Marketing
Dez tendências cruciais de consumo para 2010

Confira o que está por vir no próximo ano, em termos de comportamento do consumidor. Nada será como antes em tempos de “madurialismo” – a explicação você encontra no item 10.

Sob a chamada “Uma bonança de oportunidades”, o site trendwatching.com selecionou dez tendências inspiradoras para o lançamento de produtos e serviços em 2010. Elas são “à prova de recessão”, porque consumidores sempre valorizam inovações que os beneficiem de alguma maneira. A lista você confere abaixo, mas leve em conta que todas as tendências já acontecem e estão permanentemente em evolução.

1. Nada será como antes: as empresas terão de acompanhar os movimentos da cultura, o que pode significar mostrar mais transparência e honestidade, conversar (em vez de comunicar unilateralmente), ou promover a colaboração. Podem, ainda, ter de encarar a questão “generosidade versus ganância”, ou ser um pouco desafiadoras e limítrofes, em vez de seguras e brandas. A sustentabilidade, em todos os sentidos possíveis da palavra, é o único caminho.

2. Urbanidade: os consumidores urbanos serão mais sofisticados, exigentes, abertos ao novo e conectados ao mundo. Crescerá o chamado “orgulho urbano”, uma referência ao sentimento de orgulho pela localidade em que se vive. Oferecer produtos e comunicação específicos para cada agrupamento urbano será uma ótima maneira de mostrar respeito aos cidadãos de todo o mundo. É o que faz a Guerlain, ao lançar fragrâncias tendo as cidades como referência. Por exemplo, o perfume Paris-New York é uma combinação de canela, baunilha e cedro.

3. Críticas em tempo real: o que você lançar em 2010 será comentado em massa, ao vivo, o tempo todo. Consumidores terão acesso a um fluxo vivo de experiências de outros consumidores. O Twitter, então, ganhará ainda mais força. Após ler uma crítica, os consumidores precisarão de mais detalhes e tentarão contato com quem comentou, sem que a empresa saiba o que está sendo dito. Nesse sentido, envolver os consumidores no desenvolvimento de produtos desde a momento zero é uma estratégia mais segura para evitar críticas ruins.

4. (F)Luxo: ainda que o luxo tradicional permaneça, “luxo” e “status” serão o que o consumidor quiser que seja –um fluxo dinâmico de significados para diferentes segmentos de consumidor, dependendo do que for considerado escasso. Poderá ser “tempo para si”, “residências para seis pessoas”, “informação relevante” ou até “não ter de consumir”. O segredo será encontrar e cunhar o gatilho correto de status para a audiência correta.

5. Reunião da massa: contrariando muitos prognósticos, as pessoas que viverão a maior parte de sua vida no mundo online também se congregarão com mais frequência. A oportunidade, então, está em facilitar o relacionamento entre pessoas afins, antes, durante e depois de um encontro off-line. É o que faz o Channel 4, da TV inglesa, ao oferecer aos espectadores um aplicativo que ensina as pessoas a organizarem festas com seus contatos do Facebook.

6. Ecofacilitação: será preciso facilitar ao consumidor ser mais “verde”, isto é, os processos e produtos devem ser mais sustentáveis, sem que o consumidor precise se dar conta disso e, se necessário, não deixando margem para a escolha de alternativas menos responsáveis. Isso talvez exija a ação de governos e empresas corajosas. A Chrysler, por exemplo, distribuirá os manuais dos proprietários de seus automóveis em DVDs, em vez de em papel.

7. Rastrear e alertar: o novo sistema de busca (tracking & alerting) permitirá que informações relevantes encontrem os consumidores, baseadas em preferências que eles voluntariamente revelam. Economia de tempo e aumento do controle das pessoas será o resultado. O MySkyStatus, da Lufthansa, envia mensagens automáticas aos amigos dos passageiros, publicando localização, altitude, embarque e chegada no Twitter e no Facebook do passageiro.

8. Generosidade embutida: generosidade e colaboração entraram no Zeitgeist, o espírito de nossa época, e toma a forma de doações vinculadas a compras, de maneira prática. Os consumidores codoam e/ou codecidem, como no caso da campanha das sopas Campbell’s, na qual os consumidores decidem, pelo voto, quais celeiros precisam de restauração. A cada voto, US$ 1 é doado para a reforma dos cinco celeiros mais votados.

9. Exploração de perfis: ajudará os indivíduos a extrair benefícios de seus perfis online. Oportunidades virão, por exemplo, da representação de consumidores que estão dispostos a divulgar aspectos de suas intenções de compra para as empresas, ou da proteção e armazenagem de registros digitais de alguém. Pela taxa única de US$ 399, o Swiss DNA Bank armazena dados do seu DNA e mais 1 GB de outros dados.

10. “Madurialismo”: o termo (“maturialism”) refere-se ao comportamento do consumidor em mercados maduros, combinando maturidade com materialismo. Eles não toleram ser tratados como desinformados, facilmente impactáveis e inexperientes. Encaixam-se em várias ou todas as tendências acima expostas. A questão para 2010 será: até onde você vai como marca, ao espelhar crenças sociais que dizem respeito a tudo, menos a ser submisso? Trata-se de ser um pouco mais ousado e distinto, se você quiser seguir o movimento da cultura. Nessa linha, a designer parisiense Nicole Locher, por exemplo, lançou uma coleção de blusas femininas com mensagens bordadas que incluíam frases como “Pequena vadia” e “Nem ouse olhar para mim”.

HSM Online
18/12/2009

Espaço do leitor: 23 Comentários
Comentários:
MAURO disse:
Fevereiro 12 de 2010 às 07:53 hs.
EXCELENTES COMENTÁRIOS EM FACE DE IMPORTANTE INFORMAÇÃO SOBRE AS FUTURAS TENDÊNCIAS...MAS NÃO ESQUEÇAM O HOJE...
Cristiano Dornelles - Agência BRAINBRAIN disse:
Fevereiro 10 de 2010 às 06:01 hs.
Falar de tendência pode ser algo muito bom ou ruim. Acreditar em uma linha de trabalho baseado puramente em tendência é acreditar em uma profecia sem saber que ela existe. É questão de fé.... temos que saber exatamente a fonte da tendência e além disto de onde vem a base do estudo. Isto tudo antes de realmente entender da tendência. Tendência são temperos para os nossos planejamentos e não ingrediente principal. Fora isto existem as micro tendências baseadas em aspectos como regionalização ou reação de mercado. Olhe, leia...use mas não siga totalmente.
Cristiano Dornelles - Agência BRAINBRAIN disse:
Fevereiro 10 de 2010 às 06:01 hs.
Falar de tendência pode ser algo muito bom ou ruim. Acreditar em uma linha de trabalho baseado puramente em tendência é acreditar em uma profecia sem saber que ela existe. É questão de fé.... temos que saber exatamente a fonte da tendência e além disto de onde vem a base do estudo. Isto tudo antes de realmente entender da tendência. Tendência são temperos para os nossos planejamentos e não ingrediente principal. Fora isto existem as micro tendências baseadas em aspectos como regionalização ou reação de mercado. Olhe, leia...use mas não siga totalmente.
michelle@artesano.com.br disse:
Fevereiro 9 de 2010 às 03:10 hs.
ioi
Manoel Carlos Gomes disse:
Janeiro 31 de 2010 às 13:27 hs.
Muito bom artigo , agregar valor ao produto é sempre muito bom,para quem vende e p/quem compra e p/quem recebe (se no caso for uma organização social ) empresas preocupadas não com o lucro mas tambem com o planeta . Valeu
Alex Vilanova disse:
Janeiro 24 de 2010 às 16:04 hs.
Achei o artigo excepcional, assim como teremos a convergência digital com a unificação da internet,tv,rádio e telefone o nosso consumidor terá inúmeras maneiras de realizar uma comunicação com a sua empresa. É o que chamamos de consumidor 2.0, para quem gosta de realizar ações de marketing através do comportamento do consumidor não podemos desprezar a força que as redes social terão dando feedback online da imagem da empresa.
Anderson Rodrigo do Nascimento disse:
Janeiro 18 de 2010 às 04:40 hs.
Trabalho com desenvolvimento de Novos Produtos e adorei saber que não estou sózinho quanto ao desenvolvimento de produtos focados à necessidade do consumidor virtual. Saber o que dizem de minha empresa e de meus produtos são o norte para melhorias e criações de novos produtos.Lógico que se deve ter um excelente filtro para separar o que presta do que é inútil, mas estamos ai para isso.
fabio@rmbr.com.br disse:
Dezembro 31 de 2009 às 11:33 hs.
EXCELENTE ,SABER QUE A COMPETIÇÃO CADA VEZ SE DARÁ ATRAVÉS DA CONSCIENTIZAÇÃO . A VERDADE QUE PARA PERMANECER NESTE MUNDO PROFISSIONAL , A IMPORTÂNCIA DE SER DIFERENTE .PARABÉNS PELOS ARTIGOS . SÃO DE GRANDE VALIA .
Sheila disse:
Dezembro 30 de 2009 às 06:31 hs.
Marcos Campelo, você resumiu o que eu penso sobre este assunto. Ótimo comentário.
Marcos Campelo disse:
Dezembro 27 de 2009 às 15:53 hs.
Cada vez mais eu acredito menos em tendências globais que, supostamente, indicarão os caminhos da internet para todos os países do mundo indistintamente.Vivemos realidade econômicas diferentes, temos culturas diferentes e, principalmente, os estágios de desenvolvimento tecnológico e facilidade de acesso à internet totalmente diferentes. Penso que deveríamos ter nossas próprias tendências, oriundas de estudos e observações da nossa realidade. Penso que a internet é como usar uma bota de gesso, não dá simplesmente para tirar e colocar no pé do outro.
Carlos Balladas disse:
Dezembro 22 de 2009 às 07:05 hs.
Antes das Havaianas, as redes de dormir já haviam conquistado o mundo. A rede é uma invenção genuinamente brasileira, de nossos índios.Considero que o orgulho urbano é algo que cresce na mesma proporção da globalizaçãoe da democracia. É um fenômeno que se observa há decadas.
Márcia Caria disse:
Dezembro 22 de 2009 às 02:06 hs.
Bom artigo. Minha concordância está atrelada aos comentários de Demerval Franco, Darius Quadros e Marcos Klein. Somos seres pensantes... devemos cuidar para não seguir tendências "tortas" e falsos valores. Bons produtos devem se preocupar com a imagem, mas também com o significado dessa imagem. Vender também passa pela avaliação pessoal dos produtos e não apenas à massificação do mesmo.
Tibério disse:
Dezembro 21 de 2009 às 13:55 hs.
Apesar dos prognosticos positivos, lamentavelmente existe uma enorme distância entre ideias excelentes e o que se pratica no dia a dia no mundo corporativo. O mercado brasileiro exige medidas radicais no sentido de tornar pratica, ideias que objetivam resultados e melhorias de processos onde todos ganham (empresa, colaborador e consumidor). Um bom exemplo é condicionar uma grande parte da remuneraçao a resultados com avaliaçao bimensal - ou se produz ou esta fora do jogo.
Marcos Klein disse:
Dezembro 21 de 2009 às 09:33 hs.
Creio que o Brasil terá também suas 10 tendências de consumo. Aprender com os norte-americanos é muito válido, como também é válido aprender com os chineses, espanhóis, russos, etc. Chegou a hora de nós, brasileiros, ditarmos as "regras do jogo", criar formas inovadoras e tendências de consumo mundial. Por enquanto a unica que lançou tendência mundial e que é daqui, foi a Havaianas. Concordo com o Demerval em suas palavras.
Fernando Nascimento disse:
Dezembro 21 de 2009 às 09:09 hs.
É muito bom ter sempre artigos com conteúdos excelente disponível no site da HSM. É uma ''pena'' que muitos gestores se ''esquive'' diante da realidade que as empresas se encontram, e culpe os concorrentes pelo seu fracasso. Sejemos portanto,mais atentos, mais leitores e analistas diários, em nossas rotinas de trabalhos.
Nágela disse:
Dezembro 21 de 2009 às 07:15 hs.
Muito bom poder ter acesso a artigos assim, quanto mais informados, mais maduros e menos materialistas. Neste ponto, vale a pena comentar o termo "Madurialismo" - concordo com o leitor Dermeval Franco e acredito que há de se chegar a um tempo de maturidade onde o mercado respeite mais o consumidor e este, respeite mais o capital, fazendo parar a roleta russa onde se cria a cada dia uma nova versão de um mesmo produto e um planeta descartável e insustentável. Toneladas de lixos indestrutíveis e uma situação social cada dia pior, um exemplo são os banais re-lançamentos de carros em que se desvaloriza um modelo em mais de 20% em relação à sua mais nova versão ápenas com uma lâmpada de farol mais bonita do que a antiga. Perdemos o valor das coisas, do nosso dinheiro e das nossas reais necessidades. O que há de bom nisto? Inovação boa seria perpetuar nossos bens e nosso dinheiro para que sobrasse o que se investir em cultura e se progredir como ser humano livre e maduro.
Valmir Cimenti disse:
Dezembro 21 de 2009 às 06:55 hs.
Realmente um grande desafio das empresas neste mundo globalizado, altamente competitivo e de rápidas mudanças é identificar as tendências de mercado e antever as necessidades e desejos dos consumidores. Este artigo mostra as novas tendências de mercado e serve como auxilio as empresas a moldarem suas estratégias visando melhores resultados no atendimento aos mercados em que atuam. valmir00@yahoo.com.br
jbauduina disse:
Dezembro 19 de 2009 às 19:05 hs.
Gostei muito do artigo, inclusive do í tem 3 que é exatamente a nossa manifestação, uma vez que podemos dar opinão em sites tanto de relacionamento como comerciais, a era do conhecimento trouxe para o mercado maior concorrencia aos produtos e serviços, falta agora mostrarmos a força das comunidades virtuais em "alavancar ou derrubar" estes ou aqueles que só pensam no dinheiro.
Darius Quadros disse:
Dezembro 19 de 2009 às 18:56 hs.
Excelente artigo. Muito direto e conciso. Também concordo com o que diz o cidadão Dermeval sobre o item 10. Está mais para uma rebeldia de adolescentes que uma orientação que valha a pena ser seguida. Aliás, pessoas que querem assim se manifestar, podem muito bem olhar para a questão sócio-ambiental, por exemplo, e dizer: "dane-se" quem estiver passando fome, pois eu tenho o que comer.
Dermeval Franco disse:
Dezembro 19 de 2009 às 01:09 hs.
Vi mais sentido nesse texto do que nos 20 comportamentos dos caçadores de tendência da comunidade trendhunter. Mais centrado, realista e oferece insights para pensar "fora da caixa". Exceto o item 10. Sobre o conceito de madurialismo, considero mais um besteirol yankee. Mercados maduros significam produtos consolidados com consumidores maduros. Os novos consumidores nasceram num ambiente de inovação, alta competitividade onde os produtos não amadurecem, transformam-se num piscar de olhos, deixando de existir ou ganhando uma versão "full HD". Blusas com frases como "pequena vadia" revelam a personalidade de um consumidor adolescente, rebelde e buscando diferenciar-se da massa, chamar a atenção para si. Nada de maturidade. Madurialismo é mais uma bobagem do pop management e seus malabaristas circenses.
Hélio Basso disse:
Dezembro 18 de 2009 às 16:20 hs.
Ótimo artigo. Super sintonizado com a nossa realidade, principalmente com o comportamento do consumidor dos novos tempo, mais impactado pela tecnologia.
FERNANDO disse:
Dezembro 18 de 2009 às 14:38 hs.
S/N
Fernando disse:
Dezembro 18 de 2009 às 14:37 hs.
s
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