contudo, um cavaleiro do apocalipse. É um homem de extraordinária visão de futuro, comprovada em obras como Além das fronteiras nacionais, O fim do Estado-nação, O continente invisível e O novo palco da economia global.
O estado regional
Uma das ideias de Ohmae diz respeito às fronteiras nacionais que, na sua opinião, são coisa do século passado. No século XXI, tempo da comunicação praticamente instantânea, o Estado-nação é irrelevante. De acordo com Ohmae, ganham destaque, no cenário atual, as regiões dentro de Estados. Estes, então, passam a ser uma combinação de regiões e não mais “monólitos políticos”, como explica o autor no artigo Beyond the nation state, publicado por The Globalist.
Para ele, as regiões já são elementos economicamente significativos no mundo, como o é a região metropolitana de Shutoken (inclui Tóquio e outros três municípios), que tem um PIB de US$ 1,5 trilhões, um dos maiores do mundo. Também é o caso de Hyderabad, na Índia, uma região terceirizadora de atividades para empresas americanas e europeias.
O grande traço determinante para o sucesso de uma região é sua abertura ao mundo, não obstante as fronteiras geopolíticas. Além disso, “um estado regional não tem de ser apenas um bom lugar para fazer negócios, mas também tem de ser um lugar atraente para trabalhar e criar os filhos”, diz Ohmae.
Ímã humano
“Assim como um ator talentoso pode levar multidões às suas performances com muito mais facilidade do que qualquer teatro, um indivíduo especialmente talentoso pode não somente atrelar sua identidade a um local ou a um setor da economia, mas também pode ajudar a atrair empresas de setores diferentes, como se tivesse um poder de magnetismo”, explica Ohmae. Nessa perspectiva, indivíduos, e depois regiões, e não Estados tradicionais, têm poder.
Michael Dell, fundador da Dell, é um desses ímãs. “Seu impacto sobre a localização original da Dell, Austin, [capital do] Texas, foi, pelo menos, monumental”, recorda o consultor. Empresas de softwares, TI e também de biotecnologia, entre outros setores, emergiram e cresceram na região, que pode ser considerada um estado regional.
Íntimo e pessoal
No livro The Mind of the Strategist, publicado ainda em 1982, Ohmae derrubou alguns estereótipos que tínhamos (nós, os ocidentais) sobre as empresas do Japão e salientou algumas diferenças entre as empresas de lá e de cá. Uma delas era o papel do cliente na estratégia. No Japão, o cliente já estava, àquela época, no coração da estratégia (e nós teimávamos em deixá-lo à margem dela) e dos valores das empresas.
Ohmae defendeu, nesse livro, que qualquer estratégia deveria basear-se em três pilares, ou 3 Cs: clientes, companhia e concorrência. Hoje, porém, já não é possível definir claramente esses 3 Cs, pois também entre eles as fronteiras não são mais as mesmas, e esse é um dos aspectos que o estrategista discutirá em sua apresentação no Brasil.
Ainda assim, o cliente é quem dá as cartas e ele deve saber que está no controle. “Tanto quanto possível, seu envolvimento deve ser perseguido e nutrido”, diz Ohmae no artigo Reinventing MBA degrees online. Ele esclarece o desafio que o cliente da atualidade impõe às empresas: “É um paradoxo que, em um mundo que se move na direção de horizontes mais distantes e menos claros, um dos segredos do sucesso dos negócios pode incluir maior atenção àquilo que é pessoal e intimo nas relações com os clientes”.
Por Alexandra Delfino de Sousa (administradora de empresas e diretora da Palavra Mestra)
Leia mais matérias especiais da ExpoManagement 2009.
HSM Online
| Nome | Código | |||||
| Comentários | ||||||
|
|
|
|