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O estranho e confuso 2009 chegou ao fim. Começou com crise, dúvida e receio. As pessoas antenadas, no entanto, aproveitaram a oportunidade para refletir, criar e fazer diferente. Muita gente se reinventou durante e após o vendaval.
Talvez tenha sido o duro rito de passagem da década. Efetivamente, ela acaba em 31 de Dezembro de 2010. No entanto, intimamente, já nos acostumamos a atravessar pontes cronológicas entre os anos terminados em 9 e aqueles iniciados em “zero”. A passagem do milênio, por exemplo, foi muito mais comemorada no último dia de 1999 do que no último dia de 2000.
Mas o que esperar da vida em dois dígitos? O que nos inspira o número final duplo?
Por conta do desenvolvimento tecnológico, a vida passa a ser regida por códigos binários, os sinais da rapidez. As mensagens cada vez mais se constroem a partir do Binary Digit, o bit. É tudo uma combinação de “0” ou “1”. Talvez você se lembre disso quando o sujeito da reciclagem carregar sua velha TV de tubo, aquela que nunca teve relações com o mundo digital.
Do ponto de vista filosófico, essa dualidade minimalista é maravilhosa. Podemos compor as obras mais complexas e incríveis com a simples alteração das sequências binárias. Temos como fazer muito com quase nada.
Ora, mas esse pensamento não é capricho de matemáticos. Ter dois é o princípio da dinâmica da existência.
Na filosofia chinesa, yin e yang são forças complementares. Garantem equilíbrio dinâmico, movimento e mutação. De um lado, o príncipio ativo, luminoso e masculino. De outro, o princípio passivo, escuro, feminino.
Nosso próprio modo de pensar está calcado numa relação de duplos elementos, de troca, de argumentação diante do “outro”. A busca pela razão, afinal, não pode prescindir da dualidade.
A dialética, que tem significados diferentes para cada corrente filosófica, baseia-se, em sua origem, nesse confronto de “dois”, na transformação por meio da contradição. Dois se opõem, em tese e antítese, para que uma síntese seja possível.
Então, agora que o tempo passa a ter dois dígitos, que tal viver de maneira dialógica?
Em casa, na rua, na escola, no trabalho, lembre-se de que todas as suas ideias e decisões embutem um convite ao debate, ao diálogo e, se possível, à interação. Isso se aplica, por exemplo, à sua relação com os filhos. Ora, você já teve essa idade também... Antes da bronca, que tal dialogar com o adolescente que, mesmo esquecido, ainda vive em você?
E serve também para os negócios... Será que você percebe o quanto é importante ser “dois” na relação com seu cliente? Você já se colocou no lugar dele para questionar a qualidade de seu produto e do seu atendimento?
2010 está aí. Quer sucesso e harmonia na dança da vida em dois dígitos? Pois atenda à sugestão brilhantemente cantada por Elis Regina: “são dois pra lá, dois pra cá”.
Por Carlos Alberto Júlio (presidente da Tecnisa e membro dos conselhos da HSM e da Camil Alimentos. E-mail: julio@carlosjulio.com.br)
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HSM Online
21/12/2009
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