Michael Useem iniciou o Seminário Internacional pedindo aos participantes que se apresentassem e tentassem conhecer um pouco uns aos outros. A dinâmica demonstrou o que o professor da Wharton School considera um dos pilares de uma boa liderança: as pessoas e os relacionamentos que elas mantém.
Esse ponto foi ressaltado durante todo o evento, no qual Useem citou diversos casos reais envolvendo alguns dos nomes mais conhecidos do universo da gestão, como Jack Welch, Robert Iger e Louis Gerstner. Explorando as teorias que permeiam as técnicas de liderança, o palestrante estimulou os participantes a pensarem em questões como a função do líder nas organizações modernas. Useem trabalhou bastante com desafios, propondo situações e pedindo ao público que resolvesse dilemas reais enfrentados por CEO"s de grandes corporações.
O discurso de Useem deixou claro que um dos maiores desafios da liderança hoje em dia é tirar proveito dos momentos de crise e mudança e transformá-los em oportunidades de crescimento e inovação. Para isso, o líder precisa estar cercado de um time capaz, alinhado e motivado. "A liderança não se faz sozinha. Você precisa ouvir sua equipe, dar atenção às idéias divergentes e considerá-las".
Ele destacou também a importância de saber montar uma equipe, pois isso pode definir o sucesso ou fracasso de um CEO e de uma empresa. "Pense nas pessoas que você coloca trabalhando para você. Se você se cercar de pessoas com as qualidades certas, seu valor como profissional pode subir muito".
Motivação
Porém, para contar com equipes, é preciso fazer com que elas queiram segui-lo e estejam dispostas a aderir aos objetivos da empresa. "Todos se sentem motivados por razões diferentes. Como alinhar isso e extrair o melhor de todos?" Para chegar a um resultado, Useem demonstrou o modelo de motivação humana baseado nas necessidades, teoria desenvolvida por David McClelland. A teoria aponta que as pessoas têm necessidade de:
Realização: voltada para metas; foco em metas moderadas e realistas; quer responsabilidade por resolver problemas. Busca desafios, riscos calculados, feedback específico.
Influência: voltada para o processo; quer influenciar e controlar outros; busca competir; não gosta de perder; disposição para desafiar os outros.
Sociabilidade: voltada para as pessoas; quer relações fortes; busca cenários de grupo e trabalho em equipe.
Useem afirma que essas três motivações podem ser ensinadas e aprendidas e a importância relativa de cada uma varia conforme a tarefa, o nível hierárquico e a organização.
Entretanto, a maioria dos profissionais continua dando menos resultados do que poderia devido à estrutura das empresas, que ainda é emperrada e voltada ao trabalho rotineiro, repetitivo e excessivamente controlado. "Dar autonomia e responsabilidades às pessoas é um jeito rápido de melhorar sua produtividade", explica.
Da mesma forma, as pessoas buscam por recompensas e reconhecimento, financeiro ou não. E o palestrante lembra que os líderes precisam tomar muito cuidado com as injustiças - a disparidade entre o trabalho realizado e a recompensa recebida - para não acabar diante de um grupo que não dá resultados porque simplesmente não vê motivos para isso. "O desempenho dos funcionários muda conforme são designados para escritórios mais ou menos desejáveis, por exemplo".
Portanto, o desafio da liderança é compreender essas motivações e canalizá-las para as metas da organização. "A maioria das pessoas tem necessidades variadas de realização, influência e sociabilidade e, portanto, adapta suas tarefas de modo a valer-se dessas motivações para atingir os objetivos da empresa", afirma.
HSM Online
22/10/2009