Recursos Humanos
Por que precisamos de líderes?

 

Saiba por que a melhor liderança é aquela baseada em valores, onde o coletivo é mais valorizado que o indivíduo

Acreditamos que esta pergunta suscitará, por um bom tempo, debates e reflexões sobre as nossas práticas organizacionais e nos levará à mudança de consciência necessária à evolução das nossas organizações, de maneira humana e sustentável. A liderança baseada em valores é o que tudo indica o fator que diferencia as grandes organizações das organizações comuns. No entanto, a liderança não pode ser compreendida somente como uma qualidade pessoal ou como atributos de indivíduos específicos, mas como caminhos construídos coletivamente que abrem espaço para o novo.

Dessa forma, essa liderança pode ser criada por meio da excelência da governança de uma organização ou pela qualidade do pacto ético estabelecido. Tal pacto pode ser feito entre pessoas e empresa, desenvolvendo processos coerentes e bem estruturados que, uma vez implementados por um corpo técnico competente, estabelece vínculos permeados pela forte percepção de justiça, motivação para o trabalho, entusiasmo e sentido.

A percepção da relevância da liderança baseada em valores aumentou recentemente quando os danos da meritocracia financeira que premia resultados de curto prazo, descomprometidos com a qualidade do trabalho e com a perenidade das empresas, se fez sentir em toda a sua força. Isso se soma ao seu importante papel na transição das economias industriais para aquelas baseadas na aplicação mais intensiva do conhecimento. Este modelo solicita novos mecanismos de gestão baseados em consentimento e reciprocidade, distintos daqueles que se mostraram eficientes no passado.

No entanto, estas transformações apontam para uma mesma direção: a necessidade de encontrar um elemento, mecanismo ou processo que desperta virtudes e resignifica o trabalho coletivo. A liderança baseada em valores é, portanto, exatamente o elo perdido das organizações contemporâneas que se deparam, por um lado, com o vazio produzido pelas novas configurações sociais e, por outro, uma economia baseada em demandas de curto prazo, quebra de confiança e pelo predomínio de relações baseadas em trocas de interesses. E, apesar dessa abordagem ao tema solicitar uma reflexão teórica importante, sua lógica esta bastante ancorada à prática.

Diagnósticos estratégicos organizacionais mostram que essa é uma preocupação constante de gestores e dirigentes de empresas que cada vez mais reconhecem a necessidade deste elemento que motiva, desperta e cria sentido. O líder que age baseado em valores é aquele que enxerga outras possibilidades e cria espaços de sentido, ética, realização e excelência onde a maioria das pessoas só enxerga espaços para pressão por resultados e redução de custos.

É o indivíduo que, dizendo não ao fatalismo e ao pessimismo, encontra espaços para a mobilização das pessoas na construção das alternativas possíveis e necessárias. Na falta de outros indicadores de sucesso de curto prazo, temos usado a métrica financeira como medida e bússola e, ao fazermos isso, destruímos as precondições para a produção de valor verdadeiro e sustentável. O líder que age baseado em valores é, de certa maneira, o antídoto para soluções de métricas fáceis, evitando a armadilha dos indicadores financeiros mais rasteiros e ocupando espaço de destaque nas organizações contemporâneas.


Por Marco Tulio Zanini e Carmen Migueles (Marco Tulio Zanini é especialista em Gestão Estratégica de Pessoas e Gestão de Ativos Intangíveis. Carmen Migueles é especialista em Internacionalização de empresas e Cultura Organizacional. Ambos são professores da Fundação Dom Cabral)

Nota do editor: Zanini e Carmem acabam de lançar o livro Liderança baseada em Valores,  pela Editora Campus, onde apresentam a síntese sobre o tema.

HSM Online
08/02/2010

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Espaço do leitor: 2 Comentários
Comentários:
Correia disse:
Fevereiro 8 de 2010 às 11:47 hs.
Obrigado pelo artigo e parabéns pela defesa de uma abordagem da sustentabilidade humana nos relacionamentos corporativos.De fato, se não houver uma alteração significativa no modo como os gestores mobilizam as pessoas a resolver/evitar problemas nas organizações, continuaremos a ver crescer a clientela de terapeutas, psicólogos, gastroenterologistas e demais profissionais que (de modo competente) tratam as dores organizacionais e suas consequências.Além de tudo que foi escrito, vejo que a atual geração de líderes não está conseguindo sintonizar-se com a safra de jovens conectados via "celular/ipod/web/redes sociais", que exige (mesmo involuntariamente) velocidade e exatidão de respostas.
Edinaldo Marques disse:
Fevereiro 8 de 2010 às 11:41 hs.
Parabéns ao autor. Sem dúvida, esse é o caminho para construir organizações sustentáveis e diferenciadas. O maior problema é a prática das pessoas. Se uma dada empresa elabora a sua VISÃO, MISSÃO e DECLARAÇÃO DE VALORES, e os dirigentes maiores são os primeiros a descumprir, o mau exemplo dado é fatal. Caso semelhante ocorre dentro do serviço público brasileiro. É uma raridade encontrar dirigentes e/ou servidores que respeitem princípios, valores morais e éticos. Por isso é que o Brasil do futuro é tão questionado. Como será este País no ano de 2100 se continuarmos com os exemplos atuais? Faltam verdadeiros líderes e gestores eficazes, políticos centrados em princípios.Edinaldo Marqueswww.blogdoprofessoredinaldo.blogspot.comedinaldo_afonso@hotmail.com
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