21/01/2010 - Vendas 3.0: Uma nova visão para crescer na Era das Idéias - Sandro Magaldi
O estado da arte em vendas: Sonhando o sonho do seu cliente

Um dos principais desafios do vendedor é fazer com que o valor de sua oferta seja percebido por seu cliente. Para isso é fundamental entrar no seu universo e entender sua percepção sobre o real significado do valor.

Nesse artigo retornarei a série de conteúdos que tem como foco principal o processo comercial orientado para o valor. Já abordamos aqui as fases da segmentação (no artigo “Identifique seus melhores clientes e demita os indesejados”) e a do diagnóstico de valor (“Não pergunte ao seu cliente o que ele deseja. Enxergue o mundo com seus olhos”). Agora é a vez da fase do desenho da proposta de valor. O principal objetivo aqui é fazer com que o cliente reconheça todo o valor que você está entregando em sua oferta e abordagem.

Reforço um ponto que não me canso de chamar atenção: aquilo que não é percebido simplesmente não existe. Logo quando seu cliente não reconhece o valor que você desenvolveu para ele é porque simplesmente ele não percebeu esse valor. Simples assim.

Quando ocorre essa situação a tendência é que ele migre sua atenção para um elemento da oferta que conhece muito bem: o preço. Assim, sempre que o cliente migrar sua atenção exclusivamente ao preço é porque ele não percebeu os outros atributos de valor aportados em sua oferta. Essa armadilha faz com que sejamos impulsionados a entender em profundidade o universo do nosso cliente identificando, além de suas demandas, sua visão e entendimento sobre o que é valor.

Para isso temos de sonhar o sonho de nossos clientes. Só assim entenderemos sua percepção sobre o significado de valor. Notem que estamos diante de um grande desafio porque temos de ter abertura para poder entrar no seu universo. Na realidade nós temos de ser merecedores desse privilégio. Temos de conquistar esse espaço. Daí a importância da construção do relacionamento baseada em confiança com nossos clientes. Você só convida a entrar na sua casa e vivenciar seu universo aquela pessoa que confia plenamente, não é? Se é assim conosco, porque seria diferente com nossos clientes?

Outro desafio proveniente desse processo reside no fato de que, em algumas situações, o cliente tem preguiça em se esforçar para entender o valor que você está entregando a ele. Estudos provenientes do campo da neurociência comprovam categoricamente que o ser humano em geral tende a tomar a decisão mais cômoda em detrimento da melhor. Isso ocorre porque tendemos a economizar esforço cerebral optando pelas formas de processamento mental que demandam menos trabalho mesmo sendo menos precisas.

Você dúvida dessa tese? Então pense todas as vezes que tomou uma decisão de consumo que não fazia nenhum sentido racionalmente, porém era a mais cômoda. Como colocar gasolina no posto mais perto de sua casa mesmo que ele não seja tão confiável. Ou do dinheirão que gastou na compra daquele produto por puro impulso mesmo sabendo que, se pesquisasse um pouco mais, encontraria um melhor preço. Faz sentido para nós, não faz? Então para nosso cliente também.

Essa tendência pela escolha do mais fácil implica em sermos muito assertivos no desenho de nossas propostas comerciais que devem estar mais focadas naquilo que o cliente quer ouvir e menos nos elementos a nosso respeito. Um dos pecados capitais em se tratando da formatação de propostas comerciais ocorre, por exemplo, quando os 10 primeiros slides de sua apresentação falam do seu negócio e não do universo do cliente. Ou ainda quando os 10 primeiros minutos de sua abordagem comercial são dedicados a evidenciar o quanto sua empresa é importante e não em como ela resolverá os problemas de seu cliente.

Devemos ter como mantra um ponto fundamental: o cliente está interessado em saber como nossa solução vai resolver o problema dele e não em saber das maravilhas de nosso negócio. Incrível que esse discurso já está gasto, mas me deparo com vendedores e vendedores caindo nessa armadilha todos os dias.

Na fase do diagnóstico sugeri que uma metáfora bastante adequada para simbolizar o papel do vendedor nessa fase é do médico de família. Na fase do desenho da proposta de valor a metáfora que cabe é a do arquiteto. O bom profissional de arquitetura é aquele que consegue entender o sonho de seu cliente tangebilizando-o em um projeto campeão.

Quando achamos um arquiteto que consegue essa proeza a sensação que temos com o resultado do processo é maravilhosa. E todo mundo sabe o que acontece quando você começa uma reforma ou a construção de uma casa com o envolvimento de um profissional competente, não é verdade? O processo vai evoluindo, você gosta de uma nova decoração aqui, um novo acabamento ali e quando menos percebe não está mais fazendo conta do orçamento final da obra e sim se as prestações financiadas cabem no seu bolso. Ou seja, o atributo preço tornou-se desprezível perante a todo o valor entregue no projeto. Pois esse deve ser nosso posicionamento. Devemos nos empenhar em entregar um valor tão grande ao cliente que ele deve preocupar-se apenas em como pagar a conta.

Quando chegamos nesse nível basta ter paciência e habilidade para fechar o negócio. Dedique-se a sonhar o sonho de seus clientes e veja os resultados. Garanto que serão da proporção desses sonhos.

 

Por Sandro Magaldi (diretor comercial da HSM do Brasil, Professor da ESPM e autor do livro Vendas 3.0 - Uma nova visão para crescer na era das ideias. Visite seu blog: www.sandromagaldi.com.br)

 

Leia também outros artigos deste colunista:

- Que venha 2010!

- Não pergunte ao seu cliente o que ele deseja. Enxergue o mundo com seus olhos

- Identifique seus melhores clientes e demita os indesejados

- Desvendando o significado do valor em vendas

- Escape da guerra de preços: Mergulhe no negócio do cliente

- As 5 fases do processo de vendas orientado para o valor

- Um modelo de sustentabilidade comercial

- O verdadeiro pulo do gato em vendas

- Como vender lenços em um ambiente instável

- Se todo mundo está chorando, o negócio é vender lenços


HSM Online
21/01/2010

Espaço do leitor: 8 Comentários
Comentários:
Sandro Magaldi disse:
Fevereiro 7 de 2010 às 07:00 hs.
Caro Marco Antônio. Obrigado pela sua contibuição. Sobre a metáfora com o médico de família, explorei esse tema no artigo "Escape da guerra de preços: mergulhe no negócio do cliente" onde cito: Nesse sentido, o bom vendedor deve agir como o tradicional médico de família. Aquele profissional cuja orientação está centrada em entender tudo o que concerne o universo de seu paciente/cliente: seus hábitos, modo de vida, necessidade clínicas... Enfim, o foco deste médico não está orientado a nenhuma especialização e, sim, em conhecer o universo de seu paciente/cliente melhor que qualquer outro profissional, pois ele lhe acompanhará de seu nascimento até o término do seu ciclo de vida.Desenhando um perfil do vendedor alinhado com essa visão, refiro-me àquele profissional que conhece muito de sua especialidade, da oferta que comercializa, porém mais importante do que isso, é um especialista no universo de seus clientes.De qualquer forma, lhe convido a consultar o artigo para entender essa visão. Grande abraço e espero que continue nos visitando por aqui. Um abraço, Sandro
Marco Antonio Muniz disse:
Fevereiro 6 de 2010 às 11:39 hs.
Um artigo excelente, que agrega valor ao que sabemos. Mas desculpe-me a observação: faltou explicar o papel do médico de família, citou e falou do arquiteto. Parabéns e continue nos brindando com artigos desse nível. Marco
Sandro Magaldi disse:
Janeiro 30 de 2010 às 12:32 hs.
Avany. Obrigado por sua participação. É isso mesmo. Acredito que nosso dia a dia acaba nos levando a operação e, muitas vezes, nos esquecemos de parar para refletir sobre nossas práticas. De qualquer forma, as coisas não são complexas e tudo está aí. Se quiser acessar mais artigos desse perfil visite meu blog (www.sandromagaldi.com.br). Grande abraço, Sandro
Avany Rocha disse:
Janeiro 29 de 2010 às 16:08 hs.
Sandro, parabens pelo seu artigo. Muitas vezes no intimo sabemos sobre o que voce escreveu mais no dia a dia, por força das circunstâncias, por falta de execução do planejamento ou até mesmo por pressão do mercado nos esquecemos destas verdades e praticamos o que não é devido. Obrigado pelo alerta e pelas excelentes dicas que tem nos proporcionado. Continue puxando nossas orelhas. Precisamos disto. Grande abraço.
Sandro Magaldi disse:
Janeiro 28 de 2010 às 13:59 hs.
Caro Danilo. Obrigado pela sua participação nesse espaço. Você está certo. Minha visão não é que não devemos ouvir nossos clientes e utilizar ferramentas como o CVA. Na realidade necessitamos agregar a essas ferramentas atuais uma visão mais prática, 'de campo' (como a do caso da Unilever comentado no artigo). Acredito que pesquisas de campo na linha da etnografia e todas aquelas que se valem da análise do comportamento do consumidor em seu 'habitat' tendem a ganhar espaço. Porém, reitero, essa abordagem não exclui as ferramentas mais tradicionais e clássicas. Espero ter contribuído. Se necessitar algo me acesse (meu email sandromagaldi@gmail.com.br). Um abraço, Sandro
Danilo Nascimento disse:
Janeiro 28 de 2010 às 09:48 hs.
Sandro, parabéns pelas considerações a respeito do assunto, inclusive esse é o tema do meu TCC na FDC. Só fiquei com dúvida em sua afirmação: “Não pergunte ao seu cliente o que ele deseja. Enxergue o mundo com seus olhos”. Utilizo para pesquisa o CVA (Customer Value Analysis) e em uma das etapas questionamos nossos clientes sobre alguns atributos de valor. Entendo que não é uma ferramenta infalível, mas traz informações importantes, o que você pensa a respeito? A capacidade de inovar deve sempre estar presente nas organizações, até mesmo porque se Henry Ford tivesse perguntado o que os clientes desejavam, teria feito uma charrete melhor.Um grande abraço.
Sandro Magaldi disse:
Janeiro 23 de 2010 às 07:03 hs.
Luis Henrique. Legal você estar sempre participando desse espaço. Pelo seu interesse, acho que vale à pena você dar uma olhada no livro. Apresento mais de 60 casos e, certamente, alguns serão de seu interesse (como os da Microlins, Visa Vale etc). Uma dica: na Cultura você encontra o menor preço do mercado (http://migre.me/hpi9). Além disso, visite sempre meu blog onde tenho postado esse e outros conteúdos. Grande abraço e obrigado pelas contribuições. Sandro
Luis Henrique SAntana disse:
Janeiro 22 de 2010 às 15:14 hs.
Parabens pelo artigo Sandro, to montando um livro com seus artigos sobre inovação e valor em vendas rsss.Tenho buscado muito sobre o assunto, só falta ler o livro ainda, e encontrar outros sobre o assunto.Enxergar aquilo que o cliente quer, premeditar, prever, criar valor, tenho buscado aplicar isso, como voce sempre diz, há uma geração de vendedores que se formaram em vender preço, na base do empurrometro na maioria das vezes, e mudar isso é uma barreira, é paradigma à ser quebrado.Abraço
<< 1 de 2 >>
Envie seu comentário
  Nome Código  
  Comentários  
HSM não tem responsabilidade alguma sobre comentários de terceiros, os mesmos são de responsabilidade exclusiva de quem os escreveu. HSM reserva o direito de eliminar os comentários ofensivos, discriminantes ou contrários às leis vigentes.
Untitled Document
Patrocinado por:
 
HSM - Inspiring Ideas
Bookmark and Share

ExpoManagement 2009
Clique no icone e veja a galeria completa
 
  Newsletter RSS
Digital
Economia
Gestão
Marketing
Recursos Humanos
Sustentabilidade
News Inspiring Ideas  
HSM Podcasting
 
Untitled Document
Notebook Sony VAIO NW210 c/ Intel Dual Core 3GB 320GB Windows 7 Basic Carregador Veicular para Note Smart AC 120 USB iPod Touch 8GB - Preto – Apple