21/12/2009 - Magia da Gestão - Carlos Alberto Júlio
A vida em dois dígitos

Começamos a enfrentar o duro rito de passagem da década e a nos perguntar o que esperar da vida em dois dígitos.

O estranho e confuso 2009 chegou ao fim. Começou com crise, dúvida e receio. As pessoas antenadas, no entanto, aproveitaram a oportunidade para refletir, criar e fazer diferente. Muita gente se reinventou durante e após o vendaval.

Talvez tenha sido o duro rito de passagem da década. Efetivamente, ela acaba em 31 de Dezembro de 2010. No entanto, intimamente, já nos acostumamos a atravessar pontes cronológicas entre os anos terminados em 9 e aqueles iniciados em “zero”. A passagem do milênio, por exemplo, foi muito mais comemorada no último dia de 1999 do que no último dia de 2000.

Mas o que esperar da vida em dois dígitos? O que nos inspira o número final duplo?

Por conta do desenvolvimento tecnológico, a vida passa a ser regida por códigos binários, os sinais da rapidez. As mensagens cada vez mais se constroem a partir do Binary Digit, o bit. É tudo uma combinação de “0” ou “1”. Talvez você se lembre disso quando o sujeito da reciclagem carregar sua velha TV de tubo, aquela que nunca teve relações com o mundo digital.

Do ponto de vista filosófico, essa dualidade minimalista é maravilhosa. Podemos compor as obras mais complexas e incríveis com a simples alteração das sequências binárias. Temos como fazer muito com quase nada.

Ora, mas esse pensamento não é capricho de matemáticos. Ter dois é o princípio da dinâmica da existência.

Na filosofia chinesa, yin e yang são forças complementares. Garantem equilíbrio dinâmico, movimento e mutação. De um lado, o príncipio ativo, luminoso e masculino. De outro, o princípio passivo, escuro, feminino.

Nosso próprio modo de pensar está calcado numa relação de duplos elementos, de troca, de argumentação diante do “outro”. A busca pela razão, afinal, não pode prescindir da dualidade.

A dialética, que tem significados diferentes para cada corrente filosófica, baseia-se, em sua origem, nesse confronto de “dois”, na transformação por meio da contradição. Dois se opõem, em tese e antítese, para que uma síntese seja possível.

Então, agora que o tempo passa a ter dois dígitos, que tal viver de maneira dialógica?

Em casa, na rua, na escola, no trabalho, lembre-se de que todas as suas ideias e decisões embutem um convite ao debate, ao diálogo e, se possível, à interação. Isso se aplica, por exemplo, à sua relação com os filhos. Ora, você já teve essa idade também... Antes da bronca, que tal dialogar com o adolescente que, mesmo esquecido, ainda vive em você?

E serve também para os negócios... Será que você percebe o quanto é importante ser “dois” na relação com seu cliente? Você já se colocou no lugar dele para questionar a qualidade de seu produto e do seu atendimento?

2010 está aí. Quer sucesso e harmonia na dança da vida em dois dígitos? Pois atenda à sugestão brilhantemente cantada por Elis Regina: “são dois pra lá, dois pra cá”.

Por Carlos Alberto Júlio (presidente da Tecnisa e membro dos conselhos da HSM e da Camil Alimentos. E-mail: julio@carlosjulio.com.br)


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HSM Online
21/12/2009

Espaço do leitor: 2 Comentários
Comentários:
Wanderson Botti Pelagio disse:
Janeiro 5 de 2010 às 13:42 hs.
Prezado Júlio, apesar da beleza matemática do mundo discreto, penso que nossas vidas estão ligadas em um movimento contínuo. Usando sua perfeita metáfora sobre o código binário, diria que estamos mais próximos a um estado qubit. Não podemos ser totalmente bons ou totalmente maus sem considerar a superposição natural de uma condição humana. Tentamos ser lógicos, com sorte vivemos nossas falácias e por fim acabamos por sofismar. Como diria a letra do Barão Vermelho "O amor sem fim não esconde o medo de ser completo e imperfeito". Que em 2010 sejamos completos e imperfeitos mas sempre melhores do que ontem... Um abraço e obrigado pelos seus livros. São obras de transformação.
Luis Henrique Santana disse:
Janeiro 5 de 2010 às 06:53 hs.
Carlos Júlio.... Muito interessante o artigo, principalmente pela maneira como podemos ver as coisas em 2010...acredito que será um excelente ano, em especial se fizermos isso, ver tudo a ''dois'', acredito que isso pode ser levado para o lado, pessoal, familiar, profissional, de considerar sempre o que ''outro'' está pensando, nossas ações, suas consequencias na outra ponta... o artigo me fez pensar nisso... nos relacionamentos com o cliente, com nosso conjuge, filhos... e etc. nas relações do dia-a-dia.Parabens pelo artigo, muito proveitoso.E que venha 2010... feliz ano novo...
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