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A segunda parte da apresentação do negociador John Howard foi realizada no formato de perguntas e respostas. Confira.
Leia mais: Concentre-se nos interesses comuns
O consultor Cesar Souza conduziu a entrevista com John Howard, realizada em seguida à palestra que o australiano realizou. Howard falou de negociação, meio ambiente e relações com o Brasil.
Além das habilidades que o sr. destacou em sua apresentação, que outras habilidades o sr. considera essenciais para um negociador?
São duas: o negociador tem de ser muito paciente e jamais perder de vista sua bússola moral.
Quem são os principais negociadores que o sr. citaria como referências?
Citaria Margareth Thatcher que foi muito importante no acordo com a Irlanda do Norte, assinado no governo de Toni Blair. Ele próprio também é uma referência. O primeiro ministro da Índia Manmohan Singh, também me impressionou muito por sua visão e postura. Disse-me: “Temos muito em comum, mas não temos muito a fazer juntos”. Causou-me impacto como pensador. Hilary Clinton é outra negociadora pela qual tenho muito respeito. Admiro João Paulo II, por sua postura na época da queda do muro de Berlim, Nelson Mandela, por sua estatura moral, capaz de perdoar quem o submeteu por 27 anos, e Winston Churchill, por sua atuação na Segunda Guerra Mundial. Ele é o melhor negociador de todos os tempos, sem sombra de dúvidas.
Como o sr. liderou a transformação da Austrália em um país muito mais desenvolvido do que era antes dos seus mandatos? Seu país teve um dos maiores índices de crescimento da história, queda acentuada de desemprego e aumento da renda per capita, por exemplo.
O crédito não é todo meu. A Austrália sempre teve um padrão de vida elevado. Temos muitos recursos naturais e uma população bem educada. Tivemos mudanças estruturais e econômicas muito grandes, tanto no meu governo quanto no anterior. Reestruturamos sistema tributário liberalizamos o mercado de trabalho e nossa política fiscal é extremamente disciplinada. Quando chegou a crise mundial, não tínhamos dívida alguma e ainda contávamos com boas relações comercias, como com a China. Se juntarmos tudo isso, temos uma boa base. Temos uma economia aberta e uma sociedade aberta, pois pessoas do mundo todo vão viver em nosso país. Entretanto, para ser historicamente justo, preciso mencionar o trabalho de governos anteriores.
Por que a Austrália não assinou o Protocolo de Kyoto?
Na época, não estava no interesse nacional da Austrália assinar o protocolo, porque estaríamos amarrados pelo protocolo. Não o ratificamos, mas atingimos o alvo das emissões de gases. Kyoto, agora, está obsoleto, pois acaba em 2012. Importa saber o que virá então. Politicamente, não foi bom não assinar o acordo, porque Kyoto tornou-se símbolo de uma causa. Penso, contudo, que a resposta mais eficiente à questão climática é baseada em tecnologia. O mundo tem de se concentrar em investir em tecnologia limpa. Vai levar muito tempo até que a energia eólica e a solar sejam suficientes. Também defendo o uso inteligente da energia nuclear.
O volume comercial entre Brasil e Austrália ainda é pequeno. O que diria aos empresários que aqui estão?
Uma das áreas principais para investimento é a mineração. A Austrália tem muita experiência nessa área e o potencial do Brasil também é muito alto. Também vejo um potencial grande no setor educacional, para fazer com que os brasileiros estudem mais na Austrália. A melhor coisa que se pode fazer entre dois países é cuidar da educação. Passamos por negociações difíceis com o governo malaio, mas a relação básica entre nós nunca foi enfraquecida, porque tínhamos acordos na área de educação.
Qual é seu maior sonho?
O ideal da paz mundial. É um desejo utópico, porém. Considerando algo mais factível, desejo que os povos indígenas da Austrália tenham os mesmos padrões de educação, saúde e trabalho que os demais australianos. É muito fácil colocar no papel que somos iguais, mas é preciso dar oportunidades reais.
Leia mais: Concentre-se nos interesses comuns
HSM Online
30/09/2009
Confira a cobertura completa do Fórum Mundial de Negociação 2009.
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