24/09/2009 - Gestão de Pessoas - Robert Wong
Onde você se encontra na pirâmide?

Há pouco tempo, estive no México. Lá tive o prazer de visitar as famosas pirâmides de Teotihuacán, construídas pelas valorosas civilizações indígenas que povoaram o território mexicano antes da conquista dos espanhóis.

Não é uma escalada fácil. Demanda competência, muito esforço e grande força de vontade. São os mesmo fatores necessários para se vencer na vida pessoal e na carreira profissional. O desafio de subir a pirâmide me fez refletir sobre uma questão desconcertante: "Por que há tantos executivos frustrados com suas carreiras?"

Para explicar o fenômeno, tenho recorrido à analogia de duas outras pirâmides. A primeira é a Pirâmide de Necessidades de Maslow, tese elaborada pelo psicólogo e professor do MIT, Abraham Maslow (1908 – 1970), onde ele cita que um ser humano deve atender em boa parte certa necessidade para, então, passar a uma outra hierarquicamente superior.

Na base da Pirâmide de Maslow, encontra-se a maioria da população - preocupada em atender suas necessidades fisiológicas: comer, respirar, dormir etc. Acima, encontramos uma parcela menor, já preocupada com sua segurança, dentro de uma perspectiva individualista.

Subindo na pirâmide, há outros seres humanos focados na ascensão social ou na necessidade de pertencer a grupos diferenciados. E afunilando mais ainda, temos uma parcela menor de pessoas preocupadas com a estima ou admiração dos outros.  

Maslow identificou nesse nível um outro grau de estima mais elevado, a auto-estima: a própria pessoa se admira, se gosta e goza de independência, que define como o direito de ser quem você é. E, por último, no topo da pirâmide, encontra-se uma pequeníssima parcela da população (o autor cita que representa menos de 2%) que atingiu a auto-realização, ou seja, seu pleno potencial - pessoas como Cristo, Buda, Gandhi, Tómas de Aquino e alguns outros.

 

 

Tomando emprestada a pirâmide de Maslow, elaborei, após muitos anos lidando com executivos e profissionais, uma tese que denominei de "Pirâmide de Realização no Trabalho". Ou como alguns amigos chamam: Pirâmide do Wong.

Na base dessa pirâmide, equivalente à nossa necessidade fisiológica, está o emprego, que possibilita obter os recursos ou um salário para comermos e assim sobrevivermos. Mas sabemos que um emprego não nos dá segurança; procuramos então adquirir uma profissão, a de engenheiro, advogado, administrador, professor etc.

Com um diploma, a pessoa não se contenta em ser um profissional raso; quer progredir, ascender, pertencer a grupos ou hierarquias diferenciadas. Ou seja, almeja uma ascensão profissional e tenta esta escalada no mundo corporativo por meio de uma carreira.

Em meus anos como headhunter e consultor empresarial, tenho percebido uma crescente frustração com a carreira no meio executivo. Por quê? Se almeja uma promoção e não a consegue, você fica frustrado. Caso a consiga, está preparando sua próxima eventual frustração, pois vai querer mais uma outra promoção. Para quem não sabe, a palavra carreira  deriva-se expressão latina “via carrera”. Na prática, isso significa a via ou o caminho das carroças e carretas.

Não é uma boa definição? A pessoa entra nos trilhos e não consegue sair mais daquela via. Podemos dizer que ficou “bitolada”.

Se emprego não é a solução, nem profissão e tampouco a carreira, qual é a saída que lhe dará a auto-estima, a realização e a liberdade? Esta palavra, meu caro leitor, é a vocação, que também vem do latim e significa "sua voz interior", "seu chamado". Para aqueles que encontram sua verdadeira vocação através do auto-conhecimento, o universo celebra e conspira a seu favor.

Por fim, chegamos ao topo da pirâmide, onde meu cume encontra com o de Maslow. Denominei de "Missão", palavra que provém do verbo latim “mittere”, "enviar".

Um missionário é uma pessoa enviada para pregar a palavra, assim como um míssil é um artefato enviado para atingir determinado alvo. Por certo, fomos todos enviados aqui à Terra para cumprir nossa missão, que é fazer esse mundo melhor do que o encontramos. Mas, infelizmente, são raras as pessoas ou líderes no mundo corporativo que transcenderam a história e o tempo e deixaram suas marcas perenemente.

Muitos indivíduos estão agarrados ao seu emprego, ficam na base da pirâmide. Alguns demasiadamente preocupados com a sua profissão, que por vez pode até ter sido mal escolhida. Outros estão bitolados e frustrados com sua trajetória profissional. Dê uma chance a si próprio e dê ouvido à sua voz interna: a sua vocação. Só você tem acesso a ela e mais ninguém.

Vendo as pirâmides de Teotihuacán, que sobrevivem a todas as intempéries por séculos e séculos, tenho certeza que os líderes da época as ergueram motivados por sua vocação e por uma missão. E nos dão uma lição valiosa: aqueles que encontrarem sua verdadeira vocação deixarão um rico legado para posterioridade.

Resta saber agora, leitor, onde você se encontra na pirâmide. Você está usando suas competências, esforços e força de vontade para escalá-la?

 

 


Por Robert Wong (autor dos livros “O Sucesso Está no Equilíbrio” e “Super Dicas para Conquistar um Ótimo Emprego” e um dos palestrantes mais inspiradores e requisitados do mercado)

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HSM Online
24/09/2009

Espaço do leitor: 22 Comentários
Comentários:
Juca disse:
Dezembro 16 de 2009 às 13:50 hs.
Achei batuta.:)
REINALDO disse:
Dezembro 15 de 2009 às 14:37 hs.
PRECISO DE AJUDA, POIS TENHO UMA PEQUENA LOJA E ME BATO MUITO COM ELA
Cândido Lustosa - To/Go disse:
Dezembro 14 de 2009 às 13:38 hs.
Para uns é uma visão "holística", "sonhadora". Para as pessoas que trilham neste caminho não tão tradicional, tem uma vida de conflitos, pois a começar pelas as pesssoas que estão à sua volta, como a familia e seus amigos não as compreendem. Porém ,se mais pessoas descobrissem isto, nós teriamos um mundo bem melhor, bem mais cuidado.
Adir Ribeiro disse:
Dezembro 3 de 2009 às 10:41 hs.
Tive a oprotunidade de participar de um mesmo projeto que oRobert, o ICF (Inst. CEO do Futuro), aliás belíssimo projeto que tem o Wong como um de seus precursores, e me encanta a forma como as coisas são vistas. Posso testemunhar que estar próximo de sua vocação o faz mais feliz e realizado...e por consequência, os resultados aparecem....tenho a sensação que essa vida é muito curta (cerca de 80 anos só) para ser infeliz! Obrigado pelo brilhante artigo! Ah, vale lembrar que trabalho vem do latim Tripalium, instrumento de tortura...não dá para ver o trabalho dessa maneira...temos que refletir bastante e tentar encontrar caminhos menos pesados e que atinjamos nossos objetivos pessoais e profissionais! Valeu!
Ronaldo Ribeiro disse:
Dezembro 1 de 2009 às 10:29 hs.
Bom artigo, mas na altura da minha carreira(rsrs, parece que não tenho mesmo vocação), com 11 anos na Administração de uma pequena empresa, muitas coisas começam a se confundir, como abandonar uma empresa que lhe deu tudo que tem? ex: Casa, Carro, Reserva Financeira, que mantem todas as contas da minha familia em dia? que paga um salário, melhor que comparado ao mercado? Estas perguntas fervem na minha mente porque me sinto estagnado, cançado, e por fim sem vocação para dar continuidade a este projeto, como buscar o topo da piramide? sem ficar com medo que a base lhe falte e vc esborrache no chão???
Paulo Oliveira disse:
Novembro 27 de 2009 às 07:44 hs.
Excelente artigo do Robert Wong, observamos com tranquilidade que muitos profissionais confundem a posição de CARREIRA com VOCAÇÃO.paulocezar@oi.com.br
Thiago disse:
Novembro 25 de 2009 às 11:50 hs.
no nível profissional que me encontro hoje, este texto foi excelente!em relação ao 1º comentário, cuidado com a zona de conforto!
Paulo Feitosa disse:
Novembro 24 de 2009 às 13:14 hs.
Interessante a visão no entanto acho questionável a questão da necessidade de "escalar" a piramide, vejamos duas razões:a) Existem pessoas que exercem sua profissão por vocação e desde cedo atendem este chamado (ex:médicos, professores, sacerdotes, advogados), ou seja, não foi necessário "subir na escala" para conseguir chegar ao topo.b) Existe também casos de de pessoas que tem uma profissão por vocação porém algumas vezes estão desempregadas.
poliana.souza@vale.com, milton.antonio@vale.com disse:
Novembro 23 de 2009 às 19:28 hs.
Para conhecimento.
Henrique da Luz disse:
Novembro 23 de 2009 às 14:13 hs.
Interessante a abordagem de Wong. A analógica pirâmide de Wong inspirada em Maslow, poderia ter mais uma etapa, que chamo de Visão. É imperativo que aliada ao "Emprego" (etapa básica), à "Profissão", à "Carreira", à "Vocação" e a "Missão", o ser humano tenha na visão das coisas os objetivos que devem ser alcançados. A visão global é fundamental para a vocação, a assertivadade da escolha da profissão, da carreira a ser seguida, e da missão a ser perseguida. Parabéns a Wong pelo ótimo insight.
Cassio disse:
Novembro 22 de 2009 às 04:40 hs.
Muito Interessante a sua pirâmide. Já adotei! Comecei a pensar quando é que as empresas vão começar a desmontar os planos de carreira e começar a tratar dos planos de missão. Talvez seus colaboradores ficassem menos frustados e ai sim poderiamos pensar em felicidade no ambiente de trabalho.
José Zulmar Lopes disse:
Novembro 17 de 2009 às 12:03 hs.
Tem muita gente que esta enterrada no sarcófago mas com todas as riquezas possíveis: enterradas como os faraós. É a maioria de nossos politicos do Congresso: mortos para o povo e vivos para suas riquezas.
Valquíria Noronha disse:
Novembro 13 de 2009 às 19:33 hs.
Eu acredito que eu esteja na base da pirâmide atualmente, mas eu tenho em mente de escalá-la ao longo da miha vida. Porém, a vocação será meu ponto mais alto!
Carla Queiroz disse:
Novembro 10 de 2009 às 10:20 hs.
Trabalho numa multinacional cujas oportunidades ficam restritas aos homens. Isto é marcante. As mulheres que conseguem alguma posição relevante (não as melhores que fique claro) ou são parentes de altos executivos ou são extremamente bonitas (neste caso, ficam na posição de Assistentes Ad Eternum...) Quais características acredita ser importante para que uma mulher consiga obter sucesso na carreira sem parecer masculina demais ou ter um caso com o chefe?Seria muito interessante ouvir o seu comentário a respeito. Obrigada.
PAULO NAPOLI disse:
Outubro 29 de 2009 às 15:29 hs.
Há algum tempo venho me debatendo em encontrar meu "oceano azul". Um lugar onde a constante luta por um lugar onde eu possa desenvolver meu trabalho seja algo mais agradável e reconhecido. Longe daquele "oceano vermelho" onde todos querem a mesmas coisas, os mesmos sucessos, os mesmos lucros, e as mesmas frustrações. Não sei Mr. Wong se este oceano azul do qual procuro, trata-se da tal vocação que me apresentas. Só sei que estou bem perto de achá-lo, pois sinto o cheiro da realização vindo na brisa desse oceano, onde navegar será sempre preciso, intenso e realizador.
Paulo disse:
Outubro 25 de 2009 às 15:49 hs.
Alcançar o topo desta pirâmide é muito difícil. Vivo nesta "busca" pela minha missão e o que me dá forças para persistir são aquelas pessoas que passam sua vida inteira se esforçando, conscientes que as conquistas são efêmeras... o que tem valor perene é o caminho.
Philippe Pellegri disse:
Outubro 24 de 2009 às 02:48 hs.
Matéria muito interessante e muito bem escrita, que confirma minha opinião: procurar sempre sua verdadeira vocação. Obrigado Mr Wong.
César Henrique Vendrame disse:
Outubro 22 de 2009 às 08:14 hs.
Muito interessante e pertinente o assunto, principalmente no que diz respeito a vocação. Acredito que esse conflito acaba ocorrendo mais cedo ou tarde na vida de praticamente todos. São poucas as pessoas que têm o pleno conhecimento da vocação. Essas pessoas provavelmente tiveram , apoio familiar, professores, amigos, enfim pessoas que conseguiram identificar e estimular essas características no inicio da carreira profissional. A vida é feita de muitas variáveis que nos colocam em caminhos que não permitem um "escolher consciente" , o que causa frustrações diversas, porém, mesmo assim temos uma oportunidade impar de utilizar o que aprendemos (mesmo que sem escolha consciente, pois isso virou experiência) e descobrir através da auto-análise o que realmente gostamos e somos. Talvez quem sabe vincular ambas as coisas na busca de nossa missão. " Quem tem vocação não trabalha, se diverte" Desejo muita diversão a todos os companheiros de profissão.Cesar H. Vendrame
Cadu reis disse:
Outubro 19 de 2009 às 21:28 hs.
Excelente artigo do Robert Wong. O artigo chega em uma boa hora, já que cheguei aos 32 anos e venho me fazendo questionamentos sobre a minha carreira. Realmente esta visão mais holística nos permite refletir sobre a busca pela verdadeira vocação.
danidani disse:
Outubro 6 de 2009 às 23:09 hs.
Robert.....Primeiramente, preciso lhe dizer que lhe admiro muito como pesssoa e profissional. Desde o inicio de minha carrerira profissional trabalhei na empresa de minha familia, hoje com 30 anos de idade e quase 10 anos de empresa, sinto uma grande necessidade de trabalhar em outra organização, que não seja familiar. Comçei a mandar curriculum para várias empresa, mas sinto uma grande resistencia em ser aceita no mercado de trabalho, memso porque, o nome da empresa em que trabalhei minha vida toda, tem o meu nome, pois foi criada no mesmo ano em que nasci. Em sua opinião, o que eu poderia fazer para tentar uma recoloçao no mercado?Desde de já agradeço sua atenção.meu e-mal é:danidanigomes@hotmail.com
Fernando disse:
Outubro 6 de 2009 às 14:50 hs.
Me pergunto se, para os "millennials" - ou Geração Y -, essa mesma pirâmide pode ser aplicada.
Paulo Nitoli disse:
Setembro 30 de 2009 às 16:13 hs.
Uma visão mais holística de como se conduzir na vida profissional, como esta, nos remete a procurar nossa verdadeira vocação.Importante também nisso tudo é saber o que nos faz feliz, pois assim as possibilidades de deixar esse mundo melhor do que o encontramos fica maior.Agradeço ao Mr Wong por nos brindar com esta forma de ver a caminhada profissional.
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