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Pensar “fora da caixa” pode ser muito rentável

É raro ter idéias novas sem sair da rotina, mas a maioria dos escritórios de criação ainda não aceita que funcionários deixem local de trabalho.

É ótimo quando as pesquisas científicas confirmam aquilo que a gente sabe, mas não podia apresentar com dados, não é mesmo? Foi o que aconteceu na edição de setembro/outubro da revista HSM Management: foi publicado um artigo e uma entrevista com o Professor Gregory Berns, físico, neurologista e engenheiro biomédico que trabalha nos departamentos de psiquiatria e economia da Emory University, nos Estados Unidos.

O livro mais recente do Prof. Berns se chama “Iconoclasta: um neurocientista revela como pensar diferente.” No livro, o professor divulga resultados de suas pesquisas na área do pensamento criativo e da inovação. São conclusões importantes do ponto de vista científico, mas nem todas chegam a surpreender quem passou a vida toda trabalhando com criatividade e inovação numa base diária. Uma das conclusões mais diretas e efetivas de Berns é a seguinte:

“Para “pensar diferente” a atitude mais benéfica que você pode ter é se colocar fora de seu ambiente usual. É raro que as pessoas tenham idéias novas enquanto estão sentadas em seu escritório ou interagindo com as mesmas pessoas todos os dias. Observamos que se colocar em uma circunstância inédita ou diferenciada, seja numa viagem ou encontrando pessoas que não vemos todos os dias, é de longe a melhor forma de fazer com que o cérebro saia de seu modo previsível e desperte a criatividade inerente.”

Os escritores sabem disso há muito tempo, daí tantos “livros de viagens” e romances escritos durante estadias em países diferentes, as chamadas “obras do exílio”. Pintores também são famosos pela inspiração fornecida por novos ares e paisagens diferentes. Diretores de cinema como Woody Allen e David Lynch já endossaram a tese. E os melhores criativos que conheço, inclusive nas várias agências nas quais trabalhei, sempre foram unânimes em apontar o valor inestimável de mudar o cenário para ter suas melhores idéias.

Ao sair da mesa, tomar um café, ir até a esquina para comprar um sorvete, ou qualquer coisa que quebre a rotina e os tire de trás de suas mesas, a criatividade sempre parece fluir melhor, com mais facilidade, mais rapidamente. Naturalmente, isso sempre foi verdadeiro pra mim também, e por isso sempre estimulei as equipes de criação que dirigi a terem essa atitude de mudar de ares e evitar a rotina de ficar atrás da mesa. Previsivelmente, nem sempre isso agradou a todos nas agências onde trabalhei.

Muitas vezes o pessoal que não era diretamente responsável por criar a nova idéia, a campanha ou o plano inovador achava que se a equipe não estava sentada à mesa, fazendo cara de compenetrada, escrevendo ou ilustrando, não estava produzindo.

Sempre defendi o contrário – o criativo é mais produtivo sempre que ele ”sai da caixa”, qualquer que seja a caixa: a mesa, a baia, a sala de reuniões ou o horário exato que se espera que ele faça. Milhares das melhores idéias aconteceram enquanto os criativos estavam dirigindo de volta pra casa; quando estavam tomando banho na manhã seguinte ao dia do briefing; quando eles saíram de suas mesas para tomar um café e dar uma volta – sem necessariamente fazer cara de conteúdo: simplesmente indo até a padaria da esquina, despreocupadamente.

Pensando bem, nada mais óbvio: para que as pessoas pensem fora da caixa, deixe que elas saiam das suas caixas! Parece a coisa mais simples do mundo – mas não costuma ser simples no cotidiano. Os empresários, os clientes e o pessoal do atendimento normalmente reclamam, se chateiam e agem como se o criativo não estivesse fazendo seu trabalho cada vez que ele tenta sair da caixa física, ou da caixa dos horários exatos aos quais a burocracia gosta tanto de submeter as pessoas na ilusão de controlá-las. No caso de um trabalhador intelectual que executa tarefas criativas, um controle absolutamente ilusório, porque ficar sentado à mesa com cara de preocupado nunca ajudou ninguém a ter uma idéia feliz, inovadora, inspirada, arejada.

De fato, como também está hoje comprovado cientificamente, idéias felizes e produtivas têm mais chance de acontecer quando as pessoas estão felizes. Trancadas nos limites da sala, do horário estrito e da burocracia, as pessoas ficam menos felizes. E suas idéias ficam burocráticas, sem graça, sem inovação.

Curioso que burocratas cinzentos se perguntem “porque é tão difícil encontrar idéias que sejam realmente “fora da caixa?”. É exatamente por aquela atitude que os criativos sempre valorizaram tanto, e que os mesmos burocratas sempre chamaram de bobagem, frescura, ou coisa muito pior.
Mas agora, pasmem: tem até comprovação científica!

Por Paulo Ferreira, publicitário, consultor especialista em Gestão Estratégica de Negócios. Atua também como consultor de imagem e comunicação para diversas empresas por meio de sua consultoria, a Wasaby Innovation.

HSM Online
30/10/2009

Espaço do leitor: 11 Comentários
Comentários:
Augusto Mazzoni Pierzynski disse:
Novembro 23 de 2009 às 09:47 hs.
Trabalho com TI e sabemos bem o que é isso. Existe aquele dia que é improdutivo, que não conseguimos resolver aquele problema "zicado". Nada como ir pra casa estressado e no dia seguinte conseguir solucioná-lo em 10 minutos!!! Essa tese é conhecida por muitas pessoas que ocupam cargos importantes, mas não é fácil implementar a idéia devido aos antigos costumes que as empresas pregam quanto a horários, reuniões, etc. Mas um dia isso vai mudar!
Filipe Frota disse:
Novembro 11 de 2009 às 15:37 hs.
A idéia de que, para pensar fora da caixa você precisa sair da caixa; resume muito bem o tema. Concordo com o Marco, as empresas devem fomentar atividades que reciclem a perspectiva dos funcionários. Os exemplos deste comentário são totalmente válidos. Este tipo de situações permitem o distanciamento de paradigmas locais e habilitam as pessoas com uma perspectiva mais dinâmica. Normalmente as pessoas com vivência em diferentes contextos culturais e sociais, e que tenham ocupado diferentes posições em diferentes industrias ao longo de sua carreira, tendem ser mais criativas. A criatividade precisa de "food for thought"
Marco Deléo disse:
Novembro 6 de 2009 às 13:13 hs.
Perdão escrevi resenha com Z !!!!!!! falha nossa !!!!
Marco Deléo - consultor disse:
Novembro 6 de 2009 às 13:11 hs.
Gostaria de acrescentar algo mais a esta ótima rezenha do Paulo ; falta aos diregentes das empresas onde circulam os criativos a visão de como estimular a criatividade dos mesmos , e explico como isso pode se dar ( olha ai dicas de graça ) , a direção de uma agência por exenplo : ao receber um briefing deveria analisa-lo e propor ao criativo coisas como visitar a empresa e a produção da mesma , frequentar eventos ou lugares que estivessem relacionados com a empresa , suas características e seus consumidores , formular uma biblioteca de temas culturais que poderiam ajudar na criação e por ai vai ........lembrando sempre que o que mais vale para qualquer empresa são as idéias e a sua gestão ....... criativos ponham fogo nas mesas e instalem um sofá ...
Daiana Sampaio disse:
Novembro 3 de 2009 às 13:50 hs.
Pensar "fora da caixa" é "desbravar oceanos azuis"! Inovação vem do novo, do "fora", o que está "dentro" da caixa é o que todo mundo faz todos os dias, é limitado. Sucesso a todos.
antonio santtini disse:
Novembro 3 de 2009 às 06:53 hs.
pensar fora da caixa,é a mais antiga das ferramenta de nosso intelecto,no entanto o mercado para nossa sastisfaçao,pessoal,usa muitissimo pouco desta maravilhoso ferramenta,isto é divino do ponto de vista das pessoas realmente,criativas,as pessoas ex;innocentive entre os grandes lances de apensa criar solutions.
walter roberto marinho disse:
Novembro 3 de 2009 às 06:42 hs.
Concordo totalmente com o artigo acima. Perfeito.Confirma, oficialmente, o que sempre pensei. Longe do escritório e da empresa que pensamos melhor. Na conversa com amigos, é que temos lampejos de idéias novas!Obrigado pelos artigos tão importantes que recebo!Walter
J.Dhias disse:
Novembro 2 de 2009 às 05:39 hs.
Uau!! Isso é fantástico!!!Concordo em "gênero, número e grau". A criatividade seguida da inovação (idéia criativa ação), necessita de diversificação, especificamente, quanto ao aspecto abordado. Muito feliz o artigo. Parabéns!Cordiais saudações.
LILIAN E.LIMA disse:
Outubro 31 de 2009 às 10:28 hs.
VOCÊ GOSTARIA DE ENCONTRAR PEDAÇOS DE FRUTA EM SEU REFRIGERANTE?PORQUE OS ASIÁTICOS ADORAM!
Darlene Maciel disse:
Outubro 31 de 2009 às 08:07 hs.
Sr.Ferreira,O exposicionamento de seu trabalho é interessantíssimo. Até o momento em que o li, tinha este pensamento burocrático que o senhor mencionou.Parabéns pelas comprovações científicas e principalmente por abrir as mentes fechadas para um mundo de descobertas. Realmente como contadora meu mundo é fechado, mas em vários momentos durante minhas caminhadas tive insights sobre assuntos que mudaravam o rumo dos negócios. Inclusive costumo dizer que é mas caminhadas que tenho grandes idéias. E quanto a cobrança de horário é algo que realmente não entedemos, mas se faz entender que o importante é a satisfação que temos no trabalho que desenvolvemos. Mais uma vez parabéns.
Alexandre Nascimento disse:
Outubro 30 de 2009 às 13:16 hs.
Aleluia!Tive um verdeiro alivio em ler este texto e ver que há mais pessoas que pensam como eu. Não trabalho com criação, sou auditor, mas tenho que ser extremamente criativo e descobrir sempre novas maneiras de abordar os mesmos assuntos e sempre ter um Ás na manga ou um coelho na cartola, mas dentro de um estrutura burocratica, parece que as idéias vão secando.Palmas para seu texto. Se aplica a diversas áreas e de diversas formas.Falta visão aos gestores atuais.
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