Marketing
10 lições para não cair em armadilhas de Branding

Jaime Troiano, especialista no tema, fala sobre cuidados que as empresas devem ter atualmente na construção e manutenção de suas marcas.

Que tal reduzir frequentemente a verba de comunicação da sua empresa? Ou então mudar constantemente de agência, de preferência a cada ano. Gaste o mínimo possível em pesquisa sobre a saúde e a personalidade da marca. Estas são algumas das “dicas” de anti-branding que compõem a palestra Branding: 10 lições para não cair em armadilhas, de Jaime Troiano, um dos maiores especialistas do segmento no Brasil.

É claro que o executivo não ensina como fazer o anti-branding. Até porque, que profissional de Marketing  teria interesse em conhecer mais sobre este tema? Ele destacou a diferença entre a aparência e a essência de uma marca, projetos de felicidade que compõem o imaginário de quem faz uma compra, brand equity, força de marca, a real importância do nome, o poder multiplicador de marcas fortes, a marca das marcas, ‘surubrand’, visão interna da marca, além do anti-branding.

Nome, essência e aparência
Em muitos casos, no processo de criação de uma marca, a escolha do nome é vista como a etapa mais importante. De acordo com Troiano, o nome é só o começo. “Tem profissional de Marketing que acha que, ao descobrir o nome certo, já ganhou a guerra. Não é bem assim”, afirma. Exemplos não faltam. Quando é que imaginaríamos que o nome Itaú (que significa pedra em Tupi-Guarani) seria o líder do setor bancário? Será que os executivos de Marketing da Tigre achavam que este nome significaria sucesso e liderança de mercado? O que dizer então de Flamengo, Gol, Claro, Toddy... “Nome não quer dizer muita coisa, mas sim o que se constrói ao redor da marca”, diz.

Separar a essência da marca de sua aparência é necessário para não cair em armadilhas deste território indefinido chamado Branding. Despreze as primeiras coisas que são ditas pelo seu cliente porque nem sempre o que ele diz é o que ele sente na verdade. “No Sul de Minas Gerais visitei uma casa muito humilde que tinha uma embalagem de OMO do lado de fora. Perguntada sobre o motivo de usar o produto, a consumidora citou algumas qualidades. Mas o seu objetivo era mostrar para a vizinhança que ela não é tão pobre quanto parece”, explica Troiano.

O poder das marcas fortes é um fator multiplicador. Basta ver as extensões que são lançadas no mercado a cada dia. É cada vez mais comum as marcas se multiplicarem e oferecerem produtos em outras categorias. Porém, é preciso entender e estudar o que o especialista chama de "gôndola mental do consumidor". “Nada mais é do que lançar um produto em uma nova categoria e o consumidor olhar no ponto-de-venda e achar que já existia. Quando o Yakult lançou um shampoo, logo retiraram do mercado porque este tipo de produto não constava na gôndola mental do consumidor”, ensina. Exemplos de sucesso são as extensões das marcas Walita, Tilibra, Capricho e Dona Benta.

Tangível X intangível
Para realizar um bom processo de Branding é necessário levar em conta o trabalho de Marketing que faz com que o consumidor busque projetos de felicidade com a marca. Pesquisas mostram que uma marca pode ocupar o espaço de idealização na cabeça do consumidor e fazer com que ele seja visto e aceito como ele gostaria. Outra lição é a busca pelo verdadeiro Brand Equity, ou o valor patrimonial de uma marca.

Sabe-se que os ativos de uma marca podem ser tangíveis e intangíveis. Já o Brand Equity não pode ser medido pela imagem, personalidade, força ou atração que uma marca exerce. Para se chegar ao denominador comum, Troiano divide o valor da marca (intangíveis) pelo valor real da empresa (tangíveis). Segundo o especialista, a Tam possui valor patrimonial é 2.6 vezes maior que o de mercado. A Natura apresenta 16.6 vezes mais valor intangível do que tangível, por exemplo.

Com base em pesquisa, Troiano aponta para dados que mostram o valor intangível de marcas em diferentes categorias. Empresas que atuam na área de produtos B-2-B têm 10% a mais de valor de marca enquanto produtos de consumo aumentam em 35%. Produtos com apelo de imagem, como as categorias de cerveja e automóvel, crescem 50% em valor de negócio, perdendo apenas para produtos de auto expressão, ou de Luxo, que ganham 80% mais valor por conta de sua marca.
Auditoria de marca e poder multiplicador

Para avaliar o nível de aceitação de uma marca é necessário medir sua força. Através de uma pirâmide de auditoria de marca, feita com base em pesquisa da Troiano Consultoria de Marca, é possível ver que os níveis médios de força são de 9% para os idealizadores (os advogados das marcas), 8% dos que têm preferência pela marca e 62% de consumidores que conhecem e se familiarizam com uma marca.

Já os que rejeitam representam 14% e apenas 7% dos entrevistados desconhecem a força de marca.
Nota-se que a maior parte do mercado não tomou decisões definitivas (62%) e, portanto, o espaço para conquista de novos consumidores está aberto. “A auditoria de marca mede a força dela e a sua variação. É preciso medir onde está e onde a sua marca estará após um ano”, aponta Jaime Troiano.

Uma estratégia de Branding não é só para as marcas que estão nas gôndolas. Assim como qualquer produto de consumo, a marca-mãe, ou a marca das marcas precisa ser disseminada. É o que faz a Unilever, em peças veiculadas em revistas e impressos diversos sobre seu aniversário de 80 anos no Brasil. “A comunicação corporativa que veicula a marca das marcas remete à paternidade, poder de mercado, orgulho, reputação. Assim como as empresas mais prestigiadas publicadas todo ano na revista Época Negócios. Bons caminhos são a responsabilidade social e ambiental, qualidade de produtos e serviços, capacidade de inovação, admiração e confiança, história e evolução”, destaca.

Quando mais é menos
Muito cuidado com processos de fusões, aquisições ou takeovers. Para o Branding, esta pode ser uma das piores armadilhas. Mudar a marca, mesclar a comunicação com a empresa parceira de forma amadora ou desconexa, pode resultar no que Jaime Troiano chama de ‘surubrand’. “É o caso da sobrinha do presidente de uma empresa que se formou em design e propõe mudanças na comunicação visual de uma marca. Ao mudar a logomarca, o cartão de visitas, o layout do site, por menor que seja a mudança, a marca perde sua identidade”, salienta.

Mostrar como a empresa é do lado de dentro é uma das lições que integram a obra de Jaime Troiano. Normalmente, o número de colaboradores que gostam da empresa em que trabalham é maior do que o de consumidores com o mesmo sentimento. Ao realizar um trabalho de Branding para uma marca de pneus, a Troiano Consultoria percebeu o contrário.

“Dentro da empresa eram 10% de colaboradores que a defendiam, contra 15% de consumidores. Para que uma marca cresça é fundamental começar a divulgar e treinar as pessoas de dentro e dar a elas um verdadeiro banho de marca”, define.

Lições para um bom anti-branding
Para completar as lições propostas por Jaime Troiano, o anti-branding aparece para mostrar como não agir para se obter um processo de Branding satisfatório. Reduzir sempre a verba de comunicação e contentar-se com informações que giram apenas dentro da empresa são as primeiras “dicas”. Além disso, mudar constantemente de agência e centralizar a função de gerir a marca apenas ao departamento de Marketing ou de comunicação caminham juntos com a economia que deve ser feita em pesquisas sobre a saúde e a personalidade da marca.

Outro passo para o anti-branding perfeito é acreditar que o importante é ganhar o prêmio Top Of Mind, achar que a propaganda resolve tudo ou, pelo contrário, não resolve nada, e investir pouco ou quase nada em recursos de design. “Pense no consumidor de classe C e D como se ele fosse um consumidor A/B só que em versão 1.0”, brinca Troiano.

Seguindo essas determinações, o profissional de Marketing poderá conseguir sua demissão - ou a quebra da empresa - em tempo recorde. E por último, o anti-marketing espera que este profissional acredite que as marcas são fortes o suficiente para resistir a tudo isso.

Por Thiago Terra, do Mundo do Marketing


HSM Online

06/11/2009

Espaço do leitor: 19 Comentários
Comentários:
Juliana Meurer - UNIVALI disse:
Dezembro 1 de 2009 às 20:10 hs.
O artigo traz pontos chaves no que diz respeito a marca. Construir e manter a marca é um trabalho árduo para os profissionais de marketing, por isso o autor ressalta ser um desafio criar marcas com maior identidade com menor custo possível. Criar uma essência detentora da confianbilidade do cliente. Assim pode ser observado que elementos como essência e aparência da marca são diferenciados para que haja maior atenção ao definir o brand equity. Aliada a intangibilidade a essência da marca deve procurar atender a necessidades do cliente, quanto mais forte for percebida a essência, maior o valor da empresa.
Kelly Fabian Louzada da Silva disse:
Dezembro 1 de 2009 às 18:10 hs.
O artigo é interessante, mas não concordo que a forma da empresa trabalhar não seria reduzir a verba em comunicação e sim empregá-la melhor. Reforça os conceitos trabalhados em sala de aula e um dos pontos importantes é o que trata do marketing interno, que muitas empresas precisam avaliar e implantar.
Franciele Schurhaus - RI - UNIVALI disse:
Novembro 29 de 2009 às 17:51 hs.
O texto traz reflexões muito importantes sobre a escolha da marca, porém um dos fatos principais o qual remete a a reportagem é quanto a imagem que seu produto pode estar passando aos consumidores, por isto é muito importante que a escolha da marca não seja contrária ao que de fato o produto pretende simbolizar. Realmente não basta identificar um nome para o seu produto, mas sim procurar saber qual será a sua repercussão no momento da venda. Este fato se torna ainda mais importante quando trabalha com um produto vendido internacionalmente.
Fernanda - Univali disse:
Novembro 29 de 2009 às 09:06 hs.
O artigo expõe algumas considerações importantes sobre o processo de criação de uma marca, ao afirmar que se faz necessário separar a essência da marca de sua aparência, já que, para o autor, o nome de uma marca não é tão relevante quanto o que constrói ao redor desta marca. O tema abordado demonstra mais uma vez a importância das marcas e a forma com que elas podem influenciar o estilo de vida de seus consumidores ao demonstrar que uma marca pode ocupar o espaço de idealização na cabeça do consumidor e fazer com que ele seja visto e aceito como ele gostaria. O artigo ainda menciona algumas lições como a busca pelo verdadeiro Brand Equity, ou o valor patrimonial de uma marca, como forma de fortalecer um marca no mercado.
Mahib - UNIVALI disse:
Novembro 29 de 2009 às 08:27 hs.
O conteúdo do artigo é interessante, porém não é um assunto inovador. Partes das considerações feitas já tinham sido lidas em outros textos. Uma solução para não cair nas armadilhas, é a realização de estudos sobre os hábitos dos consumidores finais, visto que através deste estudo a marca será elaborada em maior harmonia com os desejos e necessidades dos seus potencias consumidores.
Elaine - UNIVALI disse:
Novembro 29 de 2009 às 06:42 hs.
O artigo é muito bom, porem não tem nada de muito novo, os exemplos abordados são bem interessantes e mostram como a escolha da marca é importante, para conquistar novos clientes, e que a marca é algo essencial para o sucesso do produto e deve ser tratada com todo o cuidado e atenção. Conceitos esses que são básicos, e que é o mínimo que se espera de um profissional de marketing.
Eliane - UNIVALI disse:
Novembro 29 de 2009 às 06:40 hs.
O artigo reforça o que já vimos nas aulas Marketing Internacional do curso de Relações Internacionais, quando o autor comenta que muitas empresas sonham com o sucesso internacional, mas não apresentam uma marca global, e por isso, acreditam que a fusão pode ser o caminho, acabam perdendo a própria identidade e o sucesso tão esperado fica longe de acontecer. É interessante observar também, o efeito que uma marca pode ter sobre um consumidor, que acaba criando uma conexão direta entre marca e produto, não conseguindo associar o mesmo nome com qualquer outro tipo de produto senão o originário, como o caso do Yakult, que não teve sucesso com o xampu de mesmo nome do alimento. Por isso, é importante o profissional de marketing conhecer a identidade da marca e entender os efeitos produzidos pela mesma nos consumidores. Sem entender como são vistos e associados os produtos expostos nas gôndolas, fica dificil o sucesso de uma marca, principalmente em âmbito global.
Arely - Maketing Internacional disse:
Novembro 29 de 2009 às 06:34 hs.
É um artigo bem interessante.O Jaime Troiano coloca um assunto que não e recente, de maneira simples e direta, onde até mesmo uma pessoa sem conhecimento no assunto pode tirar suas próprias conclusões.
Anderson Elias - UNIVALI disse:
Novembro 28 de 2009 às 14:37 hs.
Interessante a observação feita pelo autor de que 62 porcento do mercado não tomou decisões definitivas. Há então ai uma preciosa parcela do mercado ainda por ser conquistada. Evidentemente tal coisa requer grandes esforços. Os consumidores são por essência efêmeros e com hábitos e culturas distintas dependendo da região em que se encontram. É evidente que uma uma marca pode sim criar tendências e hábitos sobre uma determinada sociedade, mas a recíproca também é verdadeira. O processo se torna mais cristalino quando se consegue uma aproximação com o consumidor, ou com os distintos grupos de consumidores. Aí reside a importância do curso de Relações Internacionais, que além de focar nas teoria de marketing e de negociações internacionais possibilita também uma visão cultural, política e econõmica das diferentes regiões do globo.
Laura - univali disse:
Novembro 28 de 2009 às 12:20 hs.
Como o artigo propõe, as marcas devem exprimir em si a imagem dos produtos. É essencial que elas possam se encaixar perfeitamente em cada produto que identificará. Caso como o do xampu Yakult, é bastane óbvio que a nome de marca não serve para uma linha de cabelos, já que ele é concebido na mente dos consumidores do Yakult como um produto alimentício. Assim, a necessidade de se pensar os diversos fatores que influenciam a percepção do consumidor sobre determinada marca para certos produtos é decisivo para o sucesso. Não basta, no caso citado, que a Yakult seja um sucesso no setor alimentício para que a marca imprima o mesmo êxito em outro setor.
wagner disse:
Novembro 27 de 2009 às 08:46 hs.
Artigo interessante, Jaime Troiano é sem dúvida um dos grandes nomes da área de branding no Brasil. A leitura desse material é esclarecedora e instigante. Agregou conhecimento ao conteúdo abordado na disciplina de marketing internacional do curso de Relações Internacionais - UNIVALI - do qual sou aluno. A importância de gestão de marcas é fundamental para o sucesso das empresas. Por isso, o debate da questão é sempre bem vindo.
Carolina Vinhas disse:
Novembro 24 de 2009 às 12:51 hs.
Artigo interessante, mas não tem muita novidade... Legal mesmo é o livro de Jaime "... as marcas no divã..."
Dário disse:
Novembro 18 de 2009 às 16:48 hs.
Como gestor de marcas na Europa, acho esta visão do Branding muito conservadora, simplista e redutora.
Diogo Moura disse:
Novembro 9 de 2009 às 05:07 hs.
Excelente este artigo apresentado, o composto que envolve a marca realmente é muito abrangente. Como profissional da area considero como um grande desafio desenvolver este trabalho.
Luis disse:
Novembro 8 de 2009 às 17:09 hs.
Nada de novo no front... Troiano sabe o que fala porque estudou e experimentou muitas técnicas aplicadas. o díficil é ver comentários como esses que parecem ser escritos por "marqueteiros" que nunca viram uma roda. Por favor, sigam o caminho da livraria, biblioteca ou sites em inglês e se atualizem! Percebam que o mundo gira a muito tempo, vocês é que estão parados.
Fabrício Ferreira disse:
Novembro 8 de 2009 às 07:18 hs.
Toda pesquisa de mercado exige saber identificar seu cliente e seu segmento. Usar instrumentos de rápido acesso às tendências de mercado, é a forma básica para montar e dar manutenção em um brand. Um verdadeiro brand, é aquele que apenas é criado para que seu cliente o molte, e lhe ensine como solidificar a marca através de sua atratividade e interesse.
Arison Souza disse:
Novembro 7 de 2009 às 10:00 hs.
O Jaime é um grande "manitou" da arte do branding. É lúcido, já viu de tudo, tem os pés no chão e alia uma grande dose de experiência com aspectos científicos. Num mar onde qualquer um que fale bem e faça algumas citações da moda vira um especialista de branding o Jaime é uma ilha!
Lupércio Hernandez disse:
Novembro 6 de 2009 às 13:44 hs.
O Jaime alia uma grande dose de lucidez, inteligencia com muita experiencia. Na minha opinião é hoje o maior especialista em branding do mercado brasileiro.Parabéns Jaime uma aula para os marqueteiros.abraço,Lupércio
Tatiana Maia Lins disse:
Novembro 6 de 2009 às 11:56 hs.
Assisti recentemente Jaime Troiano em uma palestra na ESPM e o conceito da surubrand é mesmo fantástico! Gostei tanto que virou até uma tag em meu blog: www.imagemecomunicacao.com
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